
Umaocorrência de tentativa de latrocínio desembocou na identificação de uma organização criminosa voltada à fraudes de credenciais bancárias de empresas, subtração de valores e lavagem de dinheiro. Na manhã desta quinta-feira (20/8), policiais civis da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRACO), vinculada ao Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (DECOR), cumprem 19 mandados de busca e apreensão e seis de prisão no DF e em quatro estados.
Em 2024, um homem — alvo desta operação — foi vítima de uma tentativa de latrocínio. Posteriormente, os investigadores descobriram que os assaltantes, membros do Comando Vermelho (CV) haviam se deslocado do Mato Grosso para Brasília com a intenção de roubar a vítima. A polícia queria descobrir o que rodeava esse alvo.
As apurações da época indicaram que os faccionados tinham em mãos informações privilegiadas sobre a rotina e a capacidade financeira da vítima. Dados esses repassados por uma pessoa do círculo profissional da vítima. Permanece em investigação, no entanto, a possibilidade da vítima ser integrante de uma facção rival.
Interesse
O interesse dos faccionados sobre o alvo do assalto foi descoberto pelos policiais. O motivo era a quantidade elevada de recursos financeiros movimentados por ele. Segundo a PCDF, o homem exerce papel de “lavador profissional de dinheiro”, especializado em receber, movimentar, ocultar e dar aparência lícita ao dinheiro criminoso.
A atuação de lavadores profissionais e estruturas financeiras independentes, capazes de atender simultaneamente diferentes facções e organizações criminosas, constitui atualmente uma das frentes de atuação qualificada ao crime organizado, afirma a polícia. O “serviço” é oferecido de forma indiscriminada e permite que grupos criminosos distintos utilizem a mesma infraestrutura financeira para movimentar cifras milionárias.
A organização criminosa alvo da apuração atuava desde o contato com as vítimas e a captura fraudulenta de credenciais bancárias — esta feita por dispositivos de informática — até a subtração e posterior movimentação dos valores obtidos.
Após as fraudes, os recursos eram rapidamente pulverizados em contas de terceiros, em sucessivas transações. As ordens judiciais são cumpridas na capital federal, em São Paulo, no Mato Grosso, em Santa Catarina e em Goiás.
Foram determinados, ainda, os sequestros de cinco veículos de luxo utilizados pelos investigados e de dois imóveis avaliados, em conjunto, em mais de R$ 3,5 milhões. A Justiça também determinou o bloqueio de valores existentes em contas e ativos financeiros dos investigados, que pode alcançar mais de R$ 60 milhões.

Cidades DF
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