Durante participação em uma palestra, Huck afirmou que o Bolsa Família “não quebra o ciclo de pobreza” e declarou que alguns beneficiários “criam