Eleições 2026

Idosos e adolescentes ressaltam a importância de exercer o direito ao voto

Cidadãos com mais de 70 anos e jovens de 16 e 17 anos não são obrigados a votar. Apesar disso, eleitores nessas faixas etárias reforçam a importância de participar das eleições

 No Brasil, o voto não é obrigatório para eleitores de duas faixas etárias: idosos com mais de 70 anos e adolescentes de 16 e 17 anos. Mesmo assim, eleitores brasilienses que fazem parte desses grupos ressaltam a importância de participar da democracia e de se fazer ouvir na decisão dos representantes pelos próximos quatro anos. 

Desde jovem, Maria Nazaré de Oliveira enxerga nas eleições uma forma de melhorar o país. "É um direito muito bom, continuarmos lutando depois de velhos. Se batalhamos enquanto jovens, era para o Brasil seguir em frente cada dia melhor", diz. "Agora, depois de velhos, temos que lutar para ele melhorar mesmo."

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Hoje com 74 anos, a aposentada se lembra de quando uma conhecida tentou desencorajá-la a ir às urnas. "Ela disse que é muito besta ir votar, perder tempo, lutar por isso que não tem jeito. Mas só porque estamos velhos não estamos vivos, felizes, vivendo?", questiona.

Para ela, essa é uma oportunidade de levar jovens brasileiros aos lugares de poder. "Eu acho os jovens de hoje muito preocupados com o resultado do Brasil. Eles têm muita vontade de mudar, podíamos dar chance para esses jovens", pede. "Tenho meus filhos, netas e bisneta. Temos que lutar para, quando chegar daqui uns dias, eles terem um Brasil ainda melhor do que nós temos."

Maria Nazaré ainda se lembra da primeira eleição. Tinha 18 anos e era moradora do Núcleo Bandeirante, quatro anos antes de se mudar para Ceilândia, onde vive até hoje. Na época, ela lembra que sentiu a discriminação de ser uma mulher exercendo a cidadania. "Achavam que as mulheres não precisavam votar ou estudar. Mulher era só para ser mãe, dona de casa", conta. "Eu mesma, quando fui trabalhar no meu primeiro emprego, meu marido me tirou da empresa puxando pelos cabelos." Agora, comemora a mudança de pensamento na sociedade.

José Ribamar Cardozo, 75 anos, compartilha da visão de Maria Nazaré. "Vamos votar naqueles que achamos que pode melhorar o país, né? Estamos aqui para ver se melhora", diz. "Tem que continuar votando."

Maria Nazaré e José Ribamar são parte dos 17.251.915 brasileiros acima dos 70 anos de idade aptos a votar, número estimado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para as Eleições de 2026. No DF, 203.569 habitantes fazem parte desse grupo. Na Associação de Idosos de Ceilândia, a dupla encontra, na comunidade, a importância de exercer o direito ao voto.

Orgulho

Luiza Miranda diz que a sua última eleição poderia ter sido em 2018, quando tinha 67 anos. "Mas eu me sinto orgulhosa de participar, é muito importante. Até porque o nosso país está ficando envelhecido e nós temos boas experiências de vida", conta a copeira aposentada, hoje com 75 anos. "Aqui, todo mundo está bem conscientizado que tem que ir votar."

Ela ressalta que, desde os 18 anos, nunca faltou a uma eleição na vida: "Eu sempre participei de todas, nunca justifiquei nenhuma vez." Como Maria Nazaré, Luiza destaca uma antiga realidade do Brasil: a demora pela conquista do voto feminino. 

Direito conquistado em 1932 e incorporado à Constituição de 1934, o voto feminino só se tornou obrigatório — e equiparado ao dos homens — em 1965. Nas Eleições de 2026, as mulheres são maioria: representam 52,8% dos 158.745.463 cidadãos aptos a votar. "Era para ter sido com igualdade desde o princípio e não foi. Nós somos mulheres e cabemos em todos os lugares, seja no fogão, na urna, no Palácio, nós temos direitos", afirma Luiza. 

Apesar da maioria no eleitorado, o cenário nas candidaturas é outro: o TSE calcula que apenas 34% dos candidatos deste ano são mulheres - ou seja, 7.165 das 20.560 candidaturas registradas. A Lei das Eleições, de 1997, prevê que cada partido ou coligação precisa um mínimo de 30% e máximo de 70% de candidaturas de cada sexo. 

