Eleições 2026

"Decretaremos emergência na saúde", afirma Leandro Grass (PT)

Ao Podcast do Correio, candidato petista ao governo defende frente ampla no DF, promete plano de enfrentamento às filas para exames, consultas e cirurgias; reestruturação do BRB; e realização de concursos para recompor serviços em áreas como educação e segurança

Leandro Grass (PT), candidato ao GDF, na Sabatina do Correio -  (crédito:  Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Leandro Grass (PT), candidato ao GDF, na Sabatina do Correio - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Em sabatina no Podcast do Correio, apresentado pelas jornalistas Denise Rothenburg e Ana Maria Campos, o candidato ao GDF pelo PT, Leandro Grass, analisou o cenário político do DF após os recentes desdobramentos na Justiça e detalhou suas estratégias e planos de governo, caso seja eleito. Durante a entrevista, o candidato abordou articulações para a construção de alianças para um eventual segundo turno, a busca pelo apoio do eleitorado independente e o enfrentamento às candidaturas adversárias. Na conversa, Grass apresentou suas propostas prioritárias para a gestão pública da capital, com foco na decretação de emergência climática e no combate às filas da saúde pública. O petista detalhou ainda diretrizes para mobilidade urbana, segurança pública, atração de investimentos e reestruturação do BRB, defendendo o fortalecimento dos concursos públicos e a recuperação da infraestrutura do DF. 

Com a saída de José Roberto Arruda e as divergências no PSB, como se constrói uma frente ampla no segundo turno?

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A gente está numa campanha um pouco diferente aqui em Brasília. Primeiro, porque existe um uso abusivo da máquina, da estrutura do governo. Estão tentando levar a eleição para o tapetão. O Arruda é um candidato que eu respeito desde o início, é um ex-governador, tem muita experiência, trouxe um programa de governo e nós temos dialogado. O projeto que o Arruda apresentou para a mobilidade urbana é muito semelhante ao nosso, que é o DF nos Trilhos. Há convergências, e é o momento de unidade, uma frente ampla para derrotar o atraso, a incompetência e a corrupção representadas por Celina e Ibaneis. Lideranças do PSD, Avante e PSB já nos procuraram. Sobre o Capelli, eu respeito muito, mas acho que ele está errando ao desalinhar do partido nacional. No primeiro momento, é um acordo programático. Não haverá nenhum compromisso antes da eleição, nem de cargo, nem de secretaria. Ganhando, começa a transição, aí, a gente vai discutir os cargos.

Como pretende dialogar com a Câmara Legislativa e governar para além do eleitorado de esquerda?

A gente tinha uma tese de que o eleitor que vota no presidente vota no governador dele, mas aqui e em outros lugares já foi ao contrário. Existe uma percepção do eleitor sobre a territorialidade, ou seja, o que essa pessoa é capaz de fazer por mim onde moro. O que nós temos mostrado é que quem tem a melhor condição de resolver o transporte, a saúde, a educação e a segurança não é a Celina. É preciso que haja diálogo, independentemente de quem seja o presidente. Sobre a Câmara Legislativa, quero propor um pacto em torno do que é urgente e prioritário para a população. A Câmara respeita o governo, o governo respeita a Câmara. Eu não quero a Câmara subordinada a mim e também não quero ficar com a faca no pescoço o tempo inteiro. Dá para ter diálogo, inclusive, com parlamentares de perfil conservador. Não serei governador só de quem votou na esquerda.

Quais serão suas primeiras medidas para a saúde e a gestão de pessoal?

A primeira medida é decretar emergência e implementar o plano de enfrentamento da crise da saúde, o plano de enfrentamento da fila: exames, consultas e cirurgias. A gente já tem toda uma estratégia montada com o Ministério da Saúde junto: trazer mais médicos, o Agora Tem Especialista, telessaúde, contratar a rede privada filantrópica e entrar forte com mutirões nos fins de semana. Vamos radicalizar a atenção primária, o "Saúde Perto de Casa". Precisa contratar agente comunitário de saúde, enfermeiro, técnico e psicólogo. Vamos fazer concurso de professor e reduzir os temporários, porque não tem como 60% dos professores serem temporários, é inviável. Faremos concursos periódicos também para policiais, bombeiros e áreas deficitárias. Hoje é muito espaçado. A gente tem muito deficit de veterinário na Seagri, na Emater, onde precisa ter concurso também. Então, hoje, existe muito desabastecimento em várias áreas. A gente vai ter que fazer um bom planejamento, um cronograma e começar a organizar.

O PT teve dois governadores no DF: Cristovam Buarque, que, à época, era do partido, e Agnelo Queiroz. Quais medidas adotadas por eles que o senhor considera sucesso e que adotaria, caso seja eleito?

