Lazer

Calor de 34°C expõe falta de piscinas públicas para lazer no DF

Diante do alerta laranja para baixa umidade e calor no DF, moradores dependem unicamente da piscina pública do Parque Saburo Onoyama, em Taguatinga. Entraves estruturais mantêm outras áreas aquáticas desativadas, e opções escassam

Piscinas da Água Mineral seguem interditadas desde fevereiro deste ano -  (crédito: Joao Stangherlin/ ICMBio)
Piscinas da Água Mineral seguem interditadas desde fevereiro deste ano - (crédito: Joao Stangherlin/ ICMBio)

Com temperatura máxima de 34ºC e umidade relativa do ar de apenas 12% — índices registrados nesta sexta-feira (9/10) no DF, a busca por alternativas de lazer e alívio térmico é frequente, mas os moradores têm tido poucas opções no acesso aos espaços aquáticos públicos da capital, que está sob alerta laranja do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Atualmente, há apenas um local público com piscina em funcionamento regular: o Parque Ecológico Saburo Onoyama, em Taguatinga, aberto de quinta-feira a domingo.

A Água Mineral, localizada no Parque Nacional de Brasília e querida pelos brasilienses nos dias de calorão, está com suas duas piscinas — Areal e Pedreira — interditadas desde 24 de fevereiro. Avaliações técnicas identificaram comprometimentos estruturais, como infiltrações, processos erosivos, falhas nos sistemas de vedação e drenagem. Sem previsão oficial de reabertura, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) reduziu o valor do ingresso pela metade (R$ 20 a inteira) para uso das trilhas e áreas verdes.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

Outro local, que foi uma opção para a população no passado, mas segue em obras, é a Piscina Ondas, no Parque da Cidade. Desativada desde 1997, a estrutura passa por revitalização, com investimento de R$ 18 milhões executado pela Companhia de Urbanização da Nova Capital do Brasil (Novacap). A estatal informa que o empreendimento registra 24% de execução física e 5,17% de execução financeira, com previsão de entrega para o primeiro semestre de 2027.

Para Frederico Flósculo, urbanista e professor da Universidade de Brasília (UnB), a escassez de opções reflete escolhas de planejamento e de gestão dos recursos hídricos. "É plenamente viável a implementação de dezenas de piscinas públicas no DF, distribuídas de modo que cada região administrativa conte com, ao menos, uma ou duas unidades. O entrave reside na ausência de um planejamento governamental voltado prioritariamente ao bem-estar da população", avalia.

Oásis

O Parque Ecológico Saburo Onoyama absorve a demanda de frequentadores de regiões como Ceilândia, Samambaia e Taguatinga. Segundo o Instituto Brasília Ambiental (Ibram), o parque recebe cerca de 18 mil visitantes por mês e mantém a piscina fechada de segunda a quarta-feira para manutenção, liberando o uso de quinta-feira a domingo. O órgão pontua que o sistema de filtragem atende à demanda nos períodos de seca.

Quem frequenta o parque opina sobre a estrutura. O designer gráfico José de Deus, 32 anos, frequenta o espaço a cada duas semanas. "Para mim é muito bom, talvez seria melhor se limpassem com uma frequência maior, porque às vezes eu acho que ela está meio suja na parte mais rasa. Mas, no geral, acho bem cuidada. Seria bom até se pudessem expandir, ter outra piscina, quem sabe", diz o morador de Arniqueira. 

  • Parte da vegetação atingida pelas chamas na Faculdade de Educação Física da UnB nesta sexta-feira (9/10)
    Parte da vegetação atingida pelas chamas na Faculdade de Educação Física da UnB nesta sexta-feira (9/10) Beatriz Ocké/C.B/D.A Press
  • A previsão é de baixa umidade e altas temperaturas nesta sexta (9/10) e para o fim de semana
    A previsão é de baixa umidade e altas temperaturas nesta sexta (9/10) e para o fim de semana Ed Alves/CB/D.A Press
  • Estrutura atual das piscinas da Água Mineral
    Estrutura atual das piscinas da Água Mineral Joao Stangherlin/ ICMBio
  • Piscina do Parque Saburo Onoyama, em Taguatinga
    Piscina do Parque Saburo Onoyama, em Taguatinga Elias Frazão/CB/DA Press
  • José de Deus e amiga na piscina do Parque Saburo Onoyama
    José de Deus e amiga na piscina do Parque Saburo Onoyama Elias Frazão/CB/DA Press
  • Viviane Soares, Maria de Lurdes e José Willian no  Parque Saburo Onoyama, em Taguatinga
    Viviane Soares, Maria de Lurdes e José Willian no Parque Saburo Onoyama, em Taguatinga Elias Frazão/CB/D.A Press
  • Piscina de Ondas do Parque da Cidade em 1984
    Piscina de Ondas do Parque da Cidade em 1984 Wilson Pedrosa/ENCDF/D.A Press

