
Uma ação nacional articulada pelo governo federal vai concentrar, neste sábado e domingo (21 e 22/3), uma grande força-tarefa voltada exclusivamente ao atendimento de mulheres no Sistema Único de Saúde (SUS). Dentro dessa estratégia, está prevista a inserção de 3,8 mil unidades do Implanon, método contraceptivo de longa duração que passa a ganhar mais espaço na rede pública.
O dispositivo, implantado sob a pele do braço, oferece proteção contínua contra a gravidez por até três anos e se destaca por dispensar o uso diário, o que aumenta sua eficácia em comparação a outras opções. Como o serviço é oferecido pelo SUS, não contará com nenhum gasto das beneficiárias.
O Implanon funciona a partir da liberação contínua de etonogestrel, hormônio que impede a ovulação e cria barreiras à fecundação ao alterar o muco cervical. Por não depender de adesão diária, o método apresenta alto nível de efetividade e integra o grupo dos contraceptivos reversíveis de longa duração.
Segundo dados do governo federal, o implante pode permanecer ativo por até três anos e faz parte das políticas de ampliação do acesso a métodos contraceptivos no SUS. O procedimento de inserção é simples, realizado com anestesia local, e a retirada pode ser feita a qualquer momento, permitindo que a fertilidade seja retomada rapidamente.
A iniciativa também dialoga com metas mais amplas de saúde pública. A ampliação do acesso à contracepção está associada à redução de gestações não planejadas e, consequentemente, à diminuição da mortalidade materna — um dos compromissos assumidos pelo Brasil dentro dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Entre as metas estabelecidas está a redução de 25% da mortalidade materna geral e de 50% entre mulheres negras até 2027.
Do ponto de vista científico, o Implanon é considerado um dos métodos mais eficazes disponíveis. Dados do Centers for Disease Control and Prevention (CDC) indicam taxa de falha inferior a 1% ao ano, patamar semelhante ao dos dispositivos intrauterinos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta ainda que o método é seguro para a maioria das mulheres e pode ser utilizado em diferentes fases da vida reprodutiva.
Estudos publicados em periódicos científicos destacam a combinação entre eficácia elevada, longa duração e reversibilidade imediata após a retirada. Na mesma linha, o American College of Obstetricians and Gynecologists recomenda o implante como uma das principais alternativas contraceptivas, especialmente por minimizar erros relacionados ao uso incorreto ou esquecimento.
O conjunto dessas evidências sustenta a ampliação do método em políticas públicas: trata-se de uma opção eficaz, contínua e reversível, características que explicam sua crescente adoção em sistemas de saúde no Brasil e no mundo.
Verdadeiro mutirão para cuidar da saúde das mulheres é como Alexandre Padilha, ministro da Saúde, define os serviços oferecidos neste fim de semana. “Procure a sua Secretaria Municipal ou Estadual de Saúde para saber como participar. Se você está aguardando para uma fila de cirurgia, se você for chamado pela Secretaria, para você comparecer ao mutirão. Participe. Vamos fazer história”, orienta o ministro.

Ciência e Saúde
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