
Em sabatina no Podcast do Correio, apresentado pelas jornalistas Denise Rothenburg e Ana Maria Campos, o candidato ao GDF pelo PT, Leandro Grass, analisou o cenário político do DF após os recentes desdobramentos na Justiça e detalhou suas estratégias e planos de governo, caso seja eleito. Durante a entrevista, o candidato abordou articulações para a construção de alianças para um eventual segundo turno, a busca pelo apoio do eleitorado independente e o enfrentamento às candidaturas adversárias. Na conversa, Grass apresentou suas propostas prioritárias para a gestão pública da capital, com foco na decretação de emergência climática e no combate às filas da saúde pública. O petista detalhou ainda diretrizes para mobilidade urbana, segurança pública, atração de investimentos e reestruturação do BRB, defendendo o fortalecimento dos concursos públicos e a recuperação da infraestrutura do DF.
Com a saída de José Roberto Arruda e as divergências no PSB, como se constrói uma frente ampla no segundo turno?
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A gente está numa campanha um pouco diferente aqui em Brasília. Primeiro, porque existe um uso abusivo da máquina, da estrutura do governo. Estão tentando levar a eleição para o tapetão. O Arruda é um candidato que eu respeito desde o início, é um ex-governador, tem muita experiência, trouxe um programa de governo e nós temos dialogado. O projeto que o Arruda apresentou para a mobilidade urbana é muito semelhante ao nosso, que é o DF nos Trilhos. Há convergências, e é o momento de unidade, uma frente ampla para derrotar o atraso, a incompetência e a corrupção representadas por Celina e Ibaneis. Lideranças do PSD, Avante e PSB já nos procuraram. Sobre o Capelli, eu respeito muito, mas acho que ele está errando ao desalinhar do partido nacional. No primeiro momento, é um acordo programático. Não haverá nenhum compromisso antes da eleição, nem de cargo, nem de secretaria. Ganhando, começa a transição, aí, a gente vai discutir os cargos.
Como pretende dialogar com a Câmara Legislativa e governar para além do eleitorado de esquerda?
A gente tinha uma tese de que o eleitor que vota no presidente vota no governador dele, mas aqui e em outros lugares já foi ao contrário. Existe uma percepção do eleitor sobre a territorialidade, ou seja, o que essa pessoa é capaz de fazer por mim onde moro. O que nós temos mostrado é que quem tem a melhor condição de resolver o transporte, a saúde, a educação e a segurança não é a Celina. É preciso que haja diálogo, independentemente de quem seja o presidente. Sobre a Câmara Legislativa, quero propor um pacto em torno do que é urgente e prioritário para a população. A Câmara respeita o governo, o governo respeita a Câmara. Eu não quero a Câmara subordinada a mim e também não quero ficar com a faca no pescoço o tempo inteiro. Dá para ter diálogo, inclusive, com parlamentares de perfil conservador. Não serei governador só de quem votou na esquerda.
Quais serão suas primeiras medidas para a saúde e a gestão de pessoal?
A primeira medida é decretar emergência e implementar o plano de enfrentamento da crise da saúde, o plano de enfrentamento da fila: exames, consultas e cirurgias. A gente já tem toda uma estratégia montada com o Ministério da Saúde junto: trazer mais médicos, o Agora Tem Especialista, telessaúde, contratar a rede privada filantrópica e entrar forte com mutirões nos fins de semana. Vamos radicalizar a atenção primária, o "Saúde Perto de Casa". Precisa contratar agente comunitário de saúde, enfermeiro, técnico e psicólogo. Vamos fazer concurso de professor e reduzir os temporários, porque não tem como 60% dos professores serem temporários, é inviável. Faremos concursos periódicos também para policiais, bombeiros e áreas deficitárias. Hoje é muito espaçado. A gente tem muito deficit de veterinário na Seagri, na Emater, onde precisa ter concurso também. Então, hoje, existe muito desabastecimento em várias áreas. A gente vai ter que fazer um bom planejamento, um cronograma e começar a organizar.
O PT teve dois governadores no DF: Cristovam Buarque, que, à época, era do partido, e Agnelo Queiroz. Quais medidas adotadas por eles que o senhor considera sucesso e que adotaria, caso seja eleito?
O Cristovam Buarque e a Arlete Sampaio (que era vice-governadora na gestão dele) implementaram o Saúde em Casa. Esse programa virou o Saúde da Família, que é a atenção primária. É a Saúde Perto de Casa, como eu chamo no meu programa. Isso aí eu vou radicalizar. Saúde perto de casa é fundamental: exame, consulta básica, vacina, pré-natal.
