O candidato do PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado) ao Governo do Distrito Federal, Robson Raymundo, defendeu durante a sabatina do Correio Braziliense, nesta terça (11/8), uma reformulação da política de segurança pública no DF, incluindo o armamento coletivo da população, o fim da Polícia Militar como instituição e a criação de uma "guarda civil" que uniria PM e Polícia Civil em um trabalho de caráter preventivo de educação para a população.
Segundo o candidato, “a criminalidade é uma consequência das desigualdades sociais e econômicas que o próprio sistema capitalista produz”, e a saída precisa ser construída a partir de uma mudança no comando das forças policiais. "A polícia não pode ser tropa de bater e dar tiro dos governadores", afirmou. Para ele, a população e trabalhadores da segurança pública devem controlar a polícia.
Armamento da população
Questionado se é favorável ao armamento da população, Raymundo respondeu que sim, mas defendeu um modelo específico. Para ele, deve existir uma força de segurança pública preventiva, com cursos abertos para qualquer pessoa que queira colaborar com a segurança coletiva, evitando que a responsabilidade de segurança e prevenção da violência fique concentrada em um único grupo.
O candidato pontua que, para ele e para seu partido, a solução para a violência é social. Segundo Raymundo, o modelo proposto pelo PSTU não pressupõe que cada pessoa compre sua própria arma, mas que haja um "armamento coletivo" vinculado à organização da população em conselhos de segurança pública e autodefesa. Ele conclui que “hoje, uma segurança pública elitizada, a serviço só dos ricos, sempre será uma força de segurança de repressão, de dar tiro e porrada na classe trabalhadora e nas populações mais pobres”.
Feminicídio
Sobre o aumento nos casos de feminicídio, o candidato atribuiu o fenômeno a uma combinação de crise econômica e propaganda retrógrada que busca resgatar um "passado idílico, um passado perfeito" em que as mulheres estariam sob controle. "As mulheres não são um problema e não precisam ser controladas", declarou.
Raymundo afirmou que o PSTU está engajado na aprovação do projeto de lei contra a misoginia, atualmente em tramitação no Congresso, e demonstrou preocupação de que o texto não seja aprovado ou seja descaracterizado. Ele também relacionou o problema a campanhas que classificam professores como "inimigos" e "doutrinadores", associando esse discurso ao aumento de casos de violência contra a categoria e à misoginia disseminada entre jovens na internet.
Como proposta de política pública, o candidato defendeu a criação de casas-abrigo bem estruturadas para mulheres em situação de violência e o oferecimento de treinamento profissionalizante, incluindo defesa pessoal e manejo de armas, citando casos em que medidas protetivas são descumpridas por agressores.
Ao tratar do aumento da população em situação de rua no DF, Raymundo criticou abordagens baseadas apenas em repressão. "Não adianta só reprimir. Essa população de rua mostra o quanto o sistema capitalista é um fracasso", disse, defendendo políticas que garantam a retirada dessas pessoas das ruas por meio de acolhimento e não de repressão.
Fique por dentro
*Estagiária sob a supervisão de Patrick Selvatti
Saiba Mais
