O Banco de Brasília (BRB) convocou os acionistas da instituição para uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE), marcada para 24 de agosto, às 10h, em formato exclusivamente virtual. Na reunião, será deliberada a autorização para que o banco adote medidas judiciais contra ex-administradores que venham a ser identificados como responsáveis por eventuais prejuízos causados ao BRB nas transações envolvendo o Banco Master. A convocação foi publicada no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF) desta segunda-feira (3/8).
De acordo com o edital, a medida busca viabilizar a reparação de danos ao patrimônio material e moral da instituição "em decorrência das operações realizadas com o ecossistema Banco Master/REAG, no contexto dos fatos apurados na Operação Compliance Zero", em observância aos interesses da companhia e aos princípios de governança e transparência perante os acionistas.
Poderão participar da assembleia os acionistas titulares de ações emitidas pelo BRB, além de seus representantes legais ou procuradores. A participação virtual dependerá de cadastramento prévio, que deverá ser solicitado até 22 de agosto pelo e-mail ri@brb.com.br. Os acionistas que optarem por votar a distância deverão encaminhar o Boletim de Voto, devidamente preenchido e assinado, até 20 de agosto.
Delação premiada
Um dos ex-dirigentes investigado como responsável pelas transações fraudulentas é o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, preso desde 16 de abril. Paulo Henrique foi afastado da presidência do BRB em novembro de 2025 pelo então governador Ibaneis Rocha, após a primeira fase da Operação Compliance Zero. Depois disso, começou a ser investigado por suspeita de descumprimento de práticas de governança e por permitir operações sem lastro envolvendo o Banco Master, até a sua prisão em abril.
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Desde então, o ex-dirigente do banco tenta negociar uma delação premiada com a Polícia Federal. No entanto, segundo apurou a colunista Ana Maria Campos, ele estaria desiludido com a possibilidade após as várias tentativas de negociação.
Empréstimo
Durante a convenção da Federação União Progressista, no domingo (2/8), a candidata à reeleição ao Governo do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou que o empréstimo do BRB junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 6,6 bilhões está praticamente concluído e depende apenas da assinatura final. O valor será destinado à capitalização do banco.
O acordo que viabiliza a operação foi firmado em 28 de maio entre a União, o Governo do Distrito Federal (GDF), o Banco Central e o BRB, com mediação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux. Pelo entendimento, o empréstimo será contratado com garantia de fiança oferecida por um sindicato de bancos e contragarantias provenientes do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), sem necessidade de aval da União.
O acordo também prevê uma série de compromissos de ajuste fiscal por parte do GDF. Entre eles, estão a adoção das vedações constitucionais de controle de despesas previstas no artigo 167-A da Constituição Federal.
Outro ponto estabelece que eventuais recursos obtidos pelo Distrito Federal em ações judiciais ou acordos relacionados a prejuízos causados ao BRB deverão ser destinados prioritariamente à quitação da operação de crédito.
Durante as negociações com o FGC, o GDF solicitou prazo de dois anos de carência e 15 anos para o pagamento do financiamento. O prazo ainda não foi aceito definitivamente.
