
As ações do Banco de Brasília (BRB) acumulam queda de 62,94% desde que vieram à tona as fraudes envolvendo operações com o Banco Master, investigadas pela Polícia Federal (PF). Em 17 de novembro de 2025, um dia antes da primeira fase da Operação Compliance Zero, os papéis do banco eram negociados a R$ 8,15. Atualmente, segundo a cotação do próprio BRB, cada ação vale R$ 3,02.
Economista e professor da Universidade de Brasília (UnB), César Bergo explicou que o preço das ações reflete a expectativa do mercado em relação ao valor e à capacidade de recuperação da instituição. Segundo ele, a falta de informações financeiras atualizadas aumenta a insegurança dos investidores. “As ações costumam ser negociadas acima do valor patrimonial da empresa. Mas, no caso do BRB, como os balanços não foram publicados, o mercado fica tateando no escuro. As ações refletem essa crise e a tendência é que ainda sofram novas quedas enquanto esse cenário persistir”, afirmou.
Bergo ressaltou que o debate público tem se concentrado no prejuízo estimado das operações com o Banco Master, provisionado em R$ 8,8 bilhões, mas que a perda patrimonial também merece atenção. “As ações despencaram. O mercado observa esse vai e vem das decisões do governo sobre o aporte de capital e a ausência de balanços. Para qualquer analista, isso é um sinal muito negativo, e as ações acabam sendo fortemente penalizados”, destacou.
Na avaliação do economista, a recuperação da confiança dependerá principalmente das decisões do controlador do banco, o Governo do Distrito Federal (GDF). “Há um impasse em relação ao empréstimo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que ainda não foi liberado. O prazo para a capitalização vem sendo sucessivamente prorrogado, sem explicações claras por parte do governo ou da Secretaria de Economia. Embora exista um acordo firmado no Supremo Tribunal Federal, todo esse processo ainda é cercado de incertezas”, alertou.
Relembre o caso
Em março de 2025, o GDF anunciou a intenção de adquirir 49% das ações ordinárias e 100% das preferenciais do Banco Master por R$ 2 bilhões. A operação, no entanto, foi rejeitada pelo Banco Central em setembro do mesmo ano.
Dois meses depois, em novembro, a Polícia Federal deflagrou a primeira fase da Operação Compliance Zero para investigar a suposta venda de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito sem lastro do Banco Master ao BRB. No mesmo dia, a Justiça determinou o afastamento, por 60 dias, do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
As investigações avançaram e, em abril deste ano, Paulo Henrique Costa foi preso preventivamente. Segundo a PF, ele teria autorizado operações com o Banco Master sem garantias suficientes e em desacordo com as regras de governança. O empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Master, também foi preso na terceira fase da operação, em março de 2026. O Banco Central decretou a liquidação da instituição durante o andamento das investigações.
Segundo a Polícia Federal, o BRB realizou operações com o Banco Master, das quais ao menos R$ 12,2 bilhões apresentaram indícios de irregularidades. As perdas comprometeram os índices de capital do banco e levaram a instituição a apresentar, em fevereiro deste ano, um plano de capitalização ao Banco Central.
Para viabilizar essa recuperação, o GDF recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF), que homologou um acordo entre o DF e a União. Pelo entendimento, a União não aportará recursos nem atuará como avalista da operação. O acordo permite que o GDF contrate um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com garantia de um consórcio de grandes bancos e contragarantia dos repasses do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
Apesar de já ter sido aprovado pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), a operação ainda depende da aprovação das instâncias internas do FGC.

Cidades DF
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