A cerimônia da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), realizada para homenagear nomes importantes da cultura, acabou marcada por um episódio de forte repercussão envolvendo Lima Duarte.
Aos 96 anos, o veterano protagonizou um momento de tensão após um discurso que deu o que falar, tanto no evento, quanto nas redes sociais.
No palco, o ator compartilhou uma lembrança da adolescência, quando tinha 15 anos, ao narrar uma situação vivida em um contexto de vulnerabilidade.
Durante o relato, ele mencionou um episódio em uma área de prostituição e fez referência à cor das mulheres que estavam no local. Ao recontar a história, declarou:
"Um dia um moleque daqueles chegou pra mim e falou assim, 'vamos na zona?' (...) Ele falou, 'na Aimorés a mulher é cinco mirreis, na Itaboca a mulher é três'. Eu falei, 'vamos na Itaboca', ele falou, 'só tem preta'.
Eu não fui. Moleque de rua, dormi embaixo do caminhão, não fui porque só tinha preta. Que vida, hein? Que coisa eu fui percebendo ao longo dessa vida. Então, fomos na Aimorés".
A reação foi imediata entre parte do público presente. O desconforto tomou conta do ambiente, e algumas artistas se manifestaram ainda durante a cerimônia.
A atriz e diretora Carmen Luz fez um pronunciamento direto e reto, ressaltando o respeito e a relevância das mulheres negras.
Em sua fala, afirmou que elas "não estão no mundo para serem recusadas" e concluiu com o chamado "Mulheres pretas, levantai-vos", sendo aplaudida por parte da plateia.
Outras vozes também se somaram ao posicionamento, como Shirley Cruz e Grace Passô, que reforçaram a necessidade de reconhecimento e valorização das mulheres negras no cenário cultural.
Pronunciamento
Diante da repercussão negativa, Lima Duarte se pronunciou posteriormente por meio de uma nota. O ator afirmou que a fala tinha como base uma recordação de sua infância, inserida em um contexto de dificuldades.
"Aquela fala nasceu como retrato de um tempo e também como forma de
" target="_blank">protesto, do olhar de quem respeita e entende uma luta que é de todos", disse em declaração à Folha de S. Paulo, acrescentando que se tratava da visão de "um menino sem formação, vivendo na rua."