Durante sabatina promovida pela Amcham Brasil nesta sexta-feira (7/8), o candidato ao Governo do Distrito Federal Leandro Grass afirmou que Brasília reúne condições para se transformar em um dos principais polos de tecnologia da América Latina, desde que haja planejamento e uma atuação mais integrada entre o poder público e a iniciativa privada.
Segundo o candidato, a economia do Distrito Federal permanece excessivamente dependente do funcionalismo público, enquanto setores com elevado potencial de crescimento continuam pouco explorados.
"Temos uma economia bastante caracterizada ainda pela presença do servidor público, pela força da renda. Mas setores que representam uma grande oportunidade para nós ainda ficam tímidos. Brasília, pelas suas características socioeconômicas e institucionais, tem tudo para ser a grande economia de tecnologia do Brasil e da América Latina, caso houvesse uma política voltada para esse setor", afirmou.
Para Grass, uma das principais mudanças passa pelo fortalecimento da relação entre governo e empresários. Segundo ele, falta continuidade às discussões realizadas entre os dois setores.
"É preciso uma interação melhor entre o setor público e o setor privado. Uma das principais queixas do empresariado é justamente essa dificuldade de diálogo. As propostas são apresentadas, mas não têm encaminhamento e não chegam à conclusão", declarou.
O candidato também afirmou que o Distrito Federal possui vantagens competitivas que precisam ser melhor aproveitadas para atrair investimentos.
"Somos a capital do país, estamos no centro do Brasil, temos um dos melhores aeroportos do mundo e uma cidade marcada por características urbanísticas únicas. Temos ainda um ativo fundiário bastante interessante para implantação de infraestrutura e de novas atividades econômicas", disse.
Na avaliação de Grass, a ocupação do território deve seguir critérios técnicos, respeitando as vocações econômicas e ambientais de cada região. Ele citou o Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) como instrumento importante para orientar investimentos.
"O Zoneamento Ecológico-Econômico aponta quais atividades oferecem o melhor retorno econômico com os menores impactos socioambientais para cada área. Há regiões onde cabe uma atividade industrial, outras que são mais vocacionadas para serviços, turismo ou agroindústria de pequeno e médio porte. É preciso planejamento", afirmou.
Grass também defendeu o fortalecimento do turismo, da economia criativa e da cultura como estratégias para movimentar a economia ao longo de todo o ano.
"Podemos explorar muito melhor o setor de serviços se tivermos uma boa política voltada ao turismo. Da mesma forma, a cultura pode ativar a economia durante todo o ano. A indústria cultural também gera justiça econômica e desenvolvimento", disse.
O candidato acrescentou que o governo deve atuar para abrir portas ao investimento nacional e estrangeiro. "Vários países possuem fundos e vontade de investir no Brasil. O papel do governo, com vocês, é abrir esse canal, colocar essas oportunidades como prioridade para que possamos receber mais investimentos e aplicar melhor os recursos", afirmou.
Grass ainda citou entraves enfrentados por produtores rurais e empreendedores, defendendo a simplificação de processos e a melhoria do ambiente de negócios.
"A economia não depende apenas de quem produz. Ela depende de todo um ecossistema, de uma rede de parcerias, de ações complexas e de investimentos. Quando o Estado dificulta esse ambiente, acaba impedindo que as pessoas prosperem", declarou.
