A técnica de enfermagem Amanda Rodrigues de Sousa, 29 anos, negou participação nas mortes investigadas na UTI de um hospital particular do Distrito Federal durante interrogatório realizado nesta segunda-feira (8/6), no Tribunal do Júri de Taguatinga.
Em um dos momentos mais emocionados do depoimento, Amanda afirmou que esperava que o outro acusado, Marcos Vinícius, assumisse a responsabilidade pelos fatos investigados e disse que sua vida foi profundamente afetada pelo caso.
“Ele destruiu a minha vida. Destruiu a vida da minha família e também a vida da outra acusada”, declarou.
Ao longo do interrogatório, Amanda sustentou que não participou dos crimes nem auxiliou qualquer ação que pudesse causar a morte dos pacientes.
“Não participei. Não auxiliamos. A gente não sabia o que estava acontecendo ali”, disse.
A acusada também relatou que enfrenta ameaças e julgamentos desde a prisão. Segundo ela, sua versão dos fatos não tem sido ouvida.
“Hoje eu faço o grito do inocente. Estou tentando pedir socorro”.
Em outro trecho do depoimento, Amanda afirmou que passou a ser vista como culpada antes mesmo de um julgamento. “Eu sou tratada como assassina, como um monstro”, declarou.
A técnica falou sobre o impacto das acusações em sua família. Segundo ela, o pai se culpa por ter incentivado sua formação profissional e familiares tiveram projetos interrompidos em razão da repercussão do caso.
Ao defender sua trajetória, Amanda ressaltou que nunca respondeu a processos nem recebeu punições disciplinares em sua carreira.
O depoimento foi marcado por momentos de emoção e pela reafirmação da tese de inocência sustentada pela defesa ao longo do processo.
Relembre o caso
A investigação que chocou o DF teve início na véspera do Natal de 2025, após a Comissão de Óbitos do Hospital Anchieta identificar inconsistências e indícios de homicídio nos leitos da UTI. Auditorias internas cruzaram prontuários médicos e registros de câmeras de segurança, flagrando movimentações suspeitas do trio. A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio da Coordenação de Repressão a Homicídios e Proteção à Pessoa (CHPP), deflagrou a operação que resultou na prisão temporária dos suspeitos em janeiro deste ano.
Segundo as investigações, Marcos Vinícius era o responsável por injetar as substâncias letais sem prescrição. Inicialmente, ele negou os fatos, mas confessou a conduta após ser confrontado com os vídeos que o mostravam utilizando o computador médico para obter acesso ao sistema e aplicando os fármacos. À época, os delegados do caso destacaram a frieza dos investigados diante das imagens.
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