
A mobilidade urbana está passando por um intenso processo de reestruturação e modernização com os veículos elétricos. Além dos carros, as motos elétricas também têm ganhado espaço nas garagens dos brasilienses. Segundo um levantamento do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF), em 2026, há 604 motocicletas elétricas em circulação no DF, além das bicicletas, scooters e patinetes.
Apesar do número parecer baixo, o setor segue otimista com a adesão do brasiliense. Para Adriana Gonçalves, gerente da loja Capital Moto Elétrica, em Taguatinga, o público está engajado em procurar novas formas de locomoção. "Muitas pessoas vêm até a loja para procurar opções mais baratas. Este ano, tivemos nosso recorde de procura e de vendas de veículos elétricos", afirmou. A lojista comenta que os clientes estão preferindo um veículo mais leve e que não tenha tanto gasto em manutenção, além de ser não poluente.
Com a alta do preço do combustível e a facilidade na manutenção desses veículos, essa opção tem se tornado mais viável para os motociclistas. Adalberto Mesquita, 50 anos, entrou no mundo dos veículos elétricos de vez há três anos, quando adquiriu um carro da BYD. Há pouco mais de um mês, ele adquiriu o segundo veículo elétrico, uma moto Modelo Watz W160. Para ele, a economia foi a principal vantagem. "Com o carro, eu vi que a economia era muito boa. Eu vendi meu carro a combustão para comprar a moto e evitar essa despesa com combustível", disse. Segundo o empresário, ele consegue economizar R$ 500 por mês, uma vez que só vai da casa para o trabalho.
Orgulhoso da nova aquisição, ele acredita que o investimento valeu a pena. "Eu paguei R$17 mil nela (moto) e até agora está valendo muito a pena", disse Adalberto. Sobre a economia, ele tem como base seu carro, que consegue carregar toda a bateria por apenas R$ 40. "A bateria do meu carro é bem maior e eu pago pouco. Para a moto é bem menor que isso, cerca de R$ 10. Então vale muito a pena", acrescentou.
Dúvidas comuns
Ao chegar na loja, os clientes possuem algumas dúvidas, principalmente sobre a autonomia do veículo. Adriana explica que cada modelo e cada tipo de moto elétrica possui suas vantagens e desvantagens. "Há modelos que têm uma amperagem maior que a outra, que vai interferir também na potência e autonomia. Então, sempre orientamos os clientes a escolher de acordo com o trajeto que fazem, para escolher um modelo que o atenda bem", disse.
Com a nova tecnologia, dúvidas sobre a manutenção podem surgir. O crescimento desse tipo de veículo também faz com que o número de oficinas especializadas aumente. Na Rua 8 de Vicente Pires, a recém-inaugurada Mobility Scooters oferece assistência técnica especializada para motos, scooters e autopropelidos (patinetes).
O dono da loja e mecânico Rodrigo "Pops" Trindade está no mercado desde 2019. Ele comenta que o segmento está se consolidando e crescendo a cada dia. "Antes, as pessoas encaram esse tipo de veículo como brinquedo, mas o setor foi evoluindo e cada vez chegando equipamento mais moderno, as pessoas foram encarando com mais seriedade e se interessando mais nesses veículos", afirmou.
Para os clientes, a manutenção sai ainda mais barata. Sem troca de óleo, motor que se desgasta pouco e com foco maior em prevenção do que correção, os reparos se tornam pontuais. "Esse tipo de veículo roda mais sem precisar trocar muitas peças. Geralmente, é feita a troca apenas das pastilhas de freio e de outras peças que podem dar problema", explicou Trindade. Uma das partes fundamentais de um veículo elétrico é a bateria. Essa peça possui uma vida útil de até seis anos, dependendo do uso e das recomendações do fabricante.
Um dos problemas que os clientes encontram ao procurar oficinas do segmento é a falta de estabelecimentos que ofereçam um serviço especializado. Por outro lado, Rodrigo também encontra dificuldades em encontrar mão de obra para realizar os serviços. "Eu aprendi a mexer sozinho. Até hoje é difícil encontrar cursos presenciais aqui em Brasília. Em São Paulo e no Rio existem, mas ensinam só o básico", disse.
Apesar de não possuir tanta formação técnica disponível, o serviço é fácil de se aprender. "Temos muitos macetes, típicos da profissão mesmo, e a expertise você consegue no dia a dia mesmo. Mas realmente é difícil encontrar um curso que ensine os caminhos da profissão", explicou.
Adalberto também percebeu essa dificuldade em encontrar assistência técnica. Segundo ele, baterias são encontradas com facilidade, mas peças de motor podem ser mais difíceis. "Apesar da minha moto ter sido fabricada aqui, no Brasil, não é fácil encontrar lojas espalhadas no Brasil, principalmente no DF. Se der problema, vou ter que comprar uma peça de outro estado", comentou.
Por ser elétrico, o temor por receber uma descarga elétrica pode permear os pensamentos dos novos motociclistas. Apesar do medo, o risco é quase nulo. "Como a amperagem da bateria é muito baixa, o risco é praticamente inexistente", explica Rodrigo Trindade.
Diferença entre veículos
Na categoria de veículos elétricos sobre duas rodas há três categorias: Autopropelidos, Ciclomotores e Motos/motonetas. Os autopropelidos reúnem veículos como patinetes, skates e monociclos que podem atingir até 32 km/h, de fábrica, e que também contem com um motor com potência até 1.000 W (Watts). Não é necessário emplacamento nem Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para conduzir esses veículos.
Já os ciclomotores são veículos de duas ou três rodas que possuem velocidade de 32 km/h até 50 km/h. Nesses veículos, o motor ultrapassa a potência de 1000 Watts e pode atingir até 4000 W. Por lei, exigem que o condutor tenha CNH Categoria A ou ACC (Autorização para Conduzir Ciclomotor), além de registro e emplacamento obrigatórios.
As motos, por sua vez, são os veículos de duas rodas que ultrapassam os limites de ciclomotor, com porte e desempenho de moto comum. Há modelos no mercado que ultrapassa os 100 km/h. O motor tem uma potência superior a 4.000 W. Por ser equiparada às motos a combustão, é obrigatório registro, emplacamento, uso de capacete e CNH Categoria A.

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