Crime

Homem que atirou em vizinho por causa de vaga de estacionamento é preso

Autor dos disparos contra vizinho após discussão por vaga de estacionamento em Vicente Pires se apresentou à polícia, foi preso durante interrogatório e responderá por tentativa de homicídio. Vítima segue em coma e entubada no Hospital Regional de Taguatinga (HRT)

O homem de 47 anos que baleou um vizinho durante uma discussão por vaga de estacionamento em Vicente Pires foi preso, nesta terça-feira (19/5), após se apresentar à 38ª Delegacia de Polícia (Vicente Pires) para prestar depoimento. A vítima, um homem de 39 anos, permanece internada em estado gravíssimo, em coma e entubada no Hospital Regional de Taguatinga (HRT). Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), o autor responderá por tentativa de homicídio.

O crime ocorreu na manhã de segunda-feira (18/5), na Colônia Agrícola Samambaia. Conforme informações preliminares da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), a discussão começou após um desentendimento envolvendo veículos estacionados em uma rua estreita da região. Durante a briga, o homem efetuou ao menos três disparos contra o vizinho.

Após os tiros, ele fugiu antes da chegada da PMDF e passou a ser procurado pelas forças de segurança. Ontem, compareceu espontaneamente à delegacia para ser interrogado. Segundo o delegado Diogo Carneiro, responsável pelo caso, o mandado de prisão foi expedido enquanto o homem prestava depoimento.

"Ele se apresentou espontaneamente para o interrogatório. Quando chegou à delegacia, ainda não havia mandado de prisão expedido. Durante o procedimento, após a finalização do depoimento, a Justiça decretou a prisão", explicou o delegado do caso, Diogo Carneiro.

A vítima foi socorrida em estado grave e encaminhada ao HRT. Com a piora no quadro clínico, precisou ser entubada e segue internada sob cuidados intensivos. Familiares acompanham a evolução médica.

De acordo com a PCDF, o autor havia sido alvo de ocorrência anterior por ameaça envolvendo o mesmo contexto de conflito entre vizinhos. Moradores da região relataram que os desentendimentos envolvendo estacionamento e circulação de veículos eram recorrentes.

Mediação rígida

Especialista em segurança pública pela Universidade Católica de Brasília (UCB), o policial militar Paulo Sérgio avalia que o histórico de atritos deveria ter provocado uma atuação mais incisiva do poder público. "Já havia uma apuração anterior envolvendo as partes. Era necessário chamar os envolvidos, tentar um acordo e impedir que a situação evoluísse", afirmou. Na avaliação dele, a ausência de medidas mais rígidas pode contribuir para o agravamento de conflitos aparentemente banais. "Se houvesse uma atuação mais firme, mostrando consequências para novas ameaças e agressões, talvez o desfecho não fosse tão trágico", completou.

Paulo Sérgio também ressaltou a importância da mediação em conflitos de convivência. "Todo conflito precisa de um mediador com autoridade e competência para ouvir os lados e construir consenso. Sem isso, pequenas discussões podem acabar em vias extremas", disse.

Outro ponto levantado após o crime é a situação legal do armamento utilizado pelo autor, que possui registro de CAC (caçador, atirador e colecionador). O advogado criminalista Adilson Valentim explicou que pessoas registradas nessa categoria precisam manter "idoneidade moral" para conservar a autorização e o acesso às armas de fogo.

"Em regra, quando há ocorrência policial envolvendo um CAC, pode ser instaurado procedimento administrativo para suspensão ou cassação do registro. O simples fato de responder a um inquérito policial já pode ensejar a perda dessa idoneidade", explicou.

Segundo Valentim, caso a investigação confirme que a arma utilizada era vinculada a registro CAC, o delegado responsável poderá comunicar imediatamente a ocorrência à Polícia Federal, órgão que atualmente administra os registros de atiradores, caçadores e colecionadores no país.

O advogado também afirmou que o homem poderá responder por disparo de arma de fogo em via pública e porte ilegal de arma, além da tentativa de homicídio já investigada pela polícia.

Em fevereiro deste ano, o empresário Adriano de Jesus, de 50 anos, foi morto a tiros em Samambaia após uma discussão semelhante com um vizinho. Familiares relataram, à época, que os conflitos na região também eram antigos e recorrentes.

 


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