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MANIFESTAÇÃO

Servidores protestam no Buriti contra acordo do BRB e cobram transparência

Profissionais da educação, saúde, assistência social e representantes de movimentos sociais afirmam que empréstimo para socorrer o BRB pode comprometer investimentos em serviços públicos pelos próximos anos

Professores, orientadores educacionais, profissionais da saúde, servidores da assistência social e representantes de movimentos sociais se reuniram na manhã desta quinta-feira (11/6), em frente ao Palácio do Buriti, para protestar contra o acordo firmado pelo Governo do Distrito Federal (GDF) para viabilizar o empréstimo de R$ 6,6 bilhões ao Banco de Brasília (BRB). Os manifestantes alegam falta de transparência no processo e temem que as contrapartidas fiscais previstas afetem áreas essenciais, como saúde, educação e assistência social.

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O ato foi convocado inicialmente pelo Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF), mas ganhou adesão de diferentes categorias do funcionalismo público. Cartazes, faixas e palavras de ordem marcaram a mobilização, que teve como principal pauta a defesa dos serviços públicos e a revisão da medida aprovada pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).

Pedagoga orientadora da Secretaria de Educação, Joice Naves, 42 anos, afirmou que o impacto do acordo poderá atingir não apenas os servidores, mas toda a população que depende da rede pública.

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“Está sendo utilizado um valor que tem a ver com reajustes de salário e investimentos nas políticas públicas. Todos os servidores da educação, da saúde, da segurança, da assistência social e até a população do Distrito Federal vão pagar essa conta. Sem dinheiro, não tem como fazer funcionar hospitais, escolas, CRAS e todos os aparatos públicos”, afirmou.

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Segundo Joice, o movimento pede que o governo reveja a utilização dos recursos. “Quem vendeu esses ativos não foi a população. A população não tem que pagar essa conta”, acrescentou. Diretor do sindicato dos servidores da assistência social, Igor Chianca, 44 anos, destacou que a mobilização também reúne categorias insatisfeitas com o descumprimento de acordos firmados pelo governo.

“Nós estamos aqui para defender o Distrito Federal. Já existia um rombo apontado pelo Tribunal de Contas. A gente não sabe quais serão os juros desse acordo para salvar o BRB, quais serão os prazos, não foi divulgado o balancete do BRB e não foi apresentado um plano de contingenciamento”, disse.

De acordo com ele, a preocupação é que os impactos financeiros comprometam o orçamento público nos próximos anos. “Os próximos governos poderão enfrentar dificuldades por conta desse comprometimento das contas públicas”, afirmou.

A presidente da Associação Brasileira de Enfermagem no Distrito Federal (Aben-DF), Karine Rodrigues Afonseca, 38 anos, afirmou que a saúde pública já enfrenta dificuldades estruturais e teme que o cenário se agrave. “Hoje a Secretaria de Saúde funciona com déficit de cerca de 25 mil servidores. As unidades estão sucateadas e a população sente isso diariamente. Não tinha como ficar em casa diante de um processo que, na nossa avaliação, representa 15 anos sem perspectiva de melhora para o sistema público de saúde”, declarou.

Karine também afirmou que a mobilização busca demonstrar ao governo a insatisfação dos servidores. “Queremos que o governo entenda que não tem o apoio dos profissionais da saúde, da educação e da assistência social para essa medida”, completou. Até o momento, o GDF sustenta que o acordo é necessário para garantir a estabilidade financeira do BRB e preservar o sistema bancário local.

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press -
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