
A executiva brasileira Lorrayne Mavromatis trouxe à tona, na quarta-feira (22), denúncias de assédio sexual e moral que afirma ter enfrentado durante os anos em que trabalhou na MrBeast Industries, comandada pelo youtuber MrBeast, que possui mais 400 milhões de inscritos em seu canal.
Além do relato nas redes sociais, ela informou que acionou a Justiça e move um processo contra a companhia em um tribunal da Carolina do Norte, nos Estados Unidos.
Ao relembrar sua trajetória de três anos na empresa, Lorrayne descreveu o entusiasmo inicial com a oportunidade profissional.
"Nos últimos 3 anos, eu trabalhei na MrBeast Industries. [...] Eu estava genuinamente, profundamente orgulhosa de ter a oportunidade de trabalhar ao lado de alguns dos melhores do setor", escreveu.
Em seguida, relatou situações recorrentes de desvalorização no ambiente corporativo:
"Eu era uma das poucas mulheres no alto escalão executivo e, muitas vezes, a única mulher na sala. Quando eu dava uma ideia, era chamada de burra, apenas para ficar ali e assistir um homem dizer exatamente a mesma coisa 90 segundos depois e receber uma rodada de aplausos".
Segundo a executiva, episódios de constrangimento também ocorreram diante da equipe. "Me mandaram calar a boca na frente de toda a minha equipe", afirmou.
Ela ainda descreveu encontros fora do escritório que considerou inadequados, incluindo convocações para reuniões privadas na residência do CEO, "em uma sala iluminada apenas por um abajur lateral".
Nesses momentos, diz ter ouvido comentários pessoais: "Tive que escutar o quão atraente e bonita eu era."
Embora não cite diretamente o nome do responsável pelas condutas no vídeo publicado, o processo judicial menciona o ex-CEO da empresa, James Warren.
Lorrayne também detalhou dificuldades enfrentadas durante a gravidez. De acordo com ela, o período que deveria ser positivo rapidamente se transformou em apreensão.
Após 3 anos trabalhando nas empresas do MrBeast, Lorrayne contou que engravidou, mas reiterou que o momento mágico da coisa foi totalmente arruinado.
"Eu tinha uma licença-maternidade aprovada e assinada pelo RH e concordei que trabalharia até o meu último dia de gravidez. Eu disse: enquanto eu estiver em trabalho de parto a caminho do hospital, eu ligarei para vocês. E é aí que quero que minha licença comece"."
Mesmo com o acordo formalizado, a executiva afirma que a prática foi diferente.
"No papel, parecia lindo, mas na realidade, não significava nada. Eu estava no hospital em trabalho de parto em uma reunião de equipe; uma semana após o parto, ainda me recuperando, privada de sono, emocionalmente e fisicamente exausta, eu já estava de volta ao trabalho."
Duas semanas após retornar da licença, ela diz ter sido desligada da empresa.
"E a razão foi: 'você tem um calibre muito alto para essa posição. Precisamos de alguém com um calibre menor'". Lorrayne afirma que não teve tempo para se recuperar plenamente. "Tudo isso foi tirado de mim. Nunca poderei recuperar isso."
Ao concluir o relato, destacou o motivo de levar o caso à Justiça.
"Hoje estou tomando medidas legais. Por todas as mulheres que enfrentaram medo no ambiente de trabalho, que foram levadas a acreditar que precisam escolher entre seus filhos ou suas carreiras. Por cada mulher que foi silenciada. Tentaram me silenciar o suficiente, mas chega."

Mariana Morais
Mariana Morais
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Mariana Morais
Mariana Morais
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