
O relato recente da apresentadora Ana Maria Braga sobre ter sofrido uma lesão nos olhos após dormir com o ar-condicionado ligado acendeu um alerta para os efeitos do frio e da baixa umidade na saúde. Além dos olhos, o hábito de passar horas em ambientes refrigerados afeta diretamente o nariz e a garganta, podendo provocar feridas, sangramentos e crises alérgicas.
Quando exposta por muito tempo ao ar seco, a mucosa nasal perde hidratação e deixa de cumprir adequadamente seu papel de proteção. A otorrinolaringologista da OtorrinoDF Carolina Nimrichter explica que a falta de umidade compromete a lubrificação natural das vias aéreas. "A nossa mucosa nasal precisa estar hidratada para poder funcionar bem. Quando o ar está muito seco, ela vai perder água, o muco vai ficar mais espesso e aquele mecanismo natural que a gente tem de limpeza do nariz não vai funcionar tão bem", relata ao Correio.
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Os primeiros sinais de que o organismo está sofrendo com o ressecamento ambiental costumam surgir durante ou após noites inteiras de exposição. Entre os sintomas mais comuns estão a ardência no nariz, formação de crostas internas, pequenos sangramentos, garganta seca, tosse irritativa, rouquidão e irritação ocular.
Embora o ar-condicionado não seja a causa direta de doenças como a sinusite, o ambiente seco pode intensificar desconfortos preexistentes. Pessoas com rinite alérgica ou mucosas sensíveis sentem o impacto com mais facilidade. "O ressecamento que o ar-condicionado causa pode aumentar a irritação do nariz e da garganta, facilitando também alguns pequenos sangramentos nasais. O ar-condicionado sozinho não causa sinusite, mas contribui para piorar os sintomas. Se o aparelho estiver sujo, há maior exposição a poeira, ácaros e fungos, o que também piora a rinite", destaca a médica.
Para utilizar o ar-condicionado durante o sono sem prejudicar o bem-estar, a recomendação é evitar temperaturas extremas e não direcionar o fluxo de ar diretamente para o corpo. O ideal é manter a temperatura do quarto entre 22°C e 24°C, controlando a umidade do ar para que permaneça em uma taxa média de 40% a 60%.
Alternativas populares para aliviar o calor e o tempo seco, como o ventilador e o umidificador de ar, também demandam atenção. O ventilador não retira a água do ar, mas o vento contínuo acelera a evaporação da umidade corporal. "Para quem for dormir de ventilador, o ideal é deixá-lo oscilando ou direcionado para o ambiente", recomenda Carolina Nimrichter.
No caso dos umidificadores, o excesso de umidade e a falta de higienização do reservatório de água podem gerar o efeito oposto ao desejado, estimulando a proliferação de mofo e espalhando micro-organismos no quarto.
Para minimizar os impactos do ar seco no dia a dia, medidas simples como ingerir bastante água, manter o ar-condicionado limpo e utilizar solução salina para lavar o nariz e hidratar a mucosa ajudam na prevenção. O acompanhamento médico com otorrinolaringologista é indicado caso os sintomas sejam diários ou persistentes, como sangramentos recorrentes, obstrução nasal contínua ou dores no rosto.
Ciência e Saúde
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