
Por Manuela Sá* — Nas eleições deste ano, o PSDB deve alcançar, praticamente, a paridade de 50% de candidaturas femininas. Foi o que disse, nesta segunda-feira (6/7), a deputada e pré-candidata do partido ao Governo do Distrito Federal (GDF), Paula Belmonte, em entrevista ao CB.Poder — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília. Em conversa com as jornalistas Ana Maria Campos e Adriana Bernardes, a parlamentar falou sobre a participação feminina na política e defendeu uma maior regionalização do Banco de Brasília (BRB). Ele disse, ainda, que torce para que Reguffe volte para a política.
As ações do BRB caíram mais de 60% desde o dia anterior à prisão de Daniel Vorcaro até hoje. A senhora vê viabilidade no BRB?
Sempre fomos contra essa aquisição do Banco Master, até porque já havia informações de que ele não tinha estrutura para ser sócio do BRB. Quando mostraram que não era só frágil, mas também fraudulento, não foi uma surpresa para nós. A queda das ações do BRB é um problema para todos. Não só para servidores e acionistas, mas para quem depende do banco hoje. O BRB tem a responsabilidade de desenvolvimento econômico da nossa cidade. O banco veio para trazer a oportunidade para crescermos a autonomia financeira. O empréstimo que o GDF contraiu vai ser pago por todos nós, porque isso vai vir do orçamento do Distrito Federal. Além desse empréstimo, é importante que as pessoas entendam que lá atrás também foram colocadas terras em crédito. Há terras que podem ser garantia, avaliadas de forma precária em mais de R$ 11 bilhões. Ficamos preocupados com a viabilidade dessa operação. Acreditamos no BRB, mas acreditamos, também, que a população de Brasília não pode pagar o preço dessa escolha do GDF de comprar créditos fraudulentos do Banco Master.
Se a senhora for eleita, vai rever esse empréstimo?
É importante falar que nós acreditamos na solução do banco, mas a instituição tem que dar alguns passos para trás. À época, falava-se em nacionalização do banco e eu chamo atenção para a real função do BRB. Nós temos o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que visa ao desenvolvimento econômico da nossa nação e temos o BRB para fomentar a pequena economia, trazer oportunidade para os pequenos empresários e para as famílias rurais para que elas possam ter crédito. O banco tentou nacionalizar, levando agências bancárias para várias cidades pequenas, enquanto não temos agência bancária em todas as regiões administrativas do DF. Então, vamos defender esse passo mais firme para trazer a regionalização do banco.
Há algum entendimento para fazer um grande bloco da direita para concorrer ao GDF?
Quero pedir para todos os brasileiros e brasilienses não se dividirem. Temos que nos unir em prol do DF e do Brasil. Então, no DF, tenho trabalhado para unirmos da esquerda à direita pessoas do bem. O que a gente tem que fazer é o combate à corrupção, e fazer com que as pessoas tenham responsabilidade com o dinheiro da população. Esse grupo do bem não vai estar preocupado com direita ou esquerda. Ele vai estar preocupado em olhar com dignidade para a população.
Quando vai ser a convenção do PSDB?
Ela está prevista para o dia 1º de agosto.
O próximo governo terá dificuldades para administrar. Como a senhora imagina que seria possível buscar mais recursos para Brasília?
Essa é uma realidade. Quando se pede empréstimo, a gente deixa o bem em garantia, que é um bem de Brasília. São terrenos que valem muito e que não tiveram a devida avaliação para possível especulação imobiliária. Isso traz uma insegurança para o nosso orçamento. Eu, como presidente da Comissão de Fiscalização e Transparência, vi muito ponto sem nó. Esse governo de agora passou por várias situações de corrupção. Uma delas foi o secretário que estava sendo denunciado pelo Ministério Público. Um dos pontos importantes do nosso governo é o combate à corrupção e a responsabilidade com o dinheiro da população. Nós precisamos fazer uma gestão de qualidade digital e a responsabilidade de trazer a transparência para a população.
Qual é o perfil de um vice ou de uma vice para a sua chapa?
Queremos que a gente tenha cada vez mais mulheres na política. O PSDB fez um trabalho para que a gente pudesse fazer afiliações de muitas mulheres. Vamos praticamente conseguir ter 50% de mulheres candidatas. Estamos conversando com alguns políticos que são importantes para nós, como o Reguffe. Ele trouxe a perspectiva de uma política com responsabilidade, com baixa corrupção e economia para os cofres. Nós vamos estar com esse perfil, o de pessoas que tragam para nós oportunidade de vermos o governo e o orçamento do DF com responsabilidade e boa gestão. Queremos pessoas com perfil tecnológico. Com certeza, nós estaremos com um grupo do bem e um grupo que pensa Brasília de verdade e tem essa representatividade do cuidado humano, mas, principalmente, de valores éticos e de honestidade.
Nos últimos dias, vimos ataques à senadora Damares Alves e à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Como a senhora vê esse processo?
Vejo com muita tristeza. Eu já sofri ataques políticos como procuradora especial da mulher. À época, na Câmara Legislativa, recebemos uma denúncia de assédio moral e sexual. Pedimos para que fosse dada continuidade a isso e fomos atacados. Nós, mulheres, precisamos nos unir em um propósito de liderança e de representatividade. Ainda somos poucas na Câmara Distrital. Temos 24 parlamentares, só quatro mulheres. Na mesa diretora, de sete lugares, só tem eu de mulher.
Reguffe tem mantido sigilo publicamente sobre o que ele vai fazer. O que ele demonstra?
Torço muito que Reguffe volte para a política, volte exatamente para onde ele deseja estar. Se ele vier como senador, é um bom representante para todos nós. Se vier como vice também será uma boa oportunidade para a gente. Reguffe tem propriedade para escolher onde ele vai estar e, para mim, é uma honra tê-lo ao meu lado para que a gente possa mostrar para a população que é possível combater a corrupção e fazer uma boa gestão.
Assista à entrevista
*Estagiária sob a supervisão de Malcia Afonso
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Queremos que a gente tenha cada vez mais mulheres na política. O PSDB fez um trabalho para que a gente pudesse fazer afiliações de muitas mulheres. Vamos praticamente conseguir ter 50% de mulheres candidatas

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