
A reitora da Universidade de Brasília (UnB), Rozana Naves, classificou como "inadmissível" a entrada de pessoas de fora da comunidade acadêmica para realizar intervenções no patrimônio da instituição sem autorização.
O pronunciamento foi feito nesta segunda-feira (28/9), após a prisão em flagrante do influenciador digital e candidato a deputado federal Wilker Leão (Novo-DF), ocorrida no domingo (27/9), no Instituto de Artes (IdA).
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Ao comentar o episódio, Rozana afirmou que as manifestações artísticas presentes nas paredes do instituto fazem parte da dinâmica acadêmica do curso e são construídas com participação da própria comunidade.
“É inadmissível que pessoas externas à nossa comunidade venham fazer intervenções no patrimônio público, sem autorização expressa da gestão ou da própria comunidade.”
Wilker foi detido após pintar, sem autorização, paredes do Instituto de Artes. Ele foi levado à Polícia Federal e permaneceu preso por suspeita de dano ao patrimônio da União.
- Leia também: Wilker Leão é preso em flagrante; UnB repudia ataque
Segundo a reitora, o episódio não se limitou à intervenção no prédio. Ela afirmou que estudantes também foram agredidos por pessoas que acompanhavam o candidato e precisaram passar por exames no Instituto Médico Legal (IML).
“Outra agressão foi a sofrida pelos estudantes e praticada pelas pessoas que acompanhavam esse cidadão. Estudantes sofreram ferimentos, foram agredidos fisicamente e levados ao Instituto Médico Legal para exame de corpo de delito.”
De acordo com o Diretório Central de Estudantes (DCE) Honestino Guimarães, um aluno foi atingido com socos e pontapés. Imagens que circulam pelas redes sociais mostram parte da confusão. A universidade informou que integrantes da gestão acompanharam os estudantes e prestaram assistência após o ocorrido.
“Nós nos solidarizamos com esses estudantes e com toda a comunidade do Instituto de Artes e da Universidade de Brasília nesse momento.”
Ações no campus
Rozana também ressaltou que os episódios ocorreram em um domingo, quando o campus estava mais vazio. Na avaliação dela, a escolha do momento reforça o caráter de intimidação da ação.
“Essas ações ocorreram no domingo, com a universidade esvaziada e desmobilizada.”
Além disso, a reitora associou os envolvidos a grupos de extrema direita e criticou a ausência de disposição para o debate dentro da universidade.
“Isso mostra a covardia desses grupos de extrema direita, que atacam a universidade e não se propõe ao debate qualificado.”
Wilker havia sido expulso da UnB há cerca de um ano. Ele ganhou projeção ao publicar vídeos gravados durante aulas do curso de História, nos quais filmava professores e alunos. Segundo a reitora, a expulsão ocorreu após episódios de agressão contra integrantes da comunidade acadêmica.
Medidas administrativas e judiciais
A UnB informou que acionou o protocolo de segurança após o episódio. A Polícia Federal esteve no campus, realizou a detenção do candidato e fez perícia no local.
Rozana afirmou que a instituição também pretende adotar providências nas esferas administrativa e judicial.
“A administração tem tomado todas as providências, foi acionado o protocolo de segurança, a Polícia Federal esteve presente, deteve o candidato e fez a perícia no local. E a universidade tomará medidas administrativas e judiciais para que esses episódios não voltem a acontecer.”
Ao encerrar o pronunciamento, a reitora reforçou o repúdio da instituição ao ocorrido e defendeu a mobilização da comunidade acadêmica.
“Mais uma vez, ressaltamos o nosso repúdio a esse tipo de atitude. Nos fortaleceremos pela união de toda a comunidade em defesa da universidade pública e gratuita.”
O outro lado
O Correio entrou em contato com o candidato, mas, até o momento da publicação desta reportagem, não obteve resposta. O espaço permanece aberto para manifestações.
Em nota, o Diretório Distrital do Novo no Distrito Federal informou que acompanha os acontecimentos ocorridos na Universidade de Brasília (UnB) envolvendo o candidato a deputado federal Wilker Leão.
A legenda esclareceu que a prisão em flagrante decorreu da pintura não autorizada das paredes externas do Instituto de Artes e repudiou "qualquer agressão, independentemente de quem a pratique ou de sua motivação", ressaltando que a apuração deve respeitar o contraditório e a ampla defesa.
O partido defendeu ainda que a conduta de Wilker seja avaliada "de acordo com os fatos efetivamente ocorridos e dentro do devido processo legal, sem antecipação de culpa ou responsabilização por atos praticados por terceiros".
Por fim, a sigla declarou que continuará acompanhando o caso e confia que as autoridades "esclarecerão as circunstâncias e as responsabilidades de cada um dos envolvidos".
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