Muitas plantas cultivadas em jardins e quintais brasileiros podem representar riscos à saúde de pessoas e animais domésticos, embora sejam utilizadas principalmente com fins ornamentais. Algumas espécies têm compostos químicos capazes de provocar irritações, intoxicações e até problemas cardíacos quando ingeridas ou manipuladas de forma inadequada.
Para quem tem crianças pequenas e animais domésticos, o biólogo recomenda redobrar o cuidado pois são considerados os grupos mais vulneráveis, já que exploram o ambiente com mais curiosidade e podem levar folhas ou frutos à boca.
De acordo com o biólogo e doutor em botânica Marcelo Kuhlmann, diversas plantas populares pertencem as famílias botânicas conhecidas por concentrar substâncias tóxicas naturais como araceae, apocynaceae, euphorbiaceae, solanaceae e rubiaceae e os efeitos da exposição dependem da espécie e da quantidade ingerida.
1. Comigo-ninguém-pode (Dieffenbachia spp.)
Muito comum em casas e jardins, tem cristais de oxalato de cálcio que pode provocar forte irritação na boca e garganta, inchaço da língua, salivação intensa e dificuldade para engolir quando mastigada.
2. Lírio-da-paz (Spathiphyllum spp.)
Também bastante presente em diversas casas, contém cristais de oxalato de cálcio e pode causar os mesmos sintomas da comigo-ninguém-pode, só que além da mastigação, até o contato pode causar ardência na boca, irritação na garganta e inflamação na mucosa.
3. Espirradeira (Nerium oleander)
Outra espécie amplamente utilizada no paisagismo urbano é a espirradeira (Nerium oleander), um arbusto com flores vistosas que se adapta bem ao sol forte e à seca. Segundo o especialista, todas as partes da planta contêm glicosídeos cardíacos, substâncias que podem interferir no funcionamento do coração se ingeridas.
4. Coroa-de-cristo (Euphorbia milii)
Entre as plantas ornamentais populares também está a coroa-de-cristo (Euphorbia milii), cuja seiva branca pode causar irritação na pele e nos olhos quando entra em contato direto.
5. Mamona (Ricinus communis)
A famosa mamona (Ricinus communis), que às vezes nasce espontaneamente em quintais, possui sementes com ricina, considerada uma toxina potente que pode causar intoxicação grave se ingerida.
6. Erva-do-diabo (Datura spp.)
Planta que produz alcaloides tóxicos, capazes de provocar alucinações, intoxicação e problemas neurológicos quando ingerida.
7. Trombeta ou saia-branca (Brugmansia suaveolens)
Muito cultivada em jardins. Também possui alcaloides tóxicos que podem causar confusão mental, alterações neurológicas e intoxicação.
8. Erva-de-rato ou café-bravo (Palicourea marcgravii)
Considerada uma das plantas mais tóxicas do Brasil, extremamente perigosa por conter ácido monofluoracético, substância que pode causar morte súbita em animais, especialmente bovinos.
Beleza e risco
Mesmo com potencial tóxico, muitas dessas espécies continuam sendo amplamente cultivadas. Além da beleza de algumas segundo Kuhlmann, isso acontece porque várias delas são resistentes, fáceis de cuidar e possuem grande valor ornamental.
O especialista ressalta que o fato de uma planta ser tóxica não significa necessariamente que ela represente perigo constante. Em muitos casos, o risco surge apenas quando há ingestão ou contato inadequado com partes da planta.
Confira imagem das plantas:
Principal forma de prevenção
Segundo o biólogo, não existe uma regra simples para identificar plantas tóxicas apenas pela aparência, e algumas espécies perigosas podem parecer totalmente inofensivas.
Por isso, o especialista recomenda que as pessoas busquem identificar corretamente as plantas presentes no jardim ou dentro de casa, através de aplicativos de identificação, livros especializados e a orientação de profissionais e que conhecer o nome científico da espécie facilita a busca por informações confiáveis.
Plantas Brasileiras
Kuhlmann ainda destaca a importância de ampliar o uso de espécies nativas no paisagismo, o Brasil possui grande diversidade de plantas do Cerrado, da Mata Atlântica e de outros biomas que podem substituir espécies exóticas comuns nos jardins. Além de reduzir riscos em alguns casos, o uso de plantas nativas contribui para atrair aves e polinizadores e aumentar a biodiversidade.
“Tudo começa com o conhecimento e a identificação correta das plantas. Quando sabemos o que estamos cultivando, conseguimos usar essas espécies de forma segura e responsável”, afirma o biólogo.
*Estagiária sob supervisão de Luiz Felipe
Saiba Mais
-
Ciência e Saúde Plantas atraem escorpiões? Descubra o que aumenta o risco no quintal
-
Ciência e Saúde Sal ajudou a congelar planeta Terra há 700 milhões de anos, diz estudo
-
Ciência e Saúde Maior imagem do "coração" da Via Láctea revela mistérios da astronomia
-
Ciência e Saúde Alimentos que combatem unhas fracas e queda de cabelo
-
Ciência e Saúde 'Passei de me sentir sozinha 24 horas por dia a nunca mais estar só': as mulheres que escolheram viver com outras mulheres ao envelhecer
-
Ciência e Saúde Entenda como a alteração intestinal a longo prazo afeta o corpo
