
O produtor Guilherme Pereira, da Piscicultura Olimpo, viu na propriedade da família, localizada na Ponte Alta, uma vocação natural do terreno que não estava sendo aproveitada: o que antes eram recursos hídricos ociosos tornaram-se, há 12 anos, tanques escavados para a produção de tilápia. "Produzimos tilápia, porque é um peixe de boa aceitação no mercado, que te dá uma oportunidade de venda mais ampla, porque atende vários mercados, e tem uma demanda crescente", explica o piscicultor. "Além disso, casa com a produção porque a tilápia se adapta melhor à região que outros peixes."
A união entre a demanda de mercado e a melhor adaptabilidade da espécie faz com que o cultivo de tilápia figure não só no topo da produção da piscicultura brasileira, como também na do Distrito Federal. Segundo dados da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF), 95% da produção local é voltada à espécie — os outros 5% abarcam peixes como tambaqui, pacu e pintado.
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O órgão calcula que o DF tem, atualmente, 1.073 piscicultores. Em 2025, foram produzidas 2,6 mil toneladas de peixe, um aumento ante as 2,1 mil toneladas de 2024. O número deste ano ainda será fechado. As áreas de cultivo concentram-se, principalmente, em Ceilândia (com 201 produtores, o equivalente a 18,75% do total) e no Gama (194 produtores, representando 18,10% do total). "A piscicultura é motivada pela alternativa de produção nas pequenas propriedades rurais e geração de renda", afirma Adalmyr Borges, coordenador do Programa de Aquicultura da Emater-DF.
A produção de Guilherme atinge cerca de 200 toneladas por ano. O cultivo é focado em três fases: reprodução, recria (formação de peixes juvenis) e engorda (até chegar ao ponto de consumo). O patamar elevado de produção permitiu ao piscicultor superar uma dificuldade enfrentada por pequenos produtores: a colocação no mercado formal.
"Muitos escolhem ficar no mercado informal porque não têm volume, porque é a única possibilidade de sobrevivência. Muitos outros ficam no mercado informal por ele ser mais atrativo", diz. "A cadeia precisa se organizar para deixar de acessar mercados informais e procurar os formais, que oferecem mais segurança jurídica e sanitária. Mas é entendido que ele vai remunerar menos o produtor, apesar de ter mais volume."
Para o piscicultor, uma das soluções está na organização dos pequenos produtores. "Não vale a pena para pequenas produções. Tem que ter uma união de produtores, organização por meio da cooperativa para que produções de pequeno volume se juntem", afirma. Borges compartilha da mesma opinião. "A ideia é regularizar a comercialização deles e alcançar o mercado formal, atender peixarias, supermercados e restaurantes, o que amplia os canais de comercialização", diz.
Dificuldades
Outras questões financeiras, como o acesso a crédito, dificultam o crescimento da piscicultura no Distrito Federal. "Enfrentamos margens apertadas, dificuldade de financiamento, com taxas de juros muito altas. Temos que custear o peixe até estar pronto para termos a realização. Investimos por 10 meses para ter a receita só depois", conta Guilherme. "Muitas vezes, não temos acesso ao crédito e, quando temos, são caros. Buscamos parceiros, produzimos em maior escala, tentando também não concentrar as vendas num único período", complementa.
Para Adalmyr Borges, a informalidade é o maior obstáculo para acesso às linhas de crédito: "O banco não vai emprestar dinheiro se não sabe para onde o produtor vai vender". Por isso, a Emater-DF busca auxiliar os produtores tanto em inovações tecnológicas como em contratos de comercialização.
Uma dessas tecnologias é um tanque de irrigação revestido por membrana plástica. A inovação, já usada em algumas pisciculturas do DF, permite aos produtores usarem a água armazenada em diferentes áreas (como piscicultura e irrigação de grãos, por exemplo) e, ao mesmo tempo, impede a perda de água, o que melhora a eficiência das produções.
A reutilização de recursos é uma das práticas adotadas pelos piscicultores para reduzir custos de produção. "Procuramos otimizar esses custos e aproveitar toda a estrutura. Aqui, buscamos a vertente da bovinocultura de corte para pegar a água do tanque e realmente construir a economia circular e sobreviver nesse mercado de achatamento de margem", diz Guilherme.
Outra novidade do setor para este ano foi a assinatura de um acordo entre os piscicultores locais e a Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEE-DF) para o fornecimento de filé de tilápia para as escolas. "Essa notícia vem estimulando outros produtores. Ano passado, comparado ao ano anterior, tivemos um aumento de 22% na produção. Antes era comprado de outras regiões e, trabalhando com os produtores, agora estamos começando a substituir", afirma Borges.
*Estagiária sob supervisão de Tharsila Prates
Cidades DF
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