Feminicídio

Familiares e amigos se despedem de Mayara Stephany, vítima de feminicídio

Mayara Stephany, 30 anos, morta a tiros na Candangolândia, foi sepultada neste sábado (17/10) sob forte comoção

Familiares e amigos  se despediram de Mayara Stephany Varela de Almeida Sousa, na tarde deste sábado (17/10), no Cemitério Campos da Esperança, na Asa Sul. Aos 30 anos, Mayara é a 19ª vítima de feminicídio do ano no Distrito Federal. A maioria dos presentes estava de branco, e o caixão foi coberto com a bandeira do Botafogo, time do coração dela. Um padre conduziu uma celebração antes do sepultamento.

A mãe, Josi Varela, 51, discursou e agradeceu o carinho recebido. Ela contou que a filha costumava dizer "mamãe, é eu por você e você por mim" e prometeu cuidar dos netos, Isis, de 3 anos, e Miguel, de 12. "Vou cuidar dos seus filhos com todo amor do mundo, por você e por todas as mulheres", afirmou. Josi disse ainda que a filha "morreu porque um homem resolveu que ela não tinha direito de viver" e pediu união entre as mulheres. "Vamos lutar para que não aconteça com outras mães. Que isso acabe."

Em entrevista ao Correio, Josi disse que tira forças dos netos e da rede de apoio de familiares e amigos. Ela descreveu Mayara como uma mulher doce, tranquila e dedicada aos filhos. Também criticou as medidas adotadas contra agressores. "Tornozeleira e medida protetiva não estão funcionando. Eles resolvem matar e matam. Tem que ter uma punição maior", declarou.

O tio Edgar Varela de Almeida, que usava a camisa do Botafogo, contou que cuidava da sobrinha como uma filha desde que tinha 13 anos e que foi por influência dele que ela passou a torcer pelo clube. Ele a definiu como carinhosa, educada, generosa e de "coração imenso". Durante a cerimônia, o filho mais velho da vítima carregou um balão com a mensagem "Jesus, cuida da minha mãe por mim".

O caso

Mayara foi baleada na cabeça e no peito por volta das 19h de quinta-feira (15/10), na QR 1A da Candangolândia, quando voltava do trabalho, segundo a Polícia Militar. Ela foi internada em estado gravíssimo no Hospital de Base e teve a morte constatada às 9h de sexta-feira (16/10).

O principal suspeito era o ex-companheiro, André Eduardo Alves da Silva, 40. De acordo com Josi, o relacionamento terminou há dois anos, mas ele tentava reatar. Ele se recusava a pagar a pensão da filha de 3 anos e já havia sido denunciado por violência verbal contra Mayara.

Na noite de sexta, agentes da 11ª Delegacia de Polícia (Núcleo Bandeirante), responsável pela investigação, o localizaram no Riacho Fundo I, entre a QN 7 e a QN 9. Ao receber voz de prisão, André sacou um revólver e atirou contra a própria cabeça. Ele morreu no local.

Veja como e onde pedir ajuda no DF em caso de violência doméstica:

190 (PMDF): uma viatura é enviada imediatamente ao local. Funciona 24h, todos os dias. Ligação gratuita.
197 (PCDF): e-mail denuncia197@pcdf.df.gov.br; WhatsApp (61) 98626-1197; site pcdf.df.gov.br/servicos/197/violencia-contra-mulher
180 (Central de Atendimento à Mulher): registra e encaminha denúncias aos órgãos competentes. A denúncia pode ser anônima, 24h por dia. Ligação gratuita.
Deam (Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher): funcionam 24h, todos os dias.

 

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