Eleições 2026

Confusão em escola da Asa Norte termina com duas pessoas detidas

Ocorrência na Escola Classe 415 Norte começou após uma idosa de 92 anos ser impedida de votar. Policiais usaram spray de pimenta durante o tumulto

Uma confusão na Escola Classe 415 Norte, na Asa Norte, terminou com duas pessoas detidas na noite deste domingo (25/10), durante o segundo turno das eleições. A ocorrência começou por volta das 18h, após uma idosa de 92 anos ser impedida de entrar na unidade para votar, mesmo com a prorrogação do prazo para até 19h. 

A arquiteta Helena Bustamante, de 29 anos e o companheiro, moradores da quadra, acompanhavam a situação da janela do apartamento, e desceram para tentar garantir o direito da idosa de votar. Eles questionaram o motivo do fechamento dos portões e o impedimento da eleitora. Houve bate-boca. Nesse momento, duas viaturas da Polícia Militar chegaram ao local. Armados, os militares algemaram Helena e colocaram ela no camburão e saíram, deixando o companheiro dela na porta da escola. 

Vitória Torres/CB/DA Press - O Correio entrevistou a mulher alguns minutos antes do acontecimento
Erica Muniz afirmou que os moradores foram surpreendidos pela chegada de várias viaturas em alta velocidade e com as sirenes ligadas. Segundo ela, ao olhar pela janela, viu policiais agindo de forma violenta contra uma jovem e um rapaz.

Foi então que o marido Tales Paes desceu até a porta da escola, se aproximou dos agentes de maneira pacífica para questionar a abordagem e saber o motivo da detenção de Helena. De acordo com ela, um policial apontou um fuzil para Tales, que ergueu os braços em sinal de paz. “Quatro outros agentes, de forma agressiva, o derrubaram pelas costas e o jogaram ao chão com o rosto virado para o asfalto no intuito de algemá-lo, com muita truculência”, contou Erica. “Um policial se manteve com os joelhos em cima do pescoço dele, pressionando sua cabeça contra o chão, por uns cinco minutos”, completou.

Assim como Helena, Tales também foi detido e levado para a 5ª Delegacia de Polícia (Área Central) e liberado cerca de duas horas depois, com escoriações nos braços, no peito e no rosto, além de marcas roxas nos punhos e suspeita de fratura em dois dedos, conforme o relato da esposa.

Helena foi liberada uma hora após ser encaminhada à delegacia. Segundo o delegado da 5ª DP, Fábio Prazeres, a mãe dela, a professora Mercedes Bustamante, também foi autuada por desacato na unidade policial e liberada em seguida.

Truculência

Ainda na porta da delegacia, Helena relatou ao Correio que os policiais teriam adotado uma conduta abusiva durante o transporte. “Não estava conseguindo respirar por causa do spray de pimenta. Eu vi os policiais rindo da minha cara”.

Ela também afirmou que eles conduziram a viatura em alta velocidade durante o trajeto. “No caminho para a delegacia, fizeram questão de passar por todas as curvas em alta velocidade para que eu batesse no camburão”, disse.

De acordo com a arquiteta, em determinado momento, os policiais abriram a porta do veículo e perguntaram se ela conseguia respirar. Ela afirma que, ao mencionar que denunciaria a situação por abuso de poder, ouviu uma resposta de um dos agentes. “O policial que jogou spray de pimenta em mim me perguntou se eu queria respirar ou calar a boca e imediatamente fecharam a porta do camburão novamente”, contou.

A pesquisadora Mercedes Bustamante também criticou a abordagem policial e demonstrou preocupação com a situação. “Estou assustada com a truculência que foi empregada na situação. Jovens tentando ajudar uma vizinha idosa a votar. O que deveria ser uma celebração da democracia foi transformada em uma ação antidemocrática”, observou. “Tenho orgulho de nossa juventude que se posicionou de forma solidária e cidadã”, completou.

O que diz a PMDF?

Em nota, a Polícia Militar informou que policiais militares e integrantes da Justiça Eleitoral que atuavam na Escola Classe 415 Norte foram abordados por um grupo de pessoas durante o atendimento à ocorrência. Após os envolvidos serem informados de que o horário de votação havia terminado, houve uma discussão com os agentes eleitorais e os policiais. Diante da situação, uma equipe do Grupo Tático Operacional (Gtop) foi acionada para prestar apoio.

De acordo com a PMDF, uma mulher passou a proferir xingamentos contra os militares e avançou em direção à equipe. Os policiais utilizaram agente químico para contê-la e a colocaram na viatura para condução à delegacia.

Na sequência, conforme a corporação, um homem se posicionou à frente da viatura para impedir a passagem. Ele teria desobedecido à ordem para sair do local, sendo necessário imobilizá-lo e colocá-lo no veículo policial.

O que diz a SPP-DF

Sobre o episódio, o secretário de segurança pública do DF, Alexandre Patury, comentou que “há muitas movimentações acontecendo pela cidade”, o que dificulta o monitoramento de alguns casos pontuais. “Estamos vendo tudo o que está acontecendo, essas coisas pontuais estão chegando a todo momento”, disse. O gestor da pasta afirmou que não conseguiu apurar o episódio.

Ainda referente à aessa confusão na Escola Classe da 415 Norte, o secretário garantiu que irá apurar o fato. “Por enquanto, não tem como falar se a Polícia Militar seguiu as orientações. Eu não sei ainda tudo sobre o fato. Preciso de um tempo para apurar se está tudo certo”, enfatizou. 

O secretário ainda disse que diversas informações estão circulando sobre organizações de protestos e atos políticos em diferentes partes da cidade. “Há grupos que estão se mobilizando com um trio na frente do Museu Nacional para quando sair os resultados, tem um trio em uma outra quadra da cidade. Estamos mobilizando policiais para toda parte da cidade”, afirmou. 

O que diz o MPDFT

A Promotoria de Justiça Militar, do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) vai requisitar formalmente à Corregedoria da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) a abertura de uma investigação sobre a atuação de policiais militares durante uma ocorrência na Escola Classe 415 Norte. O pedido ocorre após publicação de reportagem do Correio Braziliense, sobre denuncias de abusos, conduta truculenta e uso de spray de pimenta na detenção de uma pessoa que interviu na defesa de voto de uma eleitora idosa de votar, após a prorrogação da votação pelo TSE até às 19h, deste domingo (25/10). A informação foi confirmada pelo promotor de Justiça Militar, Flávio Milhomem. 

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