Entrevista | Kiko Caputo (Novo) | Candidato ao GDF

"Votos são do Arruda, não do PSD", afirma Caputo em sabatina do Correio

Concorrente ao Buriti acredita que apoio do partido do ex-governador a Celina Leão não se converterá em resultados na urna. "Quando a gente abrir as urnas, a turma da política vai tomar um susto", declarou o candidato

"Esta vai ser uma semana de muita definição e de muita mudança", garante o candidato do Novo ao GDF -  (crédito: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)
"Esta vai ser uma semana de muita definição e de muita mudança", garante o candidato do Novo ao GDF - (crédito: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)

Candidato ao Governo do Distrito Federal, Kiko Caputo (Novo) pretende, caso seja eleito, reestruturar a saúde pública da capital. A medida passa pela contratação de mais profissionais, incluindo médicos, enfermeiros, assistentes sociais e dentistas, entre outros. Confira, a seguir, os principais pontos da sabatina de Caputo no Podcast do Correio, conduzida pelas jornalistas Ana Maria Campos e Denise Rothenburg, nesta terça-feira (29/9).

Com a saída de José Roberto Arruda, o PSD declarou apoio a Celina Leão. O que isso muda na campanha e na sua estratégia?

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A eleição é outra. A decisão da Justiça Eleitoral, que retirou da disputa o ex-governador, muda tudo. Esta vai ser uma semana de muita definição e de muita mudança. Acho que, quando a gente abrir as urnas, a turma da política vai tomar um susto. O que vimos na sequência da saída do governador é constrangedor, porque a gente vê um partido dar um cavalo de pau, mudar 180º a sua direção e ir para o lado oposto ao que estava indo até ontem. E o pior de tudo é a forma autocrática como foi feito. Eu mesmo recebi vários candidatos que se postaram de forma firme contra essa mudança radical de posição. É contra essa velha política que resolvi me apresentar, porque a população está enojada da política. Não aguenta mais. São esses joguinhos do sistema que vão se protegendo. São interesses muito altos, que só se preocupam com os partidos e os políticos. Com a população, ninguém está nem aí.

Nesse processo de saída do Arruda e apoio a Celina, o próprio Arruda deixou claro que não a apoia e citou que outros candidatos são muito mais próximos do plano de governo dele do que a governadora. Essa manifestação do Arruda pode levar o eleitor dele, mesmo com o apoio do PSD, a não apoiar a Celina?

Aqui no Brasil, quando resolvi ser candidato, achava engraçado porque a primeira pergunta era sobre meu partido. E eu não tinha partido. Só fui ter partido em 2 de abril, mas era a primeira preocupação do povo. Hoje, estou no Partido Novo e nunca mais ninguém me perguntou sobre qual partido estou. Aqui no Brasil, ninguém está nem aí para partido. Tirando o PT, que carrega um ranço alto e rejeição expressiva, ninguém quer saber. No máximo, perguntam se é de direita ou esquerda. As pessoas votam em nomes, e o nome do ex-governador ainda tem uma expressão política importante na cidade. Os votos são todos dele. Não é nada do partido. Tenho certeza de que, com essa manifestação pública que ele deu, de que não votaria na Celina, ela vai ter uma notícia ruim. Porque ela está cometendo tantas ilegalidades nessa campanha que só o meu partido já fez seis ações de investigação contra ela. Posso garantir que, se eleita, ela talvez não tome posse. Se tomar posse, não termina o mandato.

Vários candidatos dizem que foi Celina que tirou o Arruda, mas como isso foi possível, se foi uma decisão judicial? Como ela teria agido?

Agir jogando o jogo que o Judiciário joga. Antigamente, tínhamos um Judiciário técnico. Há 39 anos frequento o Supremo, sou ex-aluno de três ex-presidentes. Tinha por aquela Casa uma admiração extraordinária. Mas hoje estamos vendo que o Supremo está dividido quase que de forma partidária, e não é diferente nos outros tribunais, ainda mais nos eleitorais. Vemos a acomodação das forças políticas para ajudar ou atrapalhar os eventuais interesses pessoais. Temos visto cenas surreais. Acontecimentos que nos impressionam. Revelações estarrecedoras. A gente conhece um outro Judiciário, e o que temos visto hoje é lamentável.

Se for eleito, quais serão suas primeiras medidas?

Primeiro, precisamos abrir novos concursos para a área médica, para enfermeiros, médicos. Precisamos fazer um redesenho da rede, na educação, na saúde, mas a primeira medida é a contratação de novos médicos e novos enfermeiros, assistentes sociais, dentistas. Tem concursos que estão válidos e podemos aproveitar. Outros vamos abrir, mas precisamos, de forma emergencial, cuidar da saúde. Ainda têm muitos vazios assistenciais, mas acredito que seriam necessárias mais umas 600 equipes de Saúde da Família para darmos uma cobertura digna. Apostando nessa forma de assistência, resolvemos 80% dos problemas, porque acaba com a pressão nas UPAs e nos hospitais. O que ocorre é que a saúde básica está falhando, há uma pressão desmedida nas UPAs e, mais ainda, nos hospitais. A falta de gestão na saúde tem atrapalhado todo o sistema. O sistema que temos é bom. Vou manter o Iges-DF, mas funcionando de uma forma completamente diferente. Precisamos dar um choque de honestidade, porque virou antro de corrupção, e choque de gestão. Precisamos colocar pessoas preparadas para gerir a saúde. Ali virou um cabide de emprego. Como todos os órgãos do governo, só serve para conquistar base parlamentar de apoio e acomodar cabos eleitorais, mas não estão preocupados com a população. Meu foco é o atendimento à população.

E orçamento para isso, uma vez que as contas do DF passam por dificuldades?

O Tribunal de Contas apontou, em um estudo, que o deficit contratado do DF, hoje, é de R$ 5 bilhões para este ano, o que é uma temeridade. E não sabemos em quais condições vamos encontrar as contas públicas, porque este governo é inimigo da transparência. Não há controle social algum sobre o governo, porque não há transparência. Esse ambiente de caos é o mais propício para a corrupção. Isso não é por acaso, é método. Quando você coloca essa falta de coordenação e integração, isso tudo é o ambiente que eles preferem para cometer os atos ilícitos aos olhos de todos. A população está anestesiada. Ninguém aguenta mais tanto escândalo. Os servidores públicos são treinados para gerir a máquina pública. O que se faz hoje com esse loteamento eleitoreiro e irresponsável é desestimulante para o servidor público. O servidor público passa em um concurso difícil, entra pela porta da frente, se prepara e, na hora de assumir um cargo de direção, vem uma indicação política de um deputado. O servidor está adoecendo. Da educação, da saúde, da segurança. Principalmente mentalmente, porque o Estado não está dando assistência nenhuma.

Assista à íntegra da entrevista:

 

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postado em 30/09/2026 05:00
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