
Estudantes universitárias do Distrito Federal denunciaram um jovem de 19 anos por uma série de episódios de importunação sexual, envio de conteúdos íntimos não solicitados e, em um dos relatos, agressão física. A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) afirmou ao Correio que investiga o caso.
Segundo as vítimas, os contatos teriam ocorrido principalmente por redes sociais e também em situações presenciais, envolvendo alunas em ambientes universitários.
De acordo com os relatos reunidos pelo Correio, os episódios teriam começado com interações aparentemente comuns em redes sociais, que evoluíram para mensagens insistentes, comentários de cunho sexual e, posteriormente, envio de vídeos íntimos sem consentimento. Veja:
Uma das vítimas, que preferiu não se identificar, contou que tinha 17 anos quando recebeu um vídeo íntimo sem autorização. “Ele respondia alguns stories sendo amigável, mas nunca puxamos assunto, só que um dia do nada ele resolveu me mandar um vídeo, sem sequer me conhecer ou ter dado essa liberdade pra ele”, relatou. Segundo ela, não houve qualquer incentivo para esse tipo de contato. Após o ocorrido, a jovem buscou ajuda de um amigo para registrar boletim de ocorrência.
Outro registro foi feito por uma estudante de artes visuais, de 23 anos, que formalizou denúncia no dia 29 de março. De acordo com o boletim de ocorrência, ela teria conhecido o suspeito dentro de um ônibus após sair da Universidade de Brasília. Segundo a jovem, o homem sentou-se ao lado dela, iniciou a conversa insistente e, posteriormente, pediu o contato em rede social.
“Ele começou a me enviar mensagens com conteúdo desrespeitoso e perturbador, incluindo menções a sequestro e falas de cunho sexual explícito”, disse.
A estudante afirmou ainda que o episódio gerou medo prolongado. “Fiquei com medo de pegar o mesmo ônibus que ele”, relatou.
Uma estudante de 19 anos, de outra instituição de ensino superior, disse que o contato começou após aceitar o pedido de seguir em uma rede social. Segundo ela, em poucos minutos o suspeito passou a curtir fotos com foco no corpo e enviar mensagens. “Ele me mandou mensagem falando até sobre o meu corpo, disse que eu era ‘o sonho dele’ e que a gente ainda ia namorar”, contou.
Outra vítima relatou que recebeu mensagens com teor sexual ao longo de meses. “Ele respondia meus stories pedindo para ver fotos íntimas e fazendo comentários explícitos”, contou.
Segundo ela, após deixar de segui-lo, recebeu um vídeo íntimo no dia do aniversário. “Ele tinha mandado um vídeo se tocando e disse que era meu presente de aniversário”, afirmou. A vítima disse que denunciou o conteúdo à plataforma e bloqueou o perfil.
Além das denúncias de importunação sexual, uma pessoa afirmou ter sido agredida fisicamente durante uma viagem acadêmica em julho de 2025. “Quando tentei conversar sobre o comportamento estranho, ele se irritou e deu um soco na minha cara”, relatou.
Ainda de acordo com esse depoimento, o suspeito apresentava comportamento considerado estranho durante a viagem. “Durante a viagem, ele falava coisas desconexas, coisas sem sentido”, disse.
No início da semana, três das vítimas foram à Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam I), na Asa Sul, onde registraram boletim de ocorrência pelos crimes de importunação sexual e lesão corporal.
O suspeito é apontado pelas vítimas como autor das abordagens. Segundo os relatos, ele seria aluno da graduação a distância em história do IESB. A reportagem tentou contato com o homem, mas não obteve retorno até o fechamento da matéria.
Em nota ao Correio, o IESB afirma que “até o momento, não houve qualquer registro formal em nenhum dos canais oficiais de denúncia relacionados aos fatos mencionados”.
O IESB também reforça que a inexistência de registro formal não impede a adoção de providências institucionais em caso de confirmação das acusações.
A Universidade de Brasília (UnB) se solidarizou com as estudantes envolvidas e repudiou qualquer forma de assédio e violência. "A instituição segue comprometida com a construção de uma sociedade segura, acolhedora e respeitosa", afirmam em nota.
Nota do IESB na íntegra
A Instituição esclarece que, até o momento, não houve qualquer registro formal em nenhum dos canais oficiais de denúncia relacionados aos fatos mencionados. Não obstante, destaca que a inexistência de registro formal não impede, em nenhuma hipótese, a adoção de providências institucionais, em caso de confirmação das acusações.
O IESB dispõe de estrutura institucional específica para apuração de condutas incompatíveis com as normas acadêmicas, por meio da instauração de Processos Administrativos Disciplinares (PAD) e outros procedimentos investigativos, conduzidos por comissões regularmente designadas, com observância rigorosa dos princípios do contraditório e da ampla defesa.
Paralelamente, a Instituição mantém canais permanentes de acolhimento e escuta, como a Ouvidoria, acessível a toda a comunidade acadêmica e ao público externo, garantindo confidencialidade, seriedade na apuração e encaminhamento adequado das demandas.
O IESB reitera que não tolera qualquer forma de assédio, discriminação ou violência, atuando de maneira preventiva, educativa e repressiva, em consonância com a Constituição Federal, com a legislação infraconstitucional e com seus normativos internos.
Nota da UnB na íntegra
A Universidade de Brasília (UnB) se solidariza com as estudantes envolvidas e repudia qualquer forma de assédio e violência. A instituição segue comprometida com a construção de uma sociedade segura, acolhedora e respeitosa.
A UnB oferece acolhimento e acompanhamento psicológico por meio da Diretoria de Atenção à Saúde da Comunidade Universitária (DASU). O atendimento pode ser buscado presencialmente ou pelo e-mail: coapsicossocial@unb.br. A Universidade também ressalta a importância de que situações como essas sejam encaminhadas às autoridades competentes, para a devida apuração.

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