O Correio perguntou aos concorrentes ao Palácio do Buriti quais são suas propostas para fortalecer a cultura no Distrito Federal, tanto em termos de promoção da cidadania quanto em relação ao fomento da economia criativa, pois é um direito fundamental do cidadão. Entre as iniciativas estão o reforço do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), reformas em teatros e museus, democratização do acesso ao segmento nas regiões administrativas e a destinação de uma parte maior do orçamento a esse setor.
Cultura como identidade
A governadora e candidata à reeleição, Celina Leão (PP), aponta a descentralização dos equipamentos públicos e o fortalecimento do mercado de trabalho do setor como eixos centrais de sua proposta. "Cultura, para mim, é identidade. É o que dá alma à nossa cidade. Por isso, estamos levando e vamos intensificar as políticas culturais para todas as regiões do DF, fortalecendo o FAC e nossas bibliotecas, e vou entregar o Teatro Nacional Claudio Santoro totalmente reformado para a população que tanto ama esse espaço", afirma.
Celina projeta ações para dinamizar a economia criativa na área central da capital. "Também quero abrir mais portas para quem vive de arte: crédito, formalização e oportunidades reais para artistas e produtores, com a economia criativa ganhando um novo polo no Setor Comercial Sul", acrescenta.
Ex-governador e candidato pelo PSD, José Roberto Arruda pauta suas propostas na reestruturação da gestão do fomento e no resgate do patrimônio arquitetônico e histórico do DF. "O Fundo de Apoio à Cultura do DF, criado em meu governo, deve ser melhor gerido para voltar a ser garantia para artistas e agentes culturais de que seus projetos sairão do papel. A classe artística de Brasília está renegada, mas nós vamos mudar essa realidade", ressalta.
Arruda afirma que o Festival de Cinema de Brasília terá prioridade em sua gestão e prometeu a conclusão das obras do Teatro Nacional, a reforma do Museu de Arte de Brasília (MAB) e do Panteão da República, além da requalificação do Complexo Cultural Clube do Choro, com a criação de seu Centro de Memória e Pesquisa.
Leandro Grass, candidato pelo PT, foca na criação de equipamentos descentralizados nas regiões administrativas, na desburocratização de recursos e no resgate da memória da capital. "Espaço cultural público em toda região administrativa — o pedido mais consensual da escuta popular —, com oficina, biblioteca e show perto de quem hoje cruza a cidade atrás de cultura. Fundo próprio de fomento, estável e desburocratizado, para o artista viver do seu trabalho", destaca.
O candidato propõe uma estrutura dedicada à preservação do patrimônio, com o desenvolvimento da Fundação do Patrimônio Cultural do DF, "que eu vou criar com a experiência de quem dirigiu o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional)", pontua, e com o fomento da economia criativa como motor de emprego. "Brasília é Cidade Criativa do Design da Unesco, com força no audiovisual, na música e na gastronomia. Cultura, para mim, é bem-estar da comunidade e é renda para quem produz".
Geração de renda
A consolidação da cultura como ferramenta de desenvolvimento social e oportunidade para os jovens é o foco da candidata Paula Belmonte (PSDB), que defende a simplificação dos mecanismos de incentivo. "Quero fazer da cultura uma política de qualidade de vida e de desenvolvimento econômico. Vou valorizar os artistas e produtores locais, fortalecer os espaços culturais e ampliar o acesso à cultura em todas as regiões do DF, com atenção especial às nossas crianças e jovens", ressalta.
Paula apontou o potencial da produção local para a geração de renda, com o fortalecimento da economia criativa, acesso simplificado ao fomento e condições para que cultura, audiovisual, música, artesanato e outros setores criativos gerem emprego, renda e oportunidades. "Brasília tem talento e diversidade para ser também uma potência da economia criativa", diz.
Com foco no incremento financeiro direto, Kiko Caputo (Novo) propõe medidas para ampliação do orçamento e a transformação dos equipamentos culturais em centros de formação nas regiões administrativas. O candidato defende aumentar o repasse constitucional ao FAC dos atuais 0,3% para 0,5% da receita líquida, além de democratizar o acesso ao segmento, garantindo uma programação permanente com festivais, feiras e circuitos culturais em todas as cidades.
"A economia criativa será estimulada em áreas, como audiovisual, música, teatro, design, moda, artesanato e games, integrada ao turismo, à inovação e ao desenvolvimento econômico para gerar emprego e renda", detalha o candidato do Novo.
A descentralização orçamentária e a valorização das identidades culturais nas periferias orientam o projeto de Ricardo Cappelli (PSB), que critica a concentração de eventos na área central de Brasília. "Eu vou construir, na Ceilândia, o Centro de Tradições Nordestinas Luiz Gonzaga. Vai ser um grande centro cultural permanente, valorizando a cultura nordestina, que está muito presente naquela região", afirma.
Cappelli defende a destinação de verbas específicas diretamente para as cidades, a fim de fortalecer centros culturais locais. "Não é razoável que as pessoas tenham que vir todos os dias para o Plano trabalhar e, nos finais de semana, para ter acesso à cultura, tenham que vir novamente para cá. Nós temos que descentralizar, somando ao desenvolvimento da economia criativa fomentado nas cidades".
O Estado precisa ser cobrado
Desvalorização
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