
O CB.Saúde, parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília, recebeu, nesta sexta-feira (25/9), Giovanni De Toni, psiquiatra, preceptor no Hospital Universitário do Brasília (HUB) e pesquisador em psiquiatria digital. Às jornalistas Sibele Negromonte e Carmen Souza, ele contou detalhes sobre vício em jogos de aposta no Brasil, impactos na sociedade e caminhos possíveis para tratamento e prevenção.
O pesquisador contextualizou a presença crescente das bets, apostas e casinos on-line na vida dos brasileiros aproximadamente em 2018. “Desde que elas chegaram, tivemos várias repercussões. Problemas relacionados à dependência, de cunho financeiro, emocional, conjugal, familiar”, pontua. De acordo com De Toni, o endividamento dos brasileiros e questões de saúde mental que levam à sobrecarga do SUS se tornaram realidade.
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Também é necessário, para o psiquiatra, perceber o recorte de classe presente entre os mais vulneráveis, que veem as apostas como caminho para ganhar dinheiro de maneira rápida e fácil. “Ganhar dinheiro é algo que a maioria das pessoas vai querer. O problema é quando uma atividade que não produz esse tipo de ganho é vendida como isso”, explica.
Outro alerta do especialista é a sedução que os adolescentes recebem das bets: na juventude, o desenvolvimento do sistema neurobiológico, que é capaz de inibir comportamentos e pesar riscos e benefícios, não está maturado. “Paradoxalmente, aquele sistema de recompensa, de busca de emoções, já está. A adolescência é uma fase em que a tomada de risco é maior do que a capacidade de tomar decisões baseadas nos desfechos de longo prazo. Por isso, é uma faixa etária que está sob maior perigo de dependência”, pontua De Toni.
Apesar dos grandes impactos, há possibilidade para tratamento e cura. O SUS oferece apoio psicossocial para vícios, além de tele atendimento psicológico em conjunto com outras instituições do país, que recentemente passou a atender famílias de pessoas que padecem por dependência de apostas ou transtorno do jogo. “A maior parte das pessoas que procuram ajuda encontra tratamento e consegue ter melhora. Isso é importante”, celebra.
Assista a entrevista na íntegra:
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