Ataques extremistas

"Mulher não pode ser juíza porque só faz besteira", diziam integrantes de grupo extremista

Investigacoes apontaram que grupo disseminava conteúdos neonazistas, misóginos e outros discursos de ódio

Participantes são todos homens, com idades entre 19 e 31 anos -  (crédito: Ana Carolina Alves)
Participantes são todos homens, com idades entre 19 e 31 anos - (crédito: Ana Carolina Alves)

O grupo extremista que organizava ataques em Brasília disseminava conteúdos neonazistas, misoginia e outros discursos de ódio na plataforma Telegram. De acordo com o coordenador de Inteligência da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), delegado Maurílio Coelho, mensagens analisadas revelam falas que reforçam a exclusão de mulheres de espaços de poder, indicando um padrão recorrente de pensamento dentro do grupo. "Mulher não pode ser delegada, juíza ou promotora, porque mulher só faz besteira. Essa foi uma das várias falas deles", afirmou o delegado.

Segundo o investigador, os participantes são todos homens, com idades entre 19 e 31 anos, e estavam espalhados por diferentes estados do país. Eles não se conheciam pessoalmente e mantinham contato exclusivamente pela internet, por meio de grupos virtuais. “Eles se conheceram no ambiente digital e interagiam apenas por esses canais”, explicou.

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Propaganda nazista

Os investigados utilizavam a internet para articular ações, compartilhar materiais ilegais e tentar ampliar a rede de participantes. Os oito suspeitos foram alvos de mandados de busca e apreensão nesta terça-feira (4/8). 

Parte dos envolvidos divulgava conteúdos ligados ao nazismo, o que pode configurar crime previsto na Lei Antirracismo. “A legislação trata da divulgação de propaganda nazista, e vários deles compartilhavam materiais, fotos e faziam anotações com esse tipo de conteúdo”, afirmou.

O diretor de Operações Integradas e de Inteligência da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), Anchieta Nery, destacou que a atuação do grupo ia além de conversas esporádicas. Segundo ele, há indícios de organização estruturada e tentativa de expansão.

“Não se trata apenas de um grupo aberto com interações pontuais. A investigação identificou uma sistematização, com diálogos contínuos, compartilhamento de documentos e discussões sobre recrutamento de novos integrantes”, alertou.

Ainda de acordo com Nery, esse nível de organização indica um avanço no planejamento, o que motivou a atuação das forças de segurança. “Há uma sequência de passos que demonstra algo mais estruturado, o que exige resposta imediata das autoridades”, completou.

A operação segue em andamento, com análise do material apreendido para aprofundar as investigações e definir os próximos desdobramentos.

 

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postado em 04/08/2026 12:51
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