Contra o preconceito

Vera Santos, 79 anos, continua a votar pela esperança de um país melhor. "Para o benefício do nosso país, melhoria para os mais jovens. Porque, no meu caso, já estou de meio-dia para tarde", brinca. "Então, é para os mais jovens, sobrinhos, netos e filhos terem uma melhora nesse nosso Brasil, né? Que está danado."

Ela comemora a liberdade de poder se expressar, tanto pelo voto quanto no dia a dia. "As mulheres de antigamente, na minha época, eram donas de casa. Não podiam sair para trabalhar, porque os maridos não deixavam. Não podíamos assinar nada, porque tudo eram os homens. Nós temos a nossa liberdade, hoje em dia, para ser aquilo que quisermos."

Mulher negra, ela relembra que a resistência faz parte de sua vida. "Foi muita luta por causa da minha cor. Mas não se incomode não, que eu ando de cabeça erguida. Consegui lutar, estou aposentada há 20 anos, tenho minha casa, meus filhos e netos formados. Estou levando a minha vida. Tenho muito orgulho da minha cor."

Gerações mais novas

Se, no Brasil, pessoas com mais de 70 anos não são obrigadas a votar, o cenário é o mesmo no outro extremo da pirâmide etária: adolescentes de 16 e 17 anos podem participar das eleições, mas o voto é facultativo. No Centro de Ensino Médio da Asa Norte (Cean), porém, uma cena se repete: alunos que, mesmo aptos a votar, não haviam tirado o título de eleitor. 

No país, o TSE calcula que 1.634.244 jovens nessa faixa etária estejam com o título de eleitor válido para as votações de 2026. Desses, 19.194 são residentes do Distrito Federal. O número representa uma queda no número de eleitores válidos: em 2022, o órgão registrou 2.116.781 adolescentes aptos a participarem das eleições, com 31.307 jovens no DF.

Para Antônio de Castro, estudante de 16 anos, o incentivo da família é determinante para que os jovens se interessem por política. Foi a mãe que o incentivou a tirar o título de eleitor, mas ele explica que já pretendia fazê-lo por conta própria. "Se eu quero um governo ou país melhor para mim, então eu voto no que quero."

O jovem considera que é necessário que os jovens iniciem a vida adulta já conscientes da importância da política e da participação na democracia do país. "É importante que, a partir de 16 anos, já tirem o título para formarem um Brasil que achamos melhor para nós", incentiva.

Comparado a outras gerações, Antônio afirma que os colegas ainda precisam adquirir mais maturidade: "Às vezes, votam sem conhecer a pessoa direito." Por isso, o jovem ressalta que é necessário pesquisar sobre as propostas de cada um antes de ir às urnas, para entender o que, de fato, está sendo dito pelos candidatos.

Matheus Lima, também de 16 anos, vê, em casa, a polarização política. Mesmo assim, são os pais que o incentivaram a participar das eleições e escolher aqueles que melhor combinam com o que quer para o futuro. "Eles me pedem para escolher." Para ele, o voto é uma forma de buscar a melhoria da sua realidade. Em Brasília, isso significa lutar por um ensino melhor. "A escola em si está com muita falta de professores bons e, muitas vezes, nem professores tem", relata.

Ítalo Amaral, 16 anos, decidiu votar neste ano porque vê nas eleições uma forma de decidir o futuro do Brasil. "E se certo candidato que eu votei não fizer o que prometeu, eu posso cobrar, porque votei", complementa. Morador da Asa Norte e praticante de basquete, pede pela melhora das quadras esportivas da região. "Onde vou não tem quadra de basquete e, quando tem, não tem aro. Só quadra de futebol ou vôlei", reclama.

Os três jovens relatam que, no círculo de convivência, não veem os amigos com vontade de participar nas eleições. "A maioria do pessoal não tira o título, não sei por quê", lamenta Ítalo. Para Matheus, é necessário que os amigos e pais incentivem os jovens a participarem da política. "Acho que chegaria nele e falaria: dê uma olhada nas propostas desse cara, o que promete para melhorar esse governo", diz. 

Antônio conta que conseguiu convencer uma amiga a tirar o título de eleitor, mas a maioria dos colegas não deu importância ao conselho. "Eu acho que vem mais de casa. Não sou eu que vou mudar a vida deles, os pais precisam aconselhar", pede. "Acho que, se eu falar, não vai ter muita diferença. Mas eu tentei."

Com os amigos, o jovem ressalta a importância de participar das eleições e que os resultados podem ser vistos na vida de cada um. "Eu falo que é importante tirar o título, não vai fazer mal. É uma coisa para ele, voltada para a vida dele, não vai ser algo inútil."

*Estagiária sob supervisão de Tharsila Prates

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