EXPLORAÇÃO ESPACIAL

3I/Atlas: cientistas analisam 74 milhões de sinais atrás de extraterrestres

Monitoramento do objeto interestelar 3I/Atlas não encontrou tecnossinaturas, mas ampliou os limites da busca por vida inteligente além da Terra

Após uma série de filtros para eliminar interferências produzidas por atividades humanas, como sistemas de GPS, telefonia móvel e satélites em órbita da Terra, sobraram apenas 211 sinais do 3I/Atlas para análise detalhada  -  (crédito: Flow)
Após uma série de filtros para eliminar interferências produzidas por atividades humanas, como sistemas de GPS, telefonia móvel e satélites em órbita da Terra, sobraram apenas 211 sinais do 3I/Atlas para análise detalhada - (crédito: Flow)

Uma equipe do Instituto SETI (Search for Extraterrestrial Intelligence, que significa Busca por Inteligência Extraterrestre, em tradução livre) realizou uma das varreduras mais detalhadas já feitas por possíveis sinais de tecnologia extraterrestre em um objeto vindo de fora do Sistema Solar. O alvo foi o famoso 3I/Atlas, o terceiro visitante interestelar confirmado pelos astrônomos.

O resultado não revelou qualquer evidência de transmissões artificiais. Ainda assim, o estudo ajudou a estabelecer novos limites para a detecção de sinais tecnológicos no espaço e demonstrou a capacidade de resposta rápida dos sistemas modernos de observação astronômica. A pesquisa foi publicada no periódico científico The Astronomical Journal nesta quarta-feira (3/6).

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O conjunto de telescópios Array no Observatório de Rádio de Hat Creek
O conjunto de telescópios Array no Observatório de Rádio de Hat Creek (foto: Seth Shostak/Instituto SETI)

O 3I/Atlas foi descoberto em 1º de julho de 2025 pelo sistema de monitoramento ATLAS, no Chile. Ele é apenas o terceiro objeto interestelar confirmado a atravessar o Sistema Solar. Antes dele, os únicos visitantes conhecidos desse tipo foram o 1I/Oumuamua, identificado em 2017, e o 2I/Borisov, descoberto em 2019.

Observações astronômicas indicam que o 3I/Atlas apresenta características típicas de um cometa, incluindo uma nuvem de gás e poeira ao seu redor. Por isso, os cientistas consideram muito provável que se trate de um objeto natural.

Mesmo assim, cientistas do SETI, o principal centro de pesquisa em busca de vida fora da Terra, argumentam que visitantes interestelares merecem atenção especial. Em teoria, um objeto artificial enviado por uma civilização avançada poderia atravessar sistemas estelares de forma semelhante às sondas Voyager, lançadas pela Nasa, a agência espacial norte-americana. “Eventualmente, nossas próprias espaçonaves Voyager serão artefatos extraterrestres em outros sistemas estelares”, afirmou a pesquisadora Sofia Sheikh, autora principal do estudo.

Principais descobertas do estudo

Os cientistas monitoraram o 3I/Atlas durante mais de sete horas em busca de sinais de rádio de banda estreita, um tipo de emissão que não tem origem natural conhecida e é considerado um possível indicador de tecnologia. A busca identificou inicialmente cerca de 74 milhões de sinais candidatos.

Após uma série de filtros para eliminar interferências produzidas por atividades humanas, como sistemas de GPS, telefonia móvel e satélites em órbita da Terra, sobraram apenas 211 sinais para análise detalhada. Nenhum deles estava associado ao objeto interestelar. Todos foram rastreados até fontes terrestres ou satélites conhecidos.

A ausência de sinais permitiu aos pesquisadores estabelecer limites para possíveis transmissões vindas do objeto. Segundo o estudo, qualquer transmissor presente no 3I/Atlas teria potência inferior a 10 a 110 watts na faixa observada. Trata-se de uma potência comparável à de aparelhos domésticos comuns.

Como os cientistas fizeram as observações

As observações foram realizadas com o Allen Telescope Array (ATA), na Califórnia. O sistema é formado por dezenas de antenas de rádio que trabalham de forma integrada para monitorar o céu. Durante a pesquisa, a equipe utilizou 28 antenas operacionais e observou frequências entre 1 e 9 gigahertz. Essa cobertura foi cerca de dez vezes maior do que a empregada em estudos anteriores de objetos interestelares.

Os pesquisadores também utilizaram um novo sistema de análise chamado bliss, capaz de identificar sinais extremamente fracos em grandes volumes de dados. Outro diferencial foi a rapidez da operação. O monitoramento começou menos de 24 horas após o anúncio da descoberta do 3I/Atlas.

Embora nenhum sinal de tecnologia extraterrestre tenha sido encontrado, os cientistas consideram o trabalho um avanço importante. O estudo demonstrou que os instrumentos atuais conseguem detectar transmissões muito fracas mesmo em objetos localizados a bilhões de quilômetros da Terra. Também mostrou que é possível responder rapidamente à descoberta de novos visitantes interestelares.

Segundo a pesquisadora Valeria Garcia Lopez, coautora do estudo, os resultados mostram o quão realista se tornou a capacidade de detectar sinais tecnológicos com a tecnologia disponível atualmente. "Além da busca por possíveis tecnossinaturas, observações desse tipo ajudam a compreender a composição e o comportamento de materiais formados em outros sistemas estelares", disse.

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postado em 03/06/2026 17:05
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