A vida da pequena Maitê Misquita, de apenas dois anos, teve um desfecho trágico após um sinistro de trânsito na BR-070. A menina ficou cinco dias internada antes de falecer na última quarta-feira (6/5). A tragédia aconteceu no dia 30 de abril após uma ultrapassagem pela faixa da direita na rodovia em Águas Lindas de Goiás, no Entorno do Distrito Federal
A família voltava para Brasília depois de reunião familiar em Águas Lindas (GO). Em certo momento da viagem, o carro em que a família estava apagou. Camila Misquita, mãe de Maitê, conta que durante uma manobra para se afastar do trânsito, foram surpreendidos por uma batida na traseira do veículo. “Meu tio falou para o meu sogro, que estava dirigindo, ir para a faixa da direita. Ele tentou ligar o carro novamente e quando foi acionar o pisca-alerta, sentimos a batida”, disse. No carro, estavam o sogro de Camila, dirigindo, o tio, no banco dianteiro do passageiro, e Camila e Maitê no banco traseiro.
“Após conseguir recuperar o fôlego depois da batida, vi que a minha filha estava desfalecida, com o corpinho pra frente e boquinha ficando roxa”, relatou a mãe. Em meio ao desespero, Camila acariciou o rosto da filha e levantou o rosto da criança. “Quando fiz isso, a cor na boquinha dela voltou”, acrescentou.
Viaturas do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal (CBMDF) chegaram pouco tempo após o sinistro. Camila conta que a prioridade da corporação foi resgatar a criança. Logo após os procedimentos de estabilização, Maitê foi encaminhada primeiramente à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Águas Lindas. “O socorro foi muito rápido. A equipe deu prioridade para a minha filha e tentou me acalmar, relatou a mãe. Ao chegarem na UPA, Maitê foi encaminhada à Sala Vermelha — destinados à pacientes em estado crítico que apresentam risco imediato de morte.
Na unidade hospitalar, a Camila reconheceu o motorista responsável pela colisão, e o questionou sobre as causas da colisão. “Eu perguntei se ele estava no celular, mas ele me disse que estava atrás de um caminhão e foi ultrapassar pela direita, colidindo com o nosso carro parado”, afirmou. Segundo ela, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que não houve tentativa de frenagem por parte do motorista.
Devido ao quadro crítico de saúde da menina, ela foi transportada por um helicóptero para o hospital de Base. “Foi tudo muito rápido. Acredito que Deus tenha ajudado nossa família nessa hora, o transporte aéreo foi muito rápido para socorrer minha filha”, contou Camila. Camila não pôde acompanhar a filha na aeronave devido ao tamanho do veículo. Ao chegar no hospital, a mãe conta que a criança foi estabilizada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Quadro delicado
A menina ficou internada por cinco dias antes de falecer. Na terça-feira (5/5), a equipe médica deu início ao protocolo de morte encefálica. A mãe conta que, apesar do quadro difícil, um dos exames realizados deu inconclusivo, o que deu esperanças para a família. “Fizemos uma corrente de oração na frente do hospital. O último exame estava marcado para o dia seguinte, mantivemos as esperanças durante toda a noite”, relembrou Camila.
Às 16h da quarta-feira, o exame foi realizado e, após cinco dias lutando pela vida, a morte cerebral de Maitê foi constatada. “Um amigo que estava intercedendo por nós, disse, pela manhã, que Deus iria recolher minha filha. Estamos buscando nossa força na religião”, desabafou a mãe.
Despedida
Mesmo em meio a dor, os pais de Maitê autorizaram a doação dos órgãos da menina. “Sei que a vida da minha filha foi muito especial. Ela ajudar outras crianças deixa meu coração muito feliz e grato a Deus”, disse. Agora, a família espera a finalização dos procedimentos para seguirem para a despedida. A data do velório e sepultamento ainda não foi marcada.
O caso foi registrado e está sendo investigado pela 24ª DP (Setor O). Até a publicação desta matéria, a reportagem não conseguiu localizar o motorista. O espaço segue aberto para pronunciamento.