A assistente administrativa Vanessa de Oliveira, 40, destaca a importância da equipe de segurança no local. "Tem um vigilante na entrada, muito receptivo, além dos salva-vidas, que nos deixam mais tranquilos para aproveitar o espaço. Isso torna o parque uma ótima opção de lazer", elogia a moradora do Riacho Fundo 2. O livreiro José Willian, 34, morador do Riacho Fundo 1, observou a área verde em sua primeira visita: "É muito arborizado, bem cuidado e preservado. Uma boa opção de lazer".

A estudante Maria Eduarda, 18, por outro lado, faz ressalvas quanto ao controle de acesso. "Aqui tem muitas pessoas em situação de rua, e os matos estão cada vez mais altos. Não há revista para entrar, então, muita gente usa essa falha para fumar no local", relata.

Resposta

Sobre a Piscina com Ondas, no Parque da Cidade, a Novacap detalha que os trabalhos envolvem a conclusão das estruturas do rio lento (parte 70% concluída), a conclusão das instalações hidrossanitárias (60%), a reforma de passarelas, assentamento de revestimentos e a preparação das casas de máquinas. Os equipamentos de propulsão de água já foram entregues. A forma de acesso e a capacidade diária de atendimento serão definidas pelo órgão responsável pela futura gestão do complexo.

No caso da Água Mineral, o processo administrativo licitatório para as obras de recuperação estrutural das piscinas de águas naturais está em andamento, segundo o ICMBio. "A sociedade será informada sobre os próximos passos após a conclusão do processo licitatório. Os demais atrativos do Parque Nacional de Brasília permanecem abertos à visitação, incluindo a Trilha da Capivara, com o Banho de Floresta; a Ilha da Meditação; as trilhas do sistema Cristal Água; e o Arco Brasília, travessia que conecta o parque à Floresta Nacional de Brasília (Flona Brasília). Os visitantes também contam com pontos de hidratação e chuveiros", informou o Instituto, em nota.

Planejamento urbano

O urbanista Frederico Flósculo complementa que o DF dispõe de potencial hídrico que poderia ser utilizado em redes de piscinas públicas, citando a captação de água da chuva. "Apenas em Águas Claras, por exemplo, o volume captado das chuvas seria suficiente para abastecer de 50 a 60 piscinas olímpicas; um potencial técnico aplicável a qualquer outra região administrativa, como Ceilândia, Taguatinga, Arniqueiras, Planaltina, São Sebastião e Santa Maria", detalha.

O professor menciona o histórico do uso coletivo da água como referência técnica. "Assim como o Plano Piloto de Lúcio Costa bebeu da fonte do urbanismo romano, a civilização romana compreendia o papel estratégico da água no cotidiano. As casas romanas utilizavam o impluvium, um sistema de captação de água pluvial em pátios internos, e o Império Romano disseminou o conceito de banhos públicos por todo o seu território, entendendo o lazer aquático como um pilar da vida urbana", explica.

Flósculo defende a coordenação entre as Administrações Regionais e os órgãos técnicos do Governo do Distrito Federal (GDF), sugerindo o uso do suporte de engenharia da Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb), para viabilizar projetos de lazer aquático e esporte nas demais cidades do DF.

Serviço

Funcionamento do Parque Ecológico Saburo Onoyama

» Parque (área verde e trilhas): aberto todos os dias, das 6h às 18h

» Piscina pública: aberta de quinta a domingo, das 9h às 16h

» Endereço: QSD Área Especial com QSC 26, Taguatinga Sul

» Valor: gratuito

 

*Estagiário sob a supervisão de Tharsila Prates

  • Google Discover Icon
postado em 10/10/2026 05:00
x