
A candidata ao Governo do Distrito Federal, Paula Belmonte (PSDB), afirmou, durante entrevista à TV Band na noite deste sábado (15/8), que recebeu convites para disputar a eleição como vice-governadora, mas nunca cogitou deixar a corrida pelo Palácio do Buriti. Ao longo da conversa, a candidata também defendeu o fim do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges DF), reforço na rede pública de saúde e uma ação integrada para enfrentar a situação da população de rua.
“Eu nunca cogitei essa possibilidade de vir para vice”, declarou Paula no início da entrevista, ao comentar as conversas que antecederam a formação das chapas para a disputa no DF.
Além disso, a candidata afirmou que pretende manter o diálogo com diferentes campos políticos e disse que o PSDB ainda pode formar alianças. “Se tiver que conversar com algumas pessoas que estejam no campo da esquerda, vamos conversar. Até porque eu acredito no social. E, se tivermos que conversar com as pessoas do campo da direita, vamos conversar, porque eu também sou uma pessoa conservadora”, afirmou.
Paula também voltou a defender uma maior participação feminina nos espaços de poder e citou a baixa presença de mulheres na Câmara Legislativa, onde apenas quatro dos 24 deputados distritais são mulheres.
Críticas a Celina Leão
Ao comentar a repercussão do debate realizado no último domingo (9/8), quando recebeu uma bota de presente da candidata Celina Leão (PP), Paula voltou a questionar o que chamou de tentativa da vice-governadora de se desvincular da gestão de Ibaneis Rocha durante a campanha.
A crítica de Paula é que Celina integrou a chapa eleita com Ibaneis e, na avaliação da candidata do PSDB, teve espaço e responsabilidade política para se posicionar contra decisões da atual gestão das quais eventualmente discorda. Paula citou, como exemplos, problemas na saúde pública e decisões do governo que poderiam ter sido questionadas pela então vice-governadora.
“Essa tentativa de descolar não é real. Porque ela teve a oportunidade de falar: ‘Olha, eu não estou concordando com isso. Olha, eu não estou concordando que as pessoas estão morrendo no hospital’. [...] E aí eu falei, eu queria saber onde está a sua butina na hora de falar ou não”, afirmou.
“Ela [Celina} fala que tem butina, que tem butina, que tem butina. Mas eu quero saber se essa butina funciona em lugares que falam não”, disse.
A referência à “butina” retoma o presente dado por Celina a Paula durante o debate e a imagem associada à candidata. Para Paula, a crítica simboliza o questionamento sobre se a adversária se posicionou diante de problemas e decisões do governo Ibaneis.
“Então é isso. Eu uso butina, eu uso tênis, eu uso salto, eu uso tudo. Aonde tiver que ser, eu tenho meu posicionamento”, completou.
Saúde e futuro do Iges DF
Na área da saúde, Paula defendeu mudanças mais profundas. A principal delas é o fim do Iges DF, responsável pela gestão de hospitais e unidades de saúde da capital. Segundo a candidata, o modelo atual não deve continuar.
“Hoje, na minha concepção, o Iges DF não tem viabilidade de continuar. Agora, a gente precisa fazer com que essa transição beneficie as pessoas”, afirmou.
Paula criticou a falta de transparência na gestão do instituto e citou a existência de cargos de livre nomeação e contratos que, segundo ela, precisam de maior fiscalização.
Como alternativa, a candidata defendeu o fortalecimento da atenção primária, com UBSs mais próximas da população e equipes completas para acompanhar pacientes antes que os casos se agravem e cheguem aos hospitais. Também prometeu reforçar o quadro de servidores, com a contratação de médicos, anestesistas e especialistas.
“Precisamos contratar mais médicos. Médicos especialistas , anestesistas, pediatras, psiquiatras, psicólogos [...], a saúde se faz com seres humanos”.
População de rua e prevenção ao feminicídio
Questionada sobre episódios recentes de violência envolvendo pessoas em situação de rua, Paula afirmou que o problema exige uma resposta que vá além da segurança pública. A proposta, segundo ela, deve reunir saúde, assistência social e políticas habitacionais.
“Esse assunto não dá para você resolver só com segurança, você não dá para resolver só com assistência. Você tem que trazer a saúde junto e tem que trazer um programa habitacional junto”, afirmou.
A candidata defendeu abordagens que possibilitem o encaminhamento dessas pessoas para locais de acolhimento, com acompanhamento psicológico e psiquiátrico, e falou em trabalhar com a internação voluntária.
“A pessoa com vulnerabilidade precisa ser atendida, porque ela é uma pessoa. Mas nós não podemos fazer com que uma pessoa em vulnerabilidade, que esteja em um surto, tire a tranquilidade e o direito dos cidadãos de andar na rua”, disse.
Ao final da entrevista, Paula também abordou o combate ao feminicídio e defendeu que a prevenção começa antes da escalada da violência. Ela citou o programa “Falando Delas para Eles”, desenvolvido durante sua atuação como procuradora especial da mulher na Câmara Legislativa e voltado à conscientização de estudantes sobre diferentes formas de violência contra a mulher. “Assim podemos prevenir que a violência não aconteça”, afirmou.

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