Um estudo científico publicado pelo meteorologista Grant Foster e Stefan Rahmstorf, do Instituto Potsdam para Pesquisa de Impacto Climático, revela que o ritmo de aumento das temperaturas na terra dobrou em comparação com as décadas anteriores. A intenção dos cientistas era provar que o aquecimento global se acelera e, para chegar a essa conclusão, os pesquisadores buscaram identificar fatores que não contribuíram para esse aument
Após 2015, segundo eles, a temperatura global subiu significativamente mais rápido do que em qualquer período de 10 anos desde 1945. O estudo, porém, não investigou as causas específicas que acarretaram para essa aceleração.
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Durante anos, cientistas debatem se os picos de calor recentes eram apenas flutuações naturais, como as causadas pelo El Niño, fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico equatorial central e oriental. Para resolver essa dúvida, e garantir um resultado extremamente confiável, Foster e Rahmstorf analisaram os cinco principais conjuntos de dados globais: Nasa, National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), HadCRU, Berkeley Earthe o ERA5, com uma técnica estatística para remover o impacto de três fatores naturais: o El Niño, as erupções vulcânicas e as variações na radiação solar.
Ao analistar esses dados, os pesquisadores descobriram que a tendência de fundo de aquecimento tornou-se muito mais clara e acentuada.
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Dados alarmantes: a velocidade dobrou
Os números apresentados no relatório são contundentes:
- Aceleração: desde a década de 1970, a Terra vinha aquecendo a uma taxa média de 0,2 °C por década. No entanto, nos últimos 10 anos, essa taxa saltou para aproximadamente 0,4 °C por década.
- O ponto de virada: a análise identificou que essa aceleração estatisticamente significativa começou por volta do ano de 2015.
- Recordes: os anos de 2023 e 2024 foram os mais quentes já registrados na história da humanidade.
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O limite de 1,5 °C e o prazo de 2026
Uma das conclusões mais urgentes do estudo refere-se ao limite de 1,5 °C estabelecido pelo Acordo de Paris, tratado internacional de 2015 sobre mudanças climáticas. Embora o ano de 2024 tenha excedido individualmente essa marca, o limite do acordo é medido pela média de longo prazo.
Contudo, se a taxa atual de aceleração persistir, o estudo projeta que a média global ultrapassará permanentemente o limite de 1,5°C até o fim de 2026 na maioria dos modelos analisados. No entanto, dados do ERA5, mantidos pelo Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo, sugerem que essa marca possa ter sido atingida em 2024.
Conclusão dos especialistas
Para os autores, não resta mais "qualquer dúvida" sobre o aumento na taxa de aquecimento. "O aumento extraordinariamente rápido da temperatura global na última década não pode ser explicado por fatores naturais", afirmam os pesquisadores no documento. O estudo serve como um aviso crítico de que o sistema climático da Terra está mudando de forma mais rápida do que o previsto, exigindo ações globais imediatas.
*Estagiária sob supervisão de Paulo Leite
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