
Guilherme Carvalho dos Santos, o Gui Santos, caminha pelo vestiário do Golden State Warriors carregando uma responsabilidade além das táticas do técnico da equipe, Steve Kerr. Natural de Brasília, o ala de 23 anos é, atualmente, o único detentor da bandeira brasileira nas quadras da liga nacional de basquete americana, a NBA. Criado no Distrito Federal, o atleta moldou talento nas quadras da capital antes do sucesso na elite do basquete mundial e, agora, colhe os frutos de uma temporada promissora.
O brilho de Gui Santos nas quadras norte-americanas é justificado por uma trajetória de passos firmes. Antes de se transferir para a NBA, o brasileiro passou seis temporadas defendendo o Minas no Novo Basquete Brasil (NBB). Draftado em 2022 pelo Golden State Warriors na 55ª posição da segunda rodada, o brasiliense precisou esbanjar paciência na adaptação. Entre idas e vindas na G-League, a liga de desenvolvimento da NBA, o atleta consolidou posição na franquia de São Francisco, Califórnia, até o 2026 brilhante. Na temporada, ele esteve entre os titulares e exerceu papel fundamental na rotação da equipe.
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Todo o processo foi carregado de afirmação no próprio talento. “Eu sonhava com tudo que eu estou vivendo hoje, mas eu sabia o quão difícil era alcançar e não sabia se eu era forte e preparado o suficiente, tanto fisicamente, mentalmente, de todas as formas. Porque, para mim, era de outro mundo alcançar o que estou alcançando hoje. Eu não imaginava, quando eu fui draftado em 2022, que eu iria chegar a tudo isso. É a realização de um sonho, não só para mim, mas para toda a minha família”, afirmou Gui Santos, em entrevista ao Correio.
Gui Santos estabeleceu marcas históricas para o Brasil na NBA, apesar da eliminação dos Warriors no play-in da liga. O ala tornou-se o quarto brasileiro a atingir 30 ou mais pontos em uma única partida, feito alcançado no triunfo sobre o Brooklyn Nets na temporada regular. O camisa 15 também registrou o primeiro duplo-duplo e somou ao menos 10 pontos em sete confrontos consecutivos. Tudo isso valeu a renovação de contrato com a franquia até a temporada 2028/2029. “Devido a lesões que aconteceram no time, abriram-se muitas oportunidades para todo mundo jogar mais e ter mais volume de jogo. Isso acarretou em mais tempo de quadra, com o volume maior, com pontuações maiores. Então, eu tive uma evolução física, tática e técnica”, avaliou.
Em 2026, Gui Santos também protagonizou o primeiro game winner (ponto da vitória) na NBA. Em confronto contra o Memphis Grizzlies, o ala converteu uma bandeja a 26 segundos do fim. O lance selou o triunfo dos Warriors por 114 x 113 e amplificou a importância do brasileiro no time. “É muito importante aparecer nesses momentos decisivos. Mostrar que a equipe pode contar com você. Eu tive a oportunidade de fazer isso algumas vezes nessa temporada. Isso ajuda a fixar meu nome dentro da NBA”, prospectou o brasileiro.
Ao revisitar os quatro anos de trajetória na liga, Gui elege a primeira cesta como o momento mais emblemático. “Eu só queria jogar um jogo de NBA e me tornar um dos 19 brasileiros que participaram. A estreia, contra o Oklahoma City Thunder, foi bem marcante”, lembrou. No Warriors, o brasiliense joga ao lado de Stephen Curry, maior pontuador de três pontos da história da NBA. Além dele, o camisa 15 tem companheiros como Jimmy Butler (seis vezes All Star) e Draymond Green (quatro vezes melhor defensor do ano). “Eles querem ganhar tudo, seja pedra, papel, tesoura, um jogo de NBA ou uma partida de videogame. Essa mentalidade vencedora eu aprendi muito. O Curry é um cara tranquilo, humildade pura. É resenha, brincadeira, o tempo todo zoando. Eu me tornei amigo do meu ídolo”, afirmou.
No melhor estilo brasileiro, Gui Santos imprime a identidade verde-amarela ao elenco dos Warriors. Mesmo imerso na cultura norte-americana da NBA, o ala mantém as raízes preservadas. “Lá eles são meio frios, muito profissionais. E eu sou totalmente da zoeira. O tempo todo chego na sala da fisioterapia, perturbo todo mundo, os técnicos e acaba que eles gostam bastante de mim. Ser um bom teammate conta bastante. Tento ser sempre o melhor companheiro de equipe, mostrando um pouco da brasilidade, seja dançando, colocando um funk para tocar na academia”, disse.
Reverência a Oscar
A ascensão de Gui Santos na NBA coincidiu com o baque da morte de Oscar Schmidt, maior lenda do basquete brasileiro. O ícone faleceu em 17 de abril, mesmo dia da eliminação do Warriors na temporada. Mesmo sem jogar nos Estados Unidos, o potiguar radicado em Brasília ostentava respeito na liga, com direito a ocupar um lugar no Hall da Fama do torneio. O sucesso atual do ala em quadras norte-americanas garante a preservação do respeito conquistado pelo país ao longo de décadas. Com talento e personalidade, o brasiliense mantém vivo o legado do Mão Santa perante os olhos do mundo.
“A perda do Oscar foi um baque muito grande para todos. É o nome brasileiro dentro do basquete. Eu não tenho como me comparar. Falar que eu estou perto disso. É muito recente, as coisas estão acontecendo agora. Mas eu vou trabalhar, fazer o que tiver que ser feito para poder me tornar um ídolo. Acho difícil alguém chegar perto do que o Oscar fez. Mas ser um pouquinho do que ele foi para todo mundo já é uma coisa muito grande”, vislumbrou o ala dos Warriors.
Brasília na pele
Brasiliense nato, Gui Santos mantém vínculos estreitos com a capital federal. O atleta regressa ao Distrito Federal após o encerramento de cada temporada na NBA. A forte identificação com as raízes motivou homenagens artísticas na pele. O ala exibe ilustrações da Catedral Metropolitana de Brasília e da Ponte Juscelino Kubitschek tatuadas no braço direito. “É sempre muito especial. Eu venho para cá principalmente pela minha família. Eu acho que é o mais importante para voltar, ficar perto das pessoas que me criaram, do local onde eu cresci e das raízes”, destacou.
*Estagiário sob a supervisão de Danilo Queiroz
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