
A candidata a deputada distrital Keka Bagno (PSol) detalhou, em entrevista ao Podcast do Correio, propostas voltadas à redução dos impactos do alto custo de vida no Distrito Federal. Entre as medidas apresentadas estão a criação de espaços para acolhimento de crianças no período noturno e facilitadores para alugar imóveis. Aos jornalistas José Carlos Vieira e Ana Carolina Alves, a assistente social também falou sobre projetos voltados à população idosa e à cultura. Confira, a seguir, os principais pontos.
Quais são as suas bandeiras?
Fique por dentro das notícias que importam para você!
Entendemos que há uma situação muito peculiar em Brasília que é o alto custo de vida. Isso está causando dificuldades para a população, especialmente para a juventude. Então, temos duas propostas. Uma delas é o que chamamos de Espaço Coruja, que foi trazida por Marielle Franco quando ela era vereadora no Rio de Janeiro (RJ). Trata-se de ter cuidado e acolhimento para crianças no período noturno pensando em famílias que trabalham e estudam nesse horário. Isso é fundamental, tendo em vista um cenário de alta violência doméstica para mulheres, com o grande problema sendo a falta de autonomia financeira. Há os espaços físicos. São as creches e escolas. Falta o Estado fazer concursos públicos para ter servidores trabalhando. A outra proposta é o programa Aluguel sem fiador. No DF, há grande dificuldade com moradia. Sabemos que a Codhab não consegue atender as mais de 200 mil famílias inscritas. A juventude e pessoas que vêm de fora não conseguem alugar imóveis nos centros urbanos porque é preciso ter dois fiadores, um deles com imóvel quitado no DF, e ter três vezes o valor do aluguel. Fizemos um estudo e conseguimos comprovar que os dois fundos que temos no DF, o Fundhis e o Fundurb, podem ser usados como o GDF sendo um dos fiadores para as pessoas. É possível fazer fazer isso tanto para quem recebe ate seis, 10 salários mínimos quanto para quem é de baixa renda. Outras propostas são o transporte gratuito e conseguir implementar as recomendações da CPI do feminicídio, feita em 2019.
Quais são seus projetos voltados aos idosos?
Temos os centros de convivência, uma política da assistência social que existiu em diversos territórios do DF, mas que não existe mais. Também temos as PECs que foram construídas. Mas nada disso é utilizado porque se pensa no idoso dentro de uma caixinha. Eles não convivem com a cidade porque ela não é atrativa. O que temos é o esvaziamento cada vez maior dos espaços públicos. Temos a política, o serviço, e a lei. O que precisa é de interesse político para fazer funcionar. Isso, para nós, é prioridade.
Quais são as suas propostas para a economia criativa do DF?
Se não considerarmos a cultura como política pública, não tem como avançarmos. É preciso reconhecer que quem faz cultura é trabalhador. Ela gera turismo, gira a economia e traz as potencialidades das pessoas. O que mais tem auxiliado as mulheres a sair da situação de violência é usar suas potencialidades no artesanato. Precisamos modificar as leis que existem hoje. As feiras que estão acontecendo no DF são incríveis, mas elas não têm subsídio. É caro o valor que o feirante tem que dar de contrapartida para manter seu espaço. Quando começa a época de chuva, acabam as feiras. O Estado não garante uma estrutura. Temos uma Secretaria de Cultura que não tem concurso público há muito tempo. Para mim, é chocante a Lei do Silêncio, que reprime o pequeno estabelecimento, multando-o de R$ 20 a R$ 50 mil por causa de, às vezes, uma ou duas denúncias. Mas mudam o trânsito para grandes eventos. Não estou falando que não tem que ter esses grandes eventos. Defendo-os. Mas também defendo microempresário, microempreendedores e ambulantes tenham direito ao trabalho.
*Estagiária sob supervisão de Márcia Machado
Saiba Mais
Cidades DF
Cidades DF
Cidades DF