Por Manuela Sá* — A menos de um mês do início da Copa do Mundo 2026, os cuidados que devem ser tomados por quem vai viajar para México, Estados Unidos ou Canadá, países sede do campeonato, foram tema, nesta quinta-feira (14/5), do CB.Saúde — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília. Diante do surto de sarampo nesses locais, a infectologista Eliana Bicudo destacou a necessidade de vacinação contra a doença e de manter o calendário de imunizações atualizado. Às jornalistas Carmen Souza e Sibele Negromonte, a médica falou ainda sobre o hantavírus.
Quais cuidados as pessoas que vão para a Copa precisam tomar?
As culturas que a gente visita têm suas particularidades e, com isso, a gente pode adquirir doenças. Especificamente sobre a Copa do Mundo, já existe uma recomendação do Ministério da Saúde fazendo esse alerta para o surto de sarampo. A vacina é ofertada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Há uma recomendação de que a pessoa faça o reforço do imunizante. Se ela não fez todas as dos Manuela Sá* es adequadas, que são duas, é importante fazer pelo menos uma, 14 dias antes da viagem para os Estados Unidos, Canadá ou México. É preciso lembrar que o período de incubação dessa doença é grande. Então, ao você se vacinar antes de ir para a Copa ou para a sua viagem, você vai estar protegendo a si mesmo e o Brasil, porque você não vai trazer sarampo para cá.
O adulto, mesmo que tenha dúvidas se já tomou uma dose da vacina contra o sarampo, deve se imunizar?
Sim. Nunca deixe de imunizar o indivíduo, não importa que ele já tenha tomado. Se ele perdeu o cartão vacinal, ele toma de novo e faz o tempo de imunização completo. É importante lembrar que a vacina do sarampo é conjugada no Brasil. Então, há a tríplice viral (rubéola, sarampo, caxumba) ou a tetra viral (rubéola, sarampo, caxumba, catapora). Ela é dada a partir do primeiro ano de vida. Então, as crianças acima de um ano estarão protegidas, se estiverem com o calendário completo.
Considerando a imunização do viajante, quais outras vacinas são importantes?
O Ministério da Saúde está disponibilizando para todos os viajantes que vão para a Copa a vacina de sarampo e também de difteria e tétano, que a gente chama de dT do adulto. Estamos tendo casos de difteria no México por conta também da baixa cobertura vacinal. Então, existe a recomendação de se fazer essa vacina novamente antes de ir. Lembrar que ela, no adulto, é feita a cada 10 anos, e a da influenza e da covid 19, também. Dessa forma, a recomendação é completa. Claro que a gente tem outras doenças importantes. No México, por exemplo, a depender do lugar, eles exigem a imunização da febre amarela.
Recentemente, tivemos o caso do hantavírus dentro de um cruzeiro. Muita gente fala que uma nova pandemia vem aí. Há risco de isso acontecer por causa desse cruzeiro, especificamente?
Por causa desse cruzeiro, especificamente, não tem chance. Podemos ter mais casos, isso é provável, pelo tempo de incubação do vírus, que é de três dias, mas pode chegar a 60. Eles estão tentando fazer com que todos os passageiros e tripulantes fiquem em quarentena, por causa do risco de o indivíduo vir a desenvolver um quadro grave de hantavirose. Esse vírus é muito específico, porque é restrito à transmissão entre roedores silvestres. Trata-se de uma zoonose. Você adquire o vírus por meio da inalação de resíduo de fezes, urina e saliva de roedores, geralmente silvestres.
Quais cuidados sanitários precisam ser tomados para que a contaminação não saia de controle?
As pessoas que estavam naquele navio devem continuar em observação, em isolamento, que é exatamente o que está acontecendo. Os contactantes daquele indivíduo também devem continuar em isolamento, porque a característica desse vírus de Ushuaia, do genótipo Andes, é que ele tem transmissibilidade interpessoal, de pessoa para pessoa. No entanto, é preciso um convívio bem próximo e bem íntimo para essa transmissão. Então, é importante que as pessoas que já têm viagem marcada para aquela região de Ushuaia entendam que é importante conhecer, fazer o turismo rural, mas também saber dos seus riscos e, talvez, usar máscara nas regiões onde houver roedores.
Há três casos de hantavírus em investigação no Distrito Federal. Esse vírus daqui é diferente do de Ushuaia? Como as pessoas podem se proteger?
Não tem vacina e não tem remédio específico. Esses são vírus totalmente diferentes, ou seja, é hanta, mas genótipos diferentes. O daqui é de roedores silvestres, que a gente tem comumente. Já tivemos pequenos surtos em São Sebastião e ele está muito relacionado ao destino de dejetos orgânicos, onde os roedores chegam nas cidades e acabam deixando fezes e urina com potencial de contaminação. Então, a prevenção é o destino correto do lixo. Nesses casos que a gente têm aqui, não há transmissão entre humanos.
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*Estagiária sob a supervisão de Malcia Afonso
