
Cinquenta e três anos e três dias após o sepultamento de Ana Lídia Braga, chega a notícia da morte de Álvaro Henrique Braga, aos 70 anos, no Rio de Janeiro. O falecimento ocorreu em 25 de novembro do ano passado, mas só veio à tona agora. A morte da criança, jamais foi elucidada.
O registro oficial do óbito consta das transmissões dos Serviços Extrajudiciais do Estado do Rio de Janeiro, lavrado perante o Cartório da 8ª Circunscrição do Registro Civil das Pessoas Naturais.
Fique por dentro das notícias que importam para você!
Em 1973 a 1974, Álvaro Braga foi investigado, preso e julgado sob a suspeita de ter participado do crime que chocou Brasília e o Brasil em 1973. Ele e a família sempre negaram. A barbárie nunca teve um desfecho e, agora, os dois principais nomes levados a júri pela tragédia da família Braga estão mortos. O outro é Raimundo Lacerda Duque, falecido em 2005, no Hospital Regional de Ceilândia.
- Ana Lídia: a cronologia do crime que segue sem respostas há 50 anos
- Ana Lídia: uma cidade vazia, uma investigação mal-feita, um crime impune
- Acervo Correio Braziliense: Aninha sepultada sob forte tensão popular
- Acervo Correio Braziliense: Ana Lídia: justiça manda reabrir o volumoso processo
À época dos fatos, então com 18 anos, Álvaro Henrique foi investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal sob a suspeita de ter retirado a irmã do colégio Madre Carmen Sallés. Em outubro de 1974, a Justiça do Distrito Federal absolveu Álvaro Henrique no processo criminal por falta de provas, decisão que foi posteriormente confirmada pelas instâncias superiores.
Após o encerramento das etapas judiciais e em busca de recomeço, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro. Graduou-se em medicina e especializou-se em angiologia, carreira à qual se dedicou nas décadas seguintes na capital fluminense.
Ao longo de toda a sua vida adulta, manteve uma conduta estritamente reservada e distante da exposição pública e da imprensa. Em declarações pontuais em anos posteriores, sustentou sua inocência e afirmou ter sido vítima de torturas durante as investigações policiais do período ditatorial para confessar o crime, manifestando a crença de que a autoria do assassinato de sua irmã jamais seria formalmente elucidada.
Cidades DF
Cidades DF
Cidades DF