
Antes da explosão provocada por um vazamento de gás de cozinha (GLP) em um prédio residencial, no Núcleo Bandeirante, nessa terça-feira (28/7), moradores da região disseram sentir o mau cheiro ao passar pela fachada do edifício. "No fim do dia, dava para sentir o cheiro de gás só de passar pela fachada do prédio", contou Maurício Medeiros, morador da região. O estrondo assustou moradores de toda a vizinhança.
Daniel Nazário, que vive em um prédio ao lado, disse que acordou com o impacto da explosão e, por alguns instantes, acreditou que o próprio edifício onde mora havia sido atingido. "Foi desesperador. O estrondo foi tão forte que achei que meu prédio estava caindo", relembrou ao Correio.
Logo após o barulho, ele viu dezenas de moradores deixando o prédio às pressas e acionou imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Conforme relatos de testemunhas, a força da explosão derrubou a parede que separava o apartamento onde ocorreu o vazamento da unidade vizinha. Apesar da destruição, moradores acreditam que o rompimento da estrutura pode ter contribuído para dissipar parte da pressão e das chamas, evitando consequências ainda mais graves.
Segundo testemunhas, o barulho da explosão pôde ser ouvido a cerca de quatro conjuntos de distância do edifício atingido, despertando vizinhos durante a madrugada. Por causa dos danos estruturais provocados pela explosão, a Defesa Civil interditou o prédio após realizar uma vistoria técnica. O imóvel foi evacuado preventivamente, e os moradores precisaram deixar os apartamentos até que novas avaliações determinem as condições de segurança da estrutura.
O acidente deixou um morador em estado grave, feriu outras duas pessoas e levou à interdição dos apartamentos. O incidente ocorreu por volta de 0h30, na SPLM, Conjunto 9. De acordo com relatos de moradores, o ocupante do apartamento onde ocorreu a explosão permanece internado com cerca de 90% do corpo queimado.
O Corpo de Bombeiros do DF informou que a explosão foi no segundo pavimento de uma edificação de quatro andares, composta por um estabelecimento comercial e 21 apartamentos. Os agentes retiraram preventivamente 11 moradores do prédio, que não apresentavam ferimentos aparentes. Duas vítimas receberam atendimento pré-hospitalar e foram encaminhadas a unidades de saúde.
O proprietário do edifício relatou que os próprios moradores conseguiram perceber de qual apartamento vinha o forte odor de gás, mas não localizaram o residente da unidade. "Uma hora o cheiro sumiu, o que fez todo mundo pensar que o problema tinha sido resolvido. Mas, mesmo assim, o botijão ainda explodiu mais tarde", afirmou o proprietário, que preferiu não se identificar.
Ele informou, ainda, que contratou um engenheiro civil para elaborar um laudo sobre os danos causados ao edifício, que permanece interditado, e avaliar quais intervenções serão necessárias antes que o imóvel possa ser liberado. Ao todo, sete viaturas dos bombeiros atuaram na ocorrência.
Após o atendimento às vítimas e a conclusão dos trabalhos de emergência, o local ficou sob responsabilidade da Polícia Militar (PMDF). A Polícia Civil (PCDF) foi acionada e deverá conduzir a investigação para esclarecer as circunstâncias da explosão. Segundo o CBMDF, as causas do incidente serão apuradas pelos órgãos competentes.
Alerta
Segundo a mestre em engenharia civil e professora da Estácio Brasília, Samya Gomes Veloso, explosões envolvendo GLP normalmente ocorrem quando há o acúmulo do combustível em ambientes fechados. "A fonte (de ignição) não precisa ser necessariamente uma chama, pode ser o acionamento de um interruptor, um aparelho elétrico ou até uma pequena faísca", explica.
A especialista destaca que o principal indicativo de um vazamento é o odor característico do gás, adicionado justamente para facilitar a identificação do problema. "Em alguns casos, também é possível ouvir um assobio próximo ao botijão ou às conexões. Outro ponto de atenção é o estado da mangueira, do regulador e do próprio botijão", afirma.
Samya orienta que a prevenção começa ainda na compra do botijão, quando o consumidor procura uma revenda autorizada. Após a troca do equipamento, uma medida simples, como passar espuma de água com sabão, pode ajudar a verificar a existência de vazamentos.
Dicas sobre vazamentos
O que fazer
- Mantenha a calma e retire todas as pessoas do local
- Feche o registro do botijão imediatamente (se for seguro)
- Ventile o ambiente: abra todas as portas e janelas
- Evite faíscas: não acione interruptores, campainhas, lâmpadas ou aparelhos elétricos
- Sem chamas: não acenda fósforos, isqueiros nem fume no local
Na compra do botijão
- Compre apenas de revendedores autorizados
- Verifique se o lacre de segurança está intacto
- Procure pelo selo do Inmetro
- Confira a data de validade impressa na mangueira e no regulador de pressão
- Recuse recipientes com ferrugem excessiva ou amassados
Fonte: CBMDF
*Estagiário sob a supervisão de Tharsila Prates

Cidades DF
Cidades DF