O vigilante Willian César Pinto Júnior, 48 anos, baleado e morto por policiais civis ao ser confundido com um alvo de uma operação policial, trabalhava há mais de 20 anos na Residência Oficial da Presidência do Senado. O fato ocorreu por volta das 5h50 desta quarta-feira (19/8), na Quadra 8 do Setor Oeste do Gama.
Willian trabalhava dia sim e outro não e, nesta quarta-feira, saiu de casa cedo, pouco depois das 5h30, em um Gol preto. Em entrevista ao Correio, familiares afirmaram que Willian notou uma movimentação incomum na rua e, com medo, resolveu seguir por outra via. Na esquina, narram os parentes, foi abordado por policiais civis em uma viatura descaracterizada.
Em um depoimento prestado ainda no hospital, minutos antes de morrer, Willian alegou que os agentes mandaram ele descer e atiraram em seguida. O tiro atingiu as costas do vigilante. Uma testemunha contou que, ferido e no chão, os policiais chamaram Willian de vagabundo e o algemaram.
Notícia da morte
Rodrigo César, 33, é sobrinho de Willian. Ele conta que recebeu uma ligação do Hospital Regional do Gama por volta das 9h. “Os médicos disseram que ele conseguia se comunicar, mas os sinais vitais estavam fracos. Ele sofreu uma parada cardíaca. Na segunda, não resistiu.”
Às 9h46, a família seguiu para a 20ª Delegacia de Polícia (Gama). No mesmo momento, agentes levaram o carro de Willian para o pátio da unidade. Segundo a família, um policial foi até eles para explicar a abordagem: “Ele veio se justificar, falando que deu ordem de parada, mas ele não obedeceu. Atirou, mas disse que tinha acertado o pneu e que a bala teria voltado para ele”.
O caso é investigado pela Corregedoria da PCDF. Em nota, a corporação afirmou que, após os fatos, os policiais envolvidos apresentaram-se à delegacia da área para o registro da ocorrência e adoção das providências legais. “A PCDF lamenta o desfecho da ocorrência e informa que o caso foi encaminhado à Corregedoria-Geral da Polícia Civil do Distrito Federal, responsável pela apuração das circunstâncias da intervenção.”
Willian era casado e tinha dois filhos, fruto de um relacionamento anterior. A família pede por Justiça. “Era uma pessoa que não tinha nenhuma passagem por nada na polícia. Muito amigo, tranquilo e de confiança”, disse o sobrinho.
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