Como planeja reestruturar a máquina pública e descentralizar a administração?
Está faltando um "prefeitão" em Brasília. Alguém que ande na rua, um governador prefeito que vá lá visitar de noite o hospital para ver como está, sem avisar. Vou ocupar plenamente o Centro Administrativo (Centrad) para reduzir gastos com aluguel e reorganizar as contas. A descentralização é importante para a economia e o trânsito de Ceilândia, Taguatinga, Samambaia e Águas Claras. Sobre as secretarias, teremos quantas forem necessárias para fazer o que a gente tem que fazer. Pautas como a da pessoa com deficiência devem ser transversalizadas na saúde, educação e transporte, em vez de ficarem isoladas em estruturas sem orçamento.
Quais são suas propostas para a segurança pública e o combate ao crime organizado?
Localmente, o aumento de roubo, furto, latrocínio e feminicídio é fruto de uma política fracassada. Primeiro: inteligência e integração. Essa lenda de que a Polícia Civil e a Polícia Militar não conversam tem que acabar. Criaremos comitês regionais de segurança e centrais descentralizadas de monitoramento em tempo real em cada região administrativa, integrando batalhões e delegacias, além de aplicar reconhecimento facial e reforçar a iluminação pública. Também vamos estruturar protocolos eficientes de proteção à mulher, fortalecendo as patrulhas Maria da Penha e as delegacias especializadas.
Que modelo o senhor considera adequado para a segurança pública? Um secretário forte, que despache com o senhor, sendo que ele seria o chefe-coordenador das forças de segurança? Ou as forças de segurança despachando diretamente com o senhor?
O desenho de governança da segurança que a gente planeja é o seguinte: secretário apoiado em um comitê, uma comissão de segurança formada pelas forças e pelas inteligências de cada órgão que se conecta com a segurança. Por exemplo: DF Legal é um órgão importante, então, vai ter um representante ali também, junto com a Polícia Militar, Polícia Civil, Bombeiros, Polícia Penal. A Secretaria de Meio Ambiente, devido à grilagem; a gente tem um sistema lá que era para estar funcionando. A Celina não deixou funcionar. Ele se chama Sistema Distrital de Informações Ambientais (Sisdia). O gestor do Sisdia lidera e me reporta.
Com reuniões diárias?
Isso vai ser definido no planejamento do início do governo. Será dentro do planejamento, dentro do fluxo que a gente estabelecer. Mas tem que ser no mínimo semanal.
Qual a sua estratégia para a preservação ambiental e o combate aos impactos climáticos?
Na primeira semana de governo, nós vamos decretar emergência climática. Isso significa um conjunto de estratégias que vão ter mais flexibilidade e urgência: programas de reflorestamento e reordenamento territorial. Vamos ter ações de tratamento em áreas de vulnerabilidade, garantindo moradia digna para essas famílias fora de áreas de nascentes e de sensibilidade hídrica. Vamos revisar o Pdot, fortalecer a agricultura familiar na Bacia do Descoberto e retomar o (programa) Produtor de Água, remunerando quem preserva.
Como pretende atrair investimentos e reestruturar a sustentabilidade financeira do BRB?
Estamos propondo Brasília Capital da Tecnologia, colocando a cidade no eixo do desenvolvimento econômico e tecnológico para atrair empresas e exportar soluções, captando financiamentos com BNDES e CAF. A Terracap vai mudar no meu governo: vai virar uma agência de desenvolvimento, com carteira de projetos e captação de fundos. Sobre o BRB, faremos uma auditoria independente de balanço e chamaremos o Fundo Garantidor, a Fazenda e o Banco Central. Quem tem de pagar essa conta é o próprio BRB, não é o povo. Criaremos um planejamento de liquidez e capitalização para o banco arcar com isso.
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Está faltando um 'prefeitão' em Brasília. Alguém que ande na rua, um governador prefeito que vá lá visitar de noite o hospital para ver como está, sem avisar"
A gente já tem toda uma estratégia montada com o Ministério da Saúde junto: trazer mais médicos, o Agora Tem Especialista, telessaúde, contratar a rede privada filantrópica e entrar forte com mutirões nos fins de semana"
Criaremos comitês regionais de segurança e centrais descentralizadas de monitoramento em tempo real em cada região administrativa, integrando batalhões e delegacias, além de aplicar reconhecimento facial e reforçar a iluminação pública. Também vamos estruturar protocolos eficientes de proteção à mulher, fortalecendo as patrulhas Maria da Penha e as delegacias especializadas"
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