Julgamento STF

Terça-feira na capital do país foi marcada por chuvas, ventos fortes e tensão no STF

A Praça dos Três Poderes viveu um dia histórico durante o julgamento do ministro do STF Alexandre de Moraes, suspeito de envolvimento no Caso Master. Do lado de fora da Corte, protestos de militantes pediam a investigação do ministro

De cão farejador a fuzil antidrone: STF reforça esquema de segurança; acompanhe -  (crédito: Carlos Vieira/DA/Press)
De cão farejador a fuzil antidrone: STF reforça esquema de segurança; acompanhe - (crédito: Carlos Vieira/DA/Press)

Quem tinha o Eixo Monumental como caminho se surpreendeu, desde o início da manhã dessa terça-feira (15/9), com o forte esquema de segurança na região da Praça dos Três Poderes. O Supremo Tribunal Federal (STF) esteve sob rigoroso monitoramento durante todo o dia para a sessão em que os ministros decidiram se uma investigação seria aberta contra o ministro Alexandre de Moraes. Além do policiamento ostensivo, os brasilienses enfrentaram engarrafamentos e manifestações de militantes políticos.

A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) elaborou um complexo esquema de segurança para garantir o andamento da sessão sem interferências externas. O porta-voz da PMDF, major Raphael Broocke, detalhou que a corporação contou com um efetivo substancialmente maior do que o convencional. "A Polícia Militar está desde as 18h de segunda-feira realizando um patrulhamento específico nessa localidade para evitar que algum veículo suspeito se aproxime", explicou.

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O plano de segurança envolveu o uso de tecnologia e o apoio de cães farejadores. Câmeras do sistema DF 360 e drones garantiram o monitoramento em tempo real de toda a área delimitada. "Estamos com esse reforço efetivo. Um contingente muito grande de policiais preparados caso precisem ser acionados", destacou o major. O perímetro aéreo da praça estava fechado. Usando equipamento de última geração, a Polícia Judiciária derrubou um drone que sobrevoava o STF sem autorização. O Batalhão de Cães (BPCães) vistoriou toda a praça para afastar suspeitas de materiais explosivos.

Horas antes da sessão, que começou por volta das 10h30, os arredores do Supremo estavam ocupados por jornalistas. Inicialmente, o acesso ao público foi permitido sem interrupções nas vias próximas ao STF. Veículos passavam buzinando diante do público. Os ânimos na Praça dos Três Poderes seguiram controlados e um grupo de sete pessoas chegou a orar em círculo, de mãos dadas, acompanhado pelo senador Magno Malta (PL).

Atos no canteiro central

Por volta das 9h, um pouco acima do bloqueio no Congresso Nacional, apoiadores do candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) e da candidata ao Senado Federal Bia Kicis (PL) se reuniram no canteiro central, em frente à Alameda das Nações. O espaço foi previamente reservado e autorizado pela Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF).

Com gritos de "fora Moraes" e "fora Lula", além de adereços simulando pallets de dinheiro com a frase "chega de intocáveis", os manifestantes vestiram predominantemente verde e amarelo. As faixas e discursos também manifestaram apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao seu filho, o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), pedindo a liberdade do ex-presidente e o fim de supostas perseguições políticas.

Entre os presentes, o brasiliense Danilo Ramos, 41 anos, protestou contra as decisões de Alexandre de Moraes. "Eu acho que todos os limites do bom senso foram extrapolados. Ele (o ministro) tem todo um comportamento ditatorial e agora está envolvido com a corrupção do caso Vorcaro. É inadmissível que um ministro continue na posição que está, tendo se envolvido com corrupção", afirmou Ramos, que segurava uma placa com os dizeres "Fora Imorais" e disse confiar no início de uma "grande transformação no Judiciário".

