A classificação do Brasil para as oitavas de final da Copa do Mundo foi suada. Após um jogo tenso e equilibrado contra o Japão, a Seleção Brasileira venceu por 2x1 com um gol de Gabriel Martinelli já nos acréscimos, aos 51 minutos do segundo tempo. O lance levou a torcida brasiliense, nos bares e pontos de transmissão, ao delírio nessa segunda-feira (29/6).
No Boteco Caju Limão do Sudoeste, a virada no final do jogo trouxe alívio. Em uma mesa com seis amigas, a servidora pública Heloiza Britto, 40 anos, admitiu que a angústia a fez apostar contra a Seleção. "Senti muita aflição. Eu pensei que a gente não fosse passar", afirmou. Ao seu lado, a bióloga Rafaela Gomes, 40, criticou o tempo extra dado pela arbitragem, mas celebrou a vaga garantida, comemorando ao som de pagode. "O juiz deu minutos além da conta, mas foi muito bom estar cercada de amigos pé-quente", celebrou.
No Fausto & Manoel, no Sudoeste, a aposentada Maria das Graças Gontijo, 74, chamou a atenção totalmente paramentada, ao lado de amigas da academia. Com a bagagem de quem viu os cinco títulos mundiais do país, ela relembrou a emoção da conquista de 2002 e cravou a vitória. "Se depender de mim, o hexa vem", disse ela, vestida com bandeiras, chapéu verde-amarelo e pulseiras.
Roni Taveira, 51 anos, e Elisângela Fernandes, 45, passaram nervoso durante a partida do Brasil contra o Japão. “Foi um jogo muito difícil. Eu esperava que o Japão fosse jogar bem fechado, essa defesa dificultou muito o nosso jogo”, disse Roni.
O servidor público espera enfrentar a Costa do Marfim, mas também se mostra confiante para um provável confronto contra o time liderado por Erling Haaland. “A entrada do Endrick e do Martinelli mudou o jogo. Se continuar com essas mudanças, pode vir Costa do Marfim ou Noruega que a gente ganha do mesmo jeito.”
A amiga de Roni aposta na esperança na jornada até o hexa. “Não podemos nunca deixar de ter esperança. É pensamento positivo até o final”, destacou. Aliviada com a virada nos acréscimos, Elisângela escolheu Gabriel Martinelli, autor do gol da vitória, como seu jogador favorito. “É um sentimento enorme de gratidão pelo jogo de hoje. O Martinelli foi o herói dessa virada”, disse.
O diplomata Fabiano Dias, 24, acompanhou a vitória do Brasil na embaixada do Japão e destacou a emoção da partida. "Foi muito emocionante. Aqui tinha um clima parecido com o do estádio, com as duas torcidas. De qualquer jeito, ninguém saiu totalmente triste", afirmou.
Fabiano contou que viveu momentos de tensão durante o empate e lembrou da eliminação brasileira para a Croácia em uma Copa anterior. "Foi muito tenso, especialmente no primeiro tempo. As duas seleções alternavam o domínio do jogo o tempo todo. A gente já sofreu uma virada da Croácia que levou a decisão para os pênaltis, então foi bom viver essa mesma emoção, só que do lado certo desta vez", disse. Confiante para a sequência da competição, ele aposta na campanha brasileira: "Acho que este ano o hexa vem. Estou confiante agora".
Desempenho
O jogador Rafael Rodrigues, capitão da seleção brasileira de futsal, acompanhou a partida no Quintal da Tia Sandra, no Sudoeste, e se queixou da falta de efetividade nos ataques da equipe treinada pelo italiano Carlo Ancelotti. "O Brasil entrou bem taticamente, mas o Japão, devido à linha defensiva, tem vantagem numérica em cima do ataque brasileiro", disse Rodrigues.
A torcida pelo Brasil teve participação ilustre do pequeno Henry Rodrigues, de 9 meses. Filho do jogador Rafael, Henry estava trajado com o manto canarinho e animado para acompanhar sua primeira Copa do Mundo com esperança pelo hexa. “É muito importante levá-lo para acompanhar os jogos da Seleção. É bom, porque isso vai criando vivências e memórias na criança”, afirmou o pai de Henry.
Para o estudante de economia Marcelo Acácio, 27 anos, o desempenho da Seleção Brasileira ainda está abaixo do esperado. Ele acredita que a equipe tem potencial, mas precisa evoluir em aspectos táticos. "Achei que seria um jogo mais difícil. Os últimos jogos mostraram que o Brasil ainda tem muito o que melhorar na marcação e no ordenamento. O lado direito tem uma dificuldade enorme de desempenhar. O primeiro tempo começou bem, mas ainda há pontos para corrigir", avaliou.
Frequentador do Bar do Mendes, na Asa Norte, Marcelo escolheu o local para acompanhar a partida ao lado dos amigos. Segundo ele, a Seleção vive um momento de transição e precisa de uma nova perspectiva. "Tem potencial, é uma nova fase. Precisa ter um novo olhar. O Ancelotti precisa ter sagacidade", afirmou.
No Bar Pôr do Sol, os amigos Lucas Nery, Matheus Araújo, Léo Valdez e Mateus Rocha, todos de 19 anos, demonstraram confiança no desempenho brasileiro, mesmo com a goleada japonesa. Estudantes de relações internacionais e engenharia de software, eles contam que são amigos desde a época do ensino médio e decidiram assistir à partida no bar mesmo sem planejamento.
"A gente conhecia o bar. Não se programou e achava que estaria vazio", disseram. Para o grupo, o favoritismo brasileiro é claro. "E deu Brasil, diferente do que o que falaram os japoneses", brincaram.
