ENTREVISTA

Trânsito na Ponte JK muda nesta quarta-feira (21/10), entre 6h e 9h

Ao CB.Poder, o engenheiro civil Fauzi Nacfur Júnior, presidente do Departamento de Estradas de Rodagem do DF (DER-DF) detalhou como vai funcionar reversão de faixas na via. Medida visa melhorar o fluxo no horário de pico da manhã

A partir desta quarta-feira (21/10), das 6h às 9h, quem sai da região do Jardim Botânico e de São Sebastião no sentido Plano Piloto será beneficiado por uma reversão de duas faixas na Estrada Parque Juscelino Kubitschek (DF-027), que passa pela Ponte JK. Em entrevista ao CB.Poder  — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília —, o presidente do Departamento de Estradas de Rodagem do DF (DER/DF), Fauzi Nacfur Júnior, explicou como vai funcionar essa medida. Às jornalistas Ana Maria Campos e Mila Ferreira, ele também destacou a importância da mobilidade sustentável para solucionar problemas de trânsito . 

Como foi pensada essa mudança? 

Temos pensado, o DER em conjunto com Detran e com a Polícia Militar do DF, e trabalhando com os órgãos da mobilidade, em uma mobilidade sustentável. Os problemas só serão solucionados quando você tiver uma mobilidade sustentável de transporte de massa funcionando na cidade. O Plano Diretor de Transporte Urbano (PDTU) deixa muito claro quais são essas metas, essas rotas de metrô, de BRTs etc. Por outro lado, nós não podemos nos esquecer que Brasília tem 2,2 milhões de veículos cadastrados e rodando. Queremos que um dia as pessoas deixem o carro em casa porque o transporte público funciona bem. Brasília tem 66 anos. Seria querer demais e impossível você ter uma cidade, com essa idade, com todos os modais definidos porque são obras caras e longas. São Paulo tem um transporte legal de metrô porque tem quase 500 anos. Sabemos disso. Então, estamos estudando, mas nossa missão não é fácil. Trata-se de conciliar a fluidez de trânsito com a segurança viária. Dito isso, a gente tem feito, ao longo desses últimos anos, operações pontuais, com custo bastante baixo, para melhorar algumas situações. 

Como a operação vai funcionar? 

A reversão começa, hoje, em fase de teste. Se não funcionar do jeito que a gente quer, não temos a mínima vaidade para falar que não deu certo. Ela vai ser das 6h às 9h porque, nesse horário, começam a descer a criançada para as escolas e o pessoal para trabalhar. Nesse intervalo de três horas, há um acúmulo de veículos nesse trecho. A região que mais cresce dentro do DF é a do Jardim Botânico. Ela vai crescendo populacionalmente, mas a infraestrutura não consegue acompanhar.  

O que seria um sinal de que a operação não funcionou? 

São várias situações que envolvem essa questão. Por isso, a gente coloca em fase experimental. O primeiro sinal é a gente atingir o nosso objetivo, que é a redução do tempo de viagem. Se o cidadão não conseguiu ganhar o tempo que a gente esperava, temos que voltar atrás. Mexer com a vida das pessoas e não dar um ganho para elas, não faz sentido. Quando a gente tentou fazer, por exemplo, há alguns meses, uma faixa exclusiva de ônibus saindo da região de São Sebastião, o teste durou dois dias. Isso porque a gente detectou alguns problemas. Já me perguntaram se a gente usa o povo como cobaia. Não é isso. Essas questões vão se ajustando com o andamento da situação. O DER tem um programa de simulação para ter uma ideia antes. Mas muitas situações acontecem na prática.

Vai ter mudança na velocidade? 

Quando revertermos duas pistas descendo para a Ponte JK, a velocidade precisará ser diminuída para 60 km por hora por questão de segurança viária. Vai ter uma faixa subindo e uma conificação separando das duas faixas descendo. Não é prudente botar, numa situação dessas, em que você tem mão e contramão segregada por cones, alta velocidade. 

Por que não fazer a reversão também no horário de pico do fim do dia?

No final do dia, não há um período pré-definido como horário de pico. De manhã, desce todo mundo. Já a volta para casa é distribuída. Obviamente, tem movimento na volta. Se fizermos esse processo reverso à noite, não vai dar o mesmo resultado. Estamos fazendo essas análises também. 

Como está sendo organizada a segurança do trânsito na região da mudança? 

O Estado vai estar presente desde o início até o final. Vamos ter viaturas com agentes, sinalização e aqueles famosos painéis de veiculação móveis indicando onde entrar e onde voltar. Vai ter um período de adaptação de um a três dias. Depois, tudo começa a se ajustar e fluir muito melhor. 

E a segurança dos pedestres? 

Ali, precisaria ter várias passarelas de pedestres. No entanto, vários problemas impedem a construção dessas passarelas. Um deles é a questão da área tombada. Essas questões precisam ser solucionadas, mas, hoje, ainda são problemas. Pedestre, se você já tem atenção, você tem que redobrá-la nesse período, principalmente de 6h às 9h, olhando para um lado e para o outro.  

O custo da operação é alto? 

O custo é muito baixo. Ninguém investe muito em algo que pode dar errado. Essas operações são feitas pelos próprios órgãos do governo. Nesse caso, o DER, o Detran e a PM, com os próprios servidores, que vão estar lá. Fizemos duas interseções, com custo baixíssimo, para as pessoas poderem mudar de faixa passando pelo canteiro. Há também o custo dos servidores, que já recebem. Queria agradecer a eles que vão sair de casa às 4h para estar tudo pronto às 6h. 

Essa mobilização dos servidores é permanente?

Sim. Por causa da conificação. Não é porque é barato que é fácil. É uma baita de uma trabalheira, mas  vale a pena. 

*Estagiária sob a supervisão de Patrick Selvatti

Confira a entrevista na íntegra:

 


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