Vindo de Minas Gerais, José Caldeira, 54, disse ter viajado a Brasília em busca de justiça, criticando o andamento das ações relativas aos atos de 8 de Janeiro. "Não somos contra as instituições. O que queremos é que haja justiça. Condenaram milhares de pessoas de forma injusta e sem o devido processo legal", argumentou. Ao seu lado, Célia Regina emocionou-se ao falar da irmã, Adalgiza, detida desde os acontecimentos de 2023. "A gente acredita que o bem tem que prevalecer. Nós estamos num país pacífico e a ditadura não pode prevalecer", disse.

Bloqueios

No início da tarde, após a dispersão do ato principal, o Eixo Monumental registrou pontos de engarrafamento. Três faixas da via foram temporariamente interditadas pelo Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran) para garantir a integridade dos pedestres e das equipes policiais que atuavam na região.

Por volta das 12h, o sistema de monitoramento identificou uma movimentação suspeita em um ponto de ônibus localizado em frente ao STF. Policiais militares abordaram um homem no local e encontraram com ele uma porção de substância similar à maconha.

Segundo informou o major Raphael Broocke, o suspeito relatou que responde em liberdade pelo crime de tráfico de drogas, motivo pelo qual a Polícia Civil foi acionada para averiguar seu histórico criminal. A PMDF ressaltou que o homem não foi detido e que, até o momento da abordagem, não havia indícios de ligação entre a ocorrência e os atos no Judiciário.

  • Mari Miola protesta contra o cenário político:
    Mari Miola protesta contra o cenário político: "O Supremo é o povo" Minervino Júnior/CB/D.A Press
  • Mau tempo derruba tenda que abrigava jornalistas próximo ao STF
    Mau tempo derruba tenda que abrigava jornalistas próximo ao STF Davi Cruz/CB/D.A Press
  • Manifestantes ergueram placas contra Moraes
    Manifestantes ergueram placas contra Moraes Luiz Fellipe Alves/CB/DA Press
  • Danilo Ramos se reuniu em frente à Alameda das Nações para protestar contra o ministro Alexandre de Moraes e o presidente Lula
    Danilo Ramos se reuniu em frente à Alameda das Nações para protestar contra o ministro Alexandre de Moraes e o presidente Lula Luiz Fellipe Alves/CB/DA Press
  • A chuva e os fortes ventos pegaram todos de surpresa
    A chuva e os fortes ventos pegaram todos de surpresa Davi Cruz/CB/D.A Press
  • Manifestantes pedem a saída de Alexandre de Moraes do STF
    Manifestantes pedem a saída de Alexandre de Moraes do STF AFP
  • Trânsito foi registrado no Eixo Monumental após o protesto
    Trânsito foi registrado no Eixo Monumental após o protesto Luiz Fellipe Alves/CB/DA.Press
  • José Caldeira e Célia Regina protestam em busca de Justiça
    José Caldeira e Célia Regina protestam em busca de Justiça Luiz Fellipe Alves/CB/DA Press

Chuva forte

Ao longo da tarde, as condições climáticas mudaram bruscamente. Chuvas fortes acompanhadas de intensas rajadas de vento pegaram as pessoas de surpresa na Praça dos Três Poderes. A ventania chegou a derrubar as grades de proteção posicionadas ao redor do Congresso Nacional e uma tenda utilizada pelas equipes de vigilância do STF e de jornalistas. Ninguém se feriu. O tráfego de veículos permaneceu sem interrupções graves durante toda a tarde.

No início da noite, a movimentação no entorno do Supremo seguiu sem atos coletivos, registrada apenas pela presença isolada de uma manifestante. A ativista Mari Miola, 38 anos, permaneceu em frente à Corte exibindo uma faixa com as frases "nós não devemos ter medo" e "o Supremo é o povo".

"Acho que ser corajoso não é ir porque não tem medo, é você ir mesmo com medo", declarou Mari, ao defender que a população se posicione diante do atual cenário político. Após o manifesto individual contra o ministro Alexandre de Moraes, ela foi orientada por policiais militares de que não era permitida a realização de atos no perímetro imediato do edifício. O esquema especial de segurança da PMDF foi mantido no local.

 


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DC
postado em 16/09/2026 03:00
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