
Beatriz Ocké*
O Copom Mulher, programa especializado da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), completou dois anos acolhendo e orientando mulheres em situação de violência doméstica e familiar, incentivando-as a realizar o registro policial da ocorrência. O serviço promove o rompimento do ciclo da violência, a prevenção da revitimização e do feminicídio. Em dois anos, mais de 900 mulheres decidiram denunciar formalmente a violência.
Em cerimônia realizada nesta quarta-feira (19/8), a equipe destacou os principais resultados alcançados pelo programa. Durante os dois anos, o serviço alcançou 3.912 mulheres que, inicialmente, não pretendiam registrar a ocorrência. Deste total, 927 decidiram formalizar o registro policial após o atendimento da equipe.
A major Tainá Medeiros, chefe do Copom Mulher, explica que, segundo um levantamento feito pelo programa, cerca de 30% das vítimas que foram atendidas afirmaram que não teriam registrado boletim de ocorrência se não tivessem passado pela sensibilização e orientação da equipe. “Em relação à pesquisa de 2023, é uma diferença e uma melhora muito grande”, afirma.
Entre os principais motivos que impedem o registro do boletim de ocorrência, a major destaca a dependência da vítima para com o agressor, seja ela financeira, psicológica, familiar, ou amorosa. “Eu observo que essa dependência é o fator preponderante para não ter registro. Mulheres que querem se separar ou sair de casa mas não têm para onde ir e não têm condições de pagar, e ela não sabe que o GDF tem essa rede de apoio”, conta.
O Copom Mulher funciona dentro do Centro de Operações da PMDF e atende mulheres vítimas de violência doméstica por meio do 190.
Pesquisa
Inaugurado em 15 de agosto de 2024, o programa surgiu após uma pesquisa realizada pela Secretaria de Estado de Segurança Pública do Distrito Federal que revelou um dado alarmante sobre os casos de feminicídio. Segundo o levantamento, no período de 2015 a 2023, aproximadamente 70% das mulheres vítimas de feminicídio não haviam registrado boletim de ocorrência.
Diante do cenário, o Copom Mulher foi criado de forma pioneira para fortalecer enfrentamento da violência contra a mulher por meio da busca ativa, da sensibilização das mulheres em situação de violência e da articulação com a rede de proteção.
Como funciona
Todos os dias, policiais militares realizam análise de todas as ocorrências de violência doméstica atendidas pela PMDF e procuram as mulheres que necessitam de um atendimento especializado, principalmente, as vítimas que manifestam o desinteresse por denunciar formalmente o agressor.
O policial militar entra em contato com a vítima por telefone e dá orientações sobre a Lei Maria da Penha, seus direitos, as formas de violência, o ciclo da violência, os riscos da continuidade das agressões e os serviços disponíveis na rede de proteção. Depois da conversa, se a mulher decidir registrar a ocorrência, a equipe realiza o encaminhamento.
*Estagiária sob a supervisão de Tharsila Prates
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