
O Brasil tem avançado no desenvolvimento de vacinas com RNA mensageiro. O primeiro produto é uma vacina contra a Covid-19, desenvolvida pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz). A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o estudo clínico para avaliar o imunizante como dose de reforço.
O recrutamento dos voluntários para a primeira fase do estudo está previsto para o primeiro trimestre de 2027. Nesta etapa, serão avaliadas a segurança e a capacidade de resposta da vacina, com os participantes sendo acompanhados por um ano.
O Ministério da Saúde anunciou, nesta quarta-feira (2/9), que investiu R$ 210 milhões no desenvolvimento de plataformas de RNA mensageiro (mRNA) no país. A estratégia busca ampliar a capacidade científica e produtiva para garantir respostas próprias a emergências sanitárias.
A iniciativa reúne três centros nacionais: Fiocruz, Instituto Butantan e o Centro de Competência em Vacinas da UFMG. Os recursos fazem parte do fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS) para reduzir a dependência de tecnologias externas.
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Por meio do Novo PAC Saúde, foram destinados R$ 77 milhões à plataforma da Fiocruz e R$ 73 milhões ao Butantan. O Centro da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) recebeu R$ 60 milhões para apoiar a infraestrutura de pesquisa e produção.
“Enquanto tem país que cortou o investimento em RNA mensageiro, o Brasil tem três plataformas, vem avançando e se preparando cada vez mais”, pontua o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Primeira vacina em testes clínicos
O presidente da Fiocruz, Mario Moreira, destaca que a consolidação dessa plataforma amplia a capacidade nacional de responder a emergências sanitárias, reduz a dependência de tecnologias externas e cria uma base para o desenvolvimento de novos produtos.
A tecnologia de RNA mensageiro permite modificar as instruções destinadas ao sistema imunológico para combater diferentes doenças, funcionando como uma base adaptável.
"Um dos diferenciais da plataforma de Bio-Manguinhos/Fiocruz é o envoltório lipídico, uma capa de gordura que protege o RNA, desenvolvido com características próprias", diz a Fiocruz.
Outras doenças
O investimento impulsiona uma carteira diversificada de projetos. No Centro de Competência em Vacinas da UFMG (CTV-RNA), estão em andamento projetos para vacinas contra dengue, malária, doença de Chagas, leishmaniose visceral e influenza.
A unidade também desenvolve soluções terapêuticas, como imunoterapia contra o câncer baseada em siRNA e uma metodologia para CAR-T com base em RNA.
No Instituto Butantan, os recursos apoiam a implantação de uma unidade de produção de vacinas de RNA mensageiro, com foco inicial em imunizantes contra Covid-19 e Raiva. O projeto prevê cooperação com o BNDES e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

Ciência e Saúde
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