Estudantes do Instituto Federal de Brasília (IFB) Campus Brasília, do Centro de Ensino Médio da Asa Norte (Cean) e do Centro de Ensino Médio Paulo Freire realizaram, nesta terça-feira (19/5), um ato estudantil na L2 Norte em defesa de escolas mais seguras e contra casos de assédio e violência no ambiente escolar. A mobilização começou na quadra 610 Norte, em frente ao IFB, e seguiu em caminhada até a quadra 606 Norte, onde fica o Cean, reunindo cerca de 200 pessoas.
Uma das motivações foi a repercussão do caso envolvendo adolescentes neonazistas do Centro de Ensino Médio Setor Oeste (CEMSO), na Asa Sul, que elaboraram uma lista de “garotas mais estupráveis” e ameaçavam meninas pelas redes sociais.
O protesto durou cerca de 2h, sendo 1h de caminhada, e reuniu estudantes, professores e militantes em defesa da educação pública.
Entre as reivindicações estavam a criação de protocolos de segurança contra assédio, medidas de acolhimento às vítimas, chamar atenção para a impunidade de agressores e pedir ações do Ministério Público no caso envolvendo adolescentes neonazistas.
Com cartazes e discursos, os participantes denunciaram o que classificam como aumento da misoginia, do discurso extremista e da sensação de insegurança dentro das escolas do DF.
Indignação
A presidente da União de Estudantes Secundaristas do DF, Letícia Rezende, 17 anos, moradora do Paranoá, afirmou que os estudantes não aceitarão retrocessos. “Nós não vamos aceitar nenhum tipo de retrocesso, nenhum estudante sofrendo assédio dentro das escolas”, declarou.
Presidente do Grêmio Estudantil Voz Marielle Franco, representação dos estudantes do Ensino Médio do IFB, Rafaela de Jesus, 17, destacou a indignação dos jovens diante dos episódios recentes de violência contra mulheres no DF. “Estamos reunidos para mostrar o quanto estamos indignados em relação aos casos de assédio e agressão às mulheres que vêm acontecendo aqui no DF. Eu e todos os jovens que se reuniram aqui querem que essa realidade mude. Isso tem que acabar o mais rápido possível”.
O coordenador-geral da Federação Nacional de Estudantes de Ensino Técnico (FENET), Ray Oliveira, 20, afirmou que o ato também foi uma resposta ao crescimento de discursos extremistas. “Estamos construindo esse ato em defesa da vida das mulheres e contra o avanço da extrema direita e do fascismo. Nós sabemos que esse ato, além de tudo, é um ato contra o avanço do extremismo, que coloca a vida das mulheres e meninas em risco. Vamos dizer não ao assédio, não à misoginia, não ao discurso red pill. Os estudantes vão continuar em luta”.
Já a estudante Thainá Rodrigues de Oliveira, 18 anos, presidente da Chapa Pindorama do CEM Paulo Freire, relatou que se sentiu representada pela mobilização. “Hoje ocorreu o maior ato possível que nós podemos organizar. Um ato contra os assédios nas escolas que foi essencial. Eu, como mulher e ex-vítima de abuso infantil, me sinto extremamente representada por esta galera que veio até as ruas da L2 Norte e mostrou apoio, e mostrou que machistas e a comunidade red pill não passarão”, declarou.
A presidente da União Brasileira de Mulheres, Maria das Neves, 38 anos, sublinhou a presença das estudantes como símbolo de resistência ao avanço de discursos misóginos e extremistas.
“Vemos aqui a força e a vitalidade da luta feminista. As meninas são a barreira de contenção do movimento red pill, dessa ideologia de repressão, misoginia e de ódio às mulheres. O machismo mata todos os dias e o feminismo nunca matou ninguém”.
Nesta segunda-feira (18/5), também ocorreu um protesto com outras escolas, reunindo estudantes do CEMSO, Centro de Ensino Médio Setor Leste (CEMSL) e Centro de Ensino Médio Elefante Branco (CEMEB).
