Clima extremo

El Niño pode ser o mais potente em 40 anos, alerta organização

Na América Latina, países como Panamá e El Salvador decretaram estado de emergência para enfrentar o El Niño, que já forçou inclusive a redução do tráfego de navios pelo Canal do Panamá.

O aquecimento intenso costuma atingir o ponto máximo no fim do ano -  (crédito: AFP)
O aquecimento intenso costuma atingir o ponto máximo no fim do ano - (crédito: AFP)

 O El Niño, que ocorre agora, pode ser o mais potente já observado desde que o monitoramento dessas ocorrências climáticas em quatro décadas. O alerta foi feito, ontem, pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), da ONU. O evento meteorológico natural aquece as águas da superfície no centro e no leste do Pacífico equatorial, desencadeando mudanças climáticas, como alterações nos regimes de chuva e ondas de calor, no mundo inteiro. “O El Niño está se tornando gigante diante dos nossos olhos”, alertou o secretário-geral da ONU, António Guterres, destacando que “o mundo está na zona de perigo do clima extremo”.

“O El Niño vai se intensificar até se tornar uma preocupação muito forte nos próximos meses, com grandes impactos nos padrões de eventos e temperatura, além de riscos associados a inundações, secas e calor extremo”, afirmou a agência da ONU.

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Na América Latina, países como Panamá e El Salvador decretaram estado de emergência para enfrentar o El Niño, que já forçou inclusive a redução do tráfego de navios pelo Canal do Panamá. Segundo a Organização Meteorológica Mundial, o fenômeno alcançará o ponto máximo até o final do ano, mas os impactos no clima serão vistos sobretudo durante 2027.

A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, enfatizou que o episódio atual "pode ser mais potente que tudo o que foi observado desde que começamos nosso monitoramento" há quatro décadas. Embora não seja provocado pelas mudanças climáticas, os cientistas esperam que o El Niño agrave as temperaturas do planeta que está esquentando devido à queima de combustíveis fósseis, ao mesmo tempo em que intensifica os extremos meteorológicos.

Ponto máximo

O aquecimento costuma atingir o ponto máximo no fim do ano, mas o calor dos oceanos é liberado mais lentamente para a atmosfera, o que eleva as temperaturas globais durante os 12 meses seguintes. O ano mais quente já registrado foi 2024, após o último El Niño.

“Esse El Niño excepcional tem o potencial de provocar um golpe devastador nas comunidades e economias de todo o mundo”, afirmou Celeste Saulo. “Já estamos vendo perturbações e devastação causadas por secas e inundações. Esperamos que os impactos aumentem à medida que o El Niño se intensifica”, avaliou.

O fenômeno costuma acontecer a cada dois a sete anos e dura entre nove e 12 meses. As condições oscilam entre o El Niño e seu oposto, La Niña, com algum tempo neutro entre os dois. A OMM ressaltou que existe uma "probabilidade extraordinariamente elevada, próxima de 100%" de que o episódio atual prossiga até fevereiro.

 

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postado em 04/09/2026 05:05
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