
Quatro integrantes de uma organização criminosa investigada por aplicar um golpe que causou prejuízo de R$ 1,1 milhão a uma idosa do DF foram presos nesta terça-feira (4/8) durante uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). As investigações apontam que um dos criminosos coordenava o esquema de dentro da Penitenciária Milton Dias Moreira, em Japeri (RJ), onde policiais apreenderam quatro aparelhos celulares. Um quinto investigado segue foragido.
A operação foi deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio da 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte), para cumprir cinco mandados de prisão temporária e seis mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, Paraná, Mato Grosso e Rio de Janeiro. Os policiais prenderam dois investigados em Curitiba (PR), um em Várzea Grande (MT) e outro no Gama (DF). Durante as buscas na penitenciária de Japeri, agentes localizaram quatro aparelhos celulares na cela do investigado preso, suspeito de continuar aplicando golpes de dentro da unidade prisional.
Segundo as investigações, haviam seis integrantes da organização criminosa, que atuava de forma estruturada, com divisão de funções, uso de diversos números telefônicos, contas bancárias, chaves Pix, equipamentos eletrônicos e empresas de fachada para movimentar e ocultar os valores obtidos com as fraudes. A Polícia Civil identificou pelo menos outras quatro ocorrências com o mesmo modo de atuação.
Segundo o delegado Fernando Cocito, da 2ª DP, o grupo mantinha uma estrutura organizada e permanente. "Tudo isso mostra um grupo muito estruturado, com divisão de tarefas, que atua há certo tempo em uma verdadeira associação ou organização criminosa", afirmou.
A investigação começou após uma idosa do DF denunciar ter perdido R$ 1.099.000 em um golpe de engenharia social. Inicialmente, ela recebeu uma ligação de supostos funcionários de uma concessionária de energia elétrica informando que teria direito a um ressarcimento. Em seguida, outros criminosos passaram a se apresentar como servidores do Banco Central e policiais federais, convencendo a vítima de que sua conta bancária estaria sendo usada por golpistas.
Durante três semanas, a mulher foi induzida a realizar diversas transferências bancárias, compartilhar a tela do celular, alterar senhas e autorizar novos dispositivos em seus aplicativos bancários, acreditando que estava protegendo seu patrimônio.
"O discurso era de proteção do patrimônio. Na cabeça dela, ela estava transferindo os valores para evitar um golpe, quando, na verdade, estava entregando todo o dinheiro aos criminosos", explicou o delegado.
Quando a vítima começou a desconfiar, os investigados elevaram o nível da fraude. Conforme o delegado, eles enviaram um documento falso com timbre do Banco Central para reforçar a falsa narrativa. "Eles forneceram um documento dizendo que já haviam detectado um empréstimo fraudulento no nome dela e que precisavam da ajuda da vítima para proteger o patrimônio", disse.
Além das prisões e das buscas, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 1.099.000 em contas ligadas ao esquema, valor equivalente ao prejuízo causado à vítima. Os celulares, computadores e demais equipamentos apreendidos serão periciados para identificar outros integrantes da organização criminosa e possíveis vítimas.
Os investigados poderão responder pelos crimes de estelionato qualificado mediante fraude eletrônica, organização criminosa e lavagem de capitais. As penas chegam a 15 anos de prisão.

Cidades DF
Cidades DF
Cidades DF
Cidades DF
Cidades DF
Cidades DF