
A celebração dos 735 anos da Suíça, realizada nesta quinta-feira (9/7), na residência oficial da Embaixada do país, em Brasília, reuniu autoridades, representantes do corpo diplomático e mais de 400 convidados. Além de marcar o fortalecimento das relações entre Brasil e Suíça, o evento deu protagonismo à gastronomia paraense, preparada por mulheres da Vila da Barca, comunidade ribeirinha da periferia de Belém historicamente marcada pela vulnerabilidade social e que, nos últimos anos, passou a se destacar por projetos de gastronomia, turismo comunitário e empreendedorismo feminino.
Durante o discurso de abertura, o embaixador da Suíça no Brasil, Hanspeter Mock, ressaltou que a parceria com a Associação Comissão Solidária, responsável pelo projeto Roteiro Cozinha Periférica, vai além da formação gastronômica. Segundo ele, a iniciativa contribui para preservar saberes tradicionais da culinária amazônica e ampliar oportunidades para mulheres da comunidade.
"Essa parceria vai muito além de uma simples formação em gastronomia amazônica. Ela contribui para preservar e transmitir um precioso saber ancestral, por meio de receitas tradicionais, e representa um exemplo de cooperação voltada à superação da exclusão social", afirmou.
O diplomata também lembrou que a parceria faz parte do conjunto de ações desenvolvidas pela Suíça durante a preparação para a COP30, realizada em Belém, em novembro de 2025. Segundo Mock, o país decidiu concentrar parte de suas iniciativas na Amazônia em projetos que unissem sustentabilidade, cultura e desenvolvimento social, como o trabalho realizado com as mulheres da Vila da Barca.
A coordenadora do projeto Roteiro Cozinha Periférica, Inês Medeiros, contou ao Correio que a oportunidade surgiu a partir da aproximação com a Embaixada da Suíça durante as ações da COP30. O convite para preparar a entrada e a sobremesa da celebração do Dia Nacional da Suíça representa mais um passo na trajetória de mulheres que encontraram na gastronomia uma fonte de renda e de transformação social.
"Isso mostra o quanto buscar oportunidades e fazê-las acontecer gera resultados significativos, especialmente para essas mulheres, que hoje se tornaram chefs. Elas passaram de uma realidade de sobrevivência para uma condição de autossustentação. Além disso, estamos apresentando um pouco da culinária paraense às pessoas aqui em Brasília", disse.
Para a recepção, elas prepararam dois pratos típicos da culinária paraense: a casquinha de caranguejo como entrada e a sobremesa Maria Isabel, feita com bacuri, fruta nativa da Amazônia.
Mais do que apresentar sabores amazônicos, o grupo levou aos convidados a história da comunidade.
"A gente costuma dizer que não é só o sabor, é contar uma história. Essas mulheres estão contando de onde saíram, mas, principalmente, para onde vão chegar. São mulheres da Vila da Barca que sonham, mas, sobretudo, realizam", concluiu.
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