
O presidente do Partido Socialista Brasileiro (PSB) no DF, Rodrigo Dias, reafirmou nesta quarta-feira (1º/7), durante entrevista ao CB.Poder — parceria entre Correio e TV Brasília —, que o partido mantém a pré-candidatura de Ricardo Cappelli ao Governo do Distrito Federal e trabalha para construir uma frente ampla de oposição ao grupo que hoje comanda o Palácio do Buriti. Entrevistado pelos jornalistas Carlos Alexandre de Souza e Ronayre Nunes, o dirigente também comentou as negociações com o PT e a eventual saída de Michelle Bolsonaro da disputa ao Senado. Para ele, a ex-primeira-dama enfrenta desgaste baseado em "um projeto misógino", e criticou a condução da saúde pública e a gestão da governadora Celina Leão.
Ao tratar das articulações para 2026, Rodrigo Dias afirmou que o PSB pretende ampliar o diálogo para além dos partidos tradicionalmente alinhados ao campo progressista. Segundo ele, a legenda conversa com nomes de diferentes espectros políticos que fazem oposição ao governo local.
"Acreditamos que precisa reunir o máximo de quadros políticos e de lideranças que têm responsabilidade com a cidade e que têm feito uma oposição programática, uma oposição de projeto de cidade. Temos conseguido bom diálogo com a deputada Paulo Belmonte (PSD). Acredito que ela tem feito um excelente trabalho na Câmara Legislativa (CLDF). Também temos mantido diálogo muito proveitoso com o ex-senador Reguffe", disse.
O dirigente voltou a defender o nome de Ricardo Cappelli para disputar o Palácio do Buriti e argumentou que o ex-presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) reúne condições para liderar uma aliança ampla. "Acreditamos que Ricardo Cappelli é o melhor nome para nos representar nessa corrida, mas temos dialogado com todos os partidos do campo", declarou.
Sobre a relação entre PSB e PT, Rodrigo Dias disse que as conversas seguem em andamento, mas uma candidatura única depende de concessões entre as legendas. "Os partidos precisam ter pé no chão nessa construção. Hoje vemos muita dificuldade de qualquer partido apresentar sozinho uma candidatura majoritária. PT e PSB são dois partidos que governaram o DF. Dos três ex-governadores do campo progressista, temos dois que compõem nossas fileiras. Por isso, achamos legítimo que tenhamos protagonismo nessa chapa”, avaliou.
Ao abordar as principais bandeiras do partido, Rodrigo Dias apontou a saúde pública como o maior desafio do Distrito Federal. O presidente do PSB criticou o modelo de gestão adotado pelo atual governo e afirmou que a população enfrenta dificuldades crescentes para conseguir atendimento. "Hoje, a grande bandeira é a saúde pública. O Distrito Federal tem um dos maiores orçamentos per capita do país, mas a população enfrenta filas enormes e dificuldades para atendimento."
Ele também criticou o modelo de gestão do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde (Iges-DF). "A forma como o governo ampliou esse modelo não tem dado certo. É um modelo falido, que não apresenta resultados concretos para a população. Hoje temos mais de 30 mil pessoas aguardando uma cirurgia e falta médico, enfermeiro e técnico de enfermagem nas unidades."
Disputa
Na entrevista, Rodrigo Dias comentou a decisão de Michelle Bolsonaro de deixar a presidência do PL Mulher e a possibilidade de a ex-primeira-dama não disputar uma vaga ao Senado pelo Distrito Federal. Para o dirigente, a movimentação revela disputas internas dentro do grupo bolsonarista. "O que estão fazendo com Michelle Bolsonaro é claramente um projeto misógino. Ela se tornou uma liderança importante dentro do próprio campo e acabou sendo excluída pela própria família Bolsonaro", afirmou.
Apesar disso, ele acredita que a direita continuará competitiva na disputa ao Senado. "Michelle saindo, muito provavelmente haverá outro candidato que faça parte desse projeto bolsonarista. Não acho que o campo deles perde esse espaço de disputa. Frente a isso, Rodrigo Dias afirmou que o campo progressista precisará ampliar diálogo para conquistar eleitores que não se identificam nem com a esquerda nem com o bolsonarismo. "Se a disputa for apenas entre os dois campos, muito provavelmente não sairemos exitosos. É preciso apresentar candidaturas capazes de dialogar também com o eleitorado de centro", disse.
Na reta final da entrevista, o presidente do PSB fez críticas à gestão da governadora Celina Leão (PP), especialmente na condução das contas públicas do Distrito Federal. Segundo ele, a atual chefe do Executivo não pode se desvincular da administração iniciada por Ibaneis Rocha (MDB-DF) e terá de enfrentar os problemas fiscais acumulados.
"A Celina é muito responsável pela situação fiscal que o Distrito Federal vive hoje. Ela vai ter que fazer um ajuste muito grande porque, inclusive, pela Lei de Responsabilidade Fiscal, ela não pode encerrar o mandato deixando esse volume de dívidas para o próximo governo", observou.
Confira o CB.Poder na íntegra:

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