CB.PODER

Conheça os programas de acesso ao crédito do Sebrae para microempresas e startups

Valdir Oliveira, gerente de Capitalização e Serviços Financeiros do Sebrae Nacional, explica o funcionamento de programas que apoiam pequenos negócios e comentou a crise do BRB

Por Manuela Sá*

Programas para ajudar empreendedores foram tema, nesta quarta-feira (3/6), do programa CB.Poder  — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília —, que teve a participação do gerente de Capitalização e Serviços Financeiros do Sebrae Nacional, Valdir Oliveira. Na entrevista à jornalista Samanta Sallum, ele detalhou o Acredita Sebrae, que, desde 2024, viabilizou mais de R$ 14 bilhões de crédito para pequenos negócios, e o Fundo Sebrae Germina, pensado para ampliar o acesso de startups ao capital de risco. Oliveira também repercutiu a crise no Banco de Brasília (BRB).  

Como está o programa Acredita Sebrae, que apoia microempreendedores no acesso ao crédito? 

Por meio dele, a gente traz uma filosofia diferente, porque a gente entende o crédito como um remédio. Ele tem que ser dado na quantidade certa para ajudar o paciente. Muitas vezes, quando você erra na dosagem, você coloca em risco a vida do paciente. Fazendo um paralelo com a realidade, o que a gente tem hoje que é muito comum? Tanto pessoa física quanto pessoa jurídica são muito estimuladas ao crédito pelo limite que o banco oferece. Quantas vezes você já não recebeu pelo celular um comunicado do banco oferecendo um limite de crédito. Com as empresas, acontece a mesma coisa. Você acaba estimulando as empresas a tomarem uma decisão de tomar crédito sem elas saberem se precisam.

Isso pode criar um endividamento maior do que a capacidade do empreendedor, não é?

Exatamente. Porque, às vezes, a pessoa pega um crédito que ela não precisa. Ela acaba se enrolando, se endividando, porque o crédito entra e tem que ser pago. O endividamento traz um problema de sustentabilidade para o negócio. Por isso, o programa Acredita Sebrae traz o jeito certo de fazer o crédito, que é o assistido. É com base na necessidade de crédito que empreendedor pode optar pela melhor linha. Precisa se encaixar no negócio dele. 

Há o programa Germina Sebrae. Como ele está fomentando as startups brasileiras? 

Há um modelo de negócio que não se encaixa no crédito. É importante entender qual é a diferença entre o crédito e aquilo que a gente chama de capital de risco. Naquelas empresas mais tradicionais, o modelo de crédito tradicional se encaixa bem, porque o risco é adequado para que uma perda ou inadimplência fiquem dentro de uma conta sustentável. É uma perda menor. O que é startup? Alguém que tem uma ideia, uma solução para resolver o problema de alguém. Com crédito tradicional, você trabalha muito com indicadores, com análise, com projeções. Nas startups, é a agilidade que manda. Muitas vezes, é a tentativa e erro que faz com que eu encontre a solução adequada. Isso faz com que a perda seja muito grande. O empreendedor precisa de alguém que tenha condição para suportar os erros. Porque você investe um, investe e em outro. Um que dá certo, acaba compensando todos os outros. Por quê? Porque você não empresta, você compra uma parte da ideia. Esses fundos são especializados em adquirir esse ativo. Parte do que é investido é comprando ações dessa empresa. (...) No ano passado, lançamos o Fundo Germina, um fundo do Sebrae. Nós iniciamos com R$ 100 milhões. O Sebrae São Paulo está colocando mais R$ 100 milhões. Neste ano, queremos colocar mais um volume de recursos, porque a nossa projeção é chegar a um montante de R$ 500 bilhões para que esse seja o maior fundo de capital de risco para pequenos negócios da América Latina. Esse fundo vai atrás de outros que operam com essas startups, porque a gente tem a intenção de fomentar esse mercado. Já temos três fundos operando conosco e 17 startups já receberam recursos nossos. (..) Então, essa é a ação do Sebrae. Aquele pequeno empreendedor, que tem uma ideia boa, que tem vontade, que tem disposição, ele conta com a garantia de crédito para ajudar o seu negócio ou com o nosso fundo de capital de risco. A nossa missão é sermos cúmplices do sonho dos empreendedores brasileiros. 

O senhor foi secretário de Desenvolvimento Econômico do Distrito Federal em gestões anteriores. Como avalia o que aconteceu dentro do BRB e seus desdobramentos? 

A gente precisa separar essa conversa do BRB enquanto banco público e enquanto banco que tem impacto no sistema financeiro. (…) Agora, o que aconteceu com o BRB? Temos dois problemas. Um é de liquidez e o outro é patrimonial. Um problema de liquidez porque o banco vive de dinheiro. Ele é obrigado a equalizar taxa e tempo do que ele pega e do que ele empresta. Se falta, para ele, mercadoria, ele começa a ter um problema de liquidez, ele quebra o banco. Parece que estão resolvendo esse problema. Parece que a fuga de capitais estaria no processo de voltar. O BRB, até hoje, não soltou balanço. A gente não conhece nada, mas as informações que a gente vê do presidente atual (Nelson de Souza), da governadora do Distrito Federal (Celina Leão), é que esse assunto estaria equalizado. O outro problema é patrimonial. Como ele vai ter que incorporar um prejuízo fruto desse desvio? Por que o BRB vai ter um prejuízo? Porque teve aplicação de forma errada. Compraram ativos que não deviam. Prejuízos dos quais a Polícia Federal está cuidando. Não é debate político, é a polícia que está cuidando disso.

*Estagiária sob a supervisão de Malcia Afonso

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