O Cristovam Buarque e a Arlete Sampaio (que era vice-governadora na gestão dele) implementaram o Saúde em Casa. Esse programa virou o Saúde da Família, que é a atenção primária. É a Saúde Perto de Casa, como eu chamo no meu programa. Isso aí eu vou radicalizar. Saúde perto de casa é fundamental: exame, consulta básica, vacina, pré-natal.

Como planeja reestruturar a máquina pública e descentralizar a administração?

Está faltando um "prefeitão" em Brasília. Alguém que ande na rua, um governador prefeito que vá lá visitar de noite o hospital para ver como está, sem avisar. Vou ocupar plenamente o Centro Administrativo (Centrad) para reduzir gastos com aluguel e reorganizar as contas. A descentralização é importante para a economia e o trânsito de Ceilândia, Taguatinga, Samambaia e Águas Claras. Sobre as secretarias, teremos quantas forem necessárias para fazer o que a gente tem que fazer. Pautas como a da pessoa com deficiência devem ser transversalizadas na saúde, educação e transporte, em vez de ficarem isoladas em estruturas sem orçamento.

Quais são suas propostas para a segurança pública e o combate ao crime organizado?

Localmente, o aumento de roubo, furto, latrocínio e feminicídio é fruto de uma política fracassada. Primeiro: inteligência e integração. Essa lenda de que a Polícia Civil e a Polícia Militar não conversam tem que acabar. Criaremos comitês regionais de segurança e centrais descentralizadas de monitoramento em tempo real em cada região administrativa, integrando batalhões e delegacias, além de aplicar reconhecimento facial e reforçar a iluminação pública. Também vamos estruturar protocolos eficientes de proteção à mulher, fortalecendo as patrulhas Maria da Penha e as delegacias especializadas.

Que modelo o senhor considera adequado para a segurança pública? Um secretário forte, que despache com o senhor, sendo que ele seria o chefe-coordenador das forças de segurança? Ou as forças de segurança despachando diretamente com o senhor?

O desenho de governança da segurança que a gente planeja é o seguinte: secretário apoiado em um comitê, uma comissão de segurança formada pelas forças e pelas inteligências de cada órgão que se conecta com a segurança. Por exemplo: DF Legal é um órgão importante, então, vai ter um representante ali também, junto com a Polícia Militar, Polícia Civil, Bombeiros, Polícia Penal. A Secretaria de Meio Ambiente, devido à grilagem; a gente tem um sistema lá que era para estar funcionando. A Celina não deixou funcionar. Ele se chama Sistema Distrital de Informações Ambientais (Sisdia). O gestor do Sisdia lidera e me reporta.

Com reuniões diárias?

Isso vai ser definido no planejamento do início do governo. Será dentro do planejamento, dentro do fluxo que a gente estabelecer. Mas tem que ser no mínimo semanal.

Qual a sua estratégia para a preservação ambiental e o combate aos impactos climáticos?

Na primeira semana de governo, nós vamos decretar emergência climática. Isso significa um conjunto de estratégias que vão ter mais flexibilidade e urgência: programas de reflorestamento e reordenamento territorial. Vamos ter ações de tratamento em áreas de vulnerabilidade, garantindo moradia digna para essas famílias fora de áreas de nascentes e de sensibilidade hídrica. Vamos revisar o Pdot, fortalecer a agricultura familiar na Bacia do Descoberto e retomar o (programa) Produtor de Água, remunerando quem preserva.

Como pretende atrair investimentos e reestruturar a sustentabilidade financeira do BRB?

Estamos propondo Brasília Capital da Tecnologia, colocando a cidade no eixo do desenvolvimento econômico e tecnológico para atrair empresas e exportar soluções, captando financiamentos com BNDES e CAF. A Terracap vai mudar no meu governo: vai virar uma agência de desenvolvimento, com carteira de projetos e captação de fundos. Sobre o BRB, faremos uma auditoria independente de balanço e chamaremos o Fundo Garantidor, a Fazenda e o Banco Central. Quem tem de pagar essa conta é o próprio BRB, não é o povo. Criaremos um planejamento de liquidez e capitalização para o banco arcar com isso.

Assista à sabatina

 

 


Frases

Está faltando um 'prefeitão' em Brasília. Alguém que ande na rua, um governador prefeito que vá lá visitar de noite o hospital para ver como está, sem avisar"

 

A gente já tem toda uma estratégia montada com o Ministério da Saúde junto: trazer mais médicos, o Agora Tem Especialista, telessaúde, contratar a rede privada filantrópica e entrar forte com mutirões nos fins de semana"


Criaremos comitês regionais de segurança e centrais descentralizadas de monitoramento em tempo real em cada região administrativa, integrando batalhões e delegacias, além de aplicar reconhecimento facial e reforçar a iluminação pública. Também vamos estruturar protocolos eficientes de proteção à mulher, fortalecendo as patrulhas Maria da Penha e as delegacias especializadas"

 

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postado em 02/10/2026 05:00
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