CRIME

Quadrilha movimentou R$ 1,4 bilhão em furto de cobre e notas fiscais falsas

Operação da Polícia Civil (PCDF) mira dois grupos criminosos ligados à receptação de cabos furtados, lavagem de dinheiro e fraude tributária

Quadrilha movimentou R$ 1,4 bilhão em furto de cobre e notas fiscais falsas -  (crédito: PCDF/Divulgação)
Quadrilha movimentou R$ 1,4 bilhão em furto de cobre e notas fiscais falsas - (crédito: PCDF/Divulgação)

Um esquema criminoso que movimentou mais de R$ 1,4 bilhão em notas fiscais fraudulentas e teve uma empresa de fachada com movimentação superior a R$ 1,8 bilhão em apenas 11 meses é alvo da Operação Ecossistemas do Cobre, realizada nesta quinta-feira (25/6) pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). Os suspeitos atuavam por meio de uma cadeia estruturada voltada à receptação, comercialização e regularização fraudulenta de cobre de furtos de cabos na capital.

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A ação coordenada pela Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Ordem Tributária (Decor) cumpre 26 mandados de busca e apreensão no DF, Minas Gerais, Tocantins e Paraná. Além disso, foi determinado o sequestro de bens, direitos e valores dos envolvidos que somam R$ 239,2 milhões. Segundo a corporação, ao todo, 45 policiais civis do DF participam da operação, com apoio das polícias civis de Minas Gerais e Tocantins.

O crime era cometido por dois núcleos distintos que atuavam de forma unida dentro da mesma cadeia do cobre. O primeiro grupo era responsável pela receptação e comercialização de cobre orindo do furtos de cabos. O segundo operava um sistema de fraude tributária por meio de empresas fictícias, emissão de notas fiscais sem lastro e geração de créditos tributários fraudulentos.

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As apurações identificaram que pessoas físicas e jurídicas ligadas ao comércio de sucatas e reciclagem de metais receberam mais de R$ 45,5 milhões de uma empresa de fachada com sede em Tocantins, em menos de um ano. Os pagamentos teriam sido realizados sem qualquer documentação fiscal que justificasse as transações.

Modus operandi

A investigação revelou a existência de 21 empresas conhecidas como “noteiras”, todas registradas em nome de laranjas no DF. De acordo com a PCDF, essas empresas não possuíam estrutura física, funcionários ou contas bancárias, no entanto, emitiram mais de R$ 1,4 bilhão em notas fiscais para uma única empresa de fachada localizada em Tocantins.

Quadrilha movimentou R$ 1,4 bilhão em furto de cobre e notas fiscais falsas
Quadrilha movimentou R$ 1,4 bilhão em furto de cobre e notas fiscais falsas (foto: PCDF/Divulgação)

Os documentos fiscais tinham duas finalidades principais dentro do esquema, entre elas, dar aparência de legalidade ao cobre adquirido e posteriormente comercializado para empresas de outros estados, além de gerar créditos tributários fraudulentos por meio da circulação sucessiva das notas fiscais entre empresas ligadas à organização.

Em um dos casos identificados pelos investigadores, uma única empresa emitiu 63 notas fiscais em apenas um dia, movimentando mais de R$ 72 milhões. Outra registrou mais de R$ 80 milhões em documentos fiscais em um intervalo de apenas dois dias.

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A empresa de fachada tocantinense exercia papel central no esquema. Entre 2023 e 2024, movimentou mais de R$ 1,8 bilhão em contas bancárias, recebeu mais de R$ 1,4 bilhão em notas fiscais emitidas pelas empresas fictícias e transferiu R$ 45,5 milhões para receptadores e comerciantes de cobre no DF. A investigação também identificou repasses de dezenas de milhões de reais para pessoas sem capacidade financeira compatível, o que indicou a lavagem de dinheiro.

De acordo com a corporação, outro dado que chamou a atenção foi o saque de mais de R$ 25,5 milhões em espécie realizado pelo operador da empresa. O faturamento presumido do empreendimento também apresentou crescimento considerado incompatível com uma atividade regular, saltando de cerca de R$ 185 mil em janeiro de 2021 para R$ 430,4 milhões em maio de 2022.

As investigações apontam que uma grande empresa metalúrgica de Minas Gerais era a principal destinatária das notas fiscais emitidas pela empresa de fachada, concentrando mais de 73% dos documentos. Somente em 2021 foram identificadas 212 notas fiscais destinadas à companhia, totalizando aproximadamente R$ 97,1 milhões.

Comércio

O inquérito também detalha o funcionamento do mercado clandestino de cobre furtado. A chamada “limpeza do cobre”, que consiste na retirada da cobertura plástica dos cabos por meio da queima dos fios, era utilizada para aumentar o valor de revenda do metal e eliminar marcas que poderiam identificar a origem do material furtado.

Em agosto de 2024, o chamado “cobre mel”, considerado mais puro, era comercializado por cerca de R$ 43 o quilo, enquanto o cobre misto ou queimado era vendido por aproximadamente R$ 41. Já o cobre reconhecidamente oriundo de furtos era negociado entre R$ 28 e R$ 30 o quilo. Em uma das negociações monitoradas pela polícia, um receptador chegou a pagar R$ 42,50 por quilo para garantir a exclusividade na compra da carga.

De acordo com a PCDF, os investigados poderão responder por organização criminosa, crimes tributários, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica, de acordo com a participação individual de cada um no esquema.

 

Desmantelada organização criminosa que fraudou mais de R$ 5 milhões via PIX

https://www.correiobraziliense.com.br/cidades-df/2026/06/7448590-homem-e-preso-por-aplicar-o-golpe-da-falsa-assistencia-tecnica.html

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DC
postado em 25/06/2026 14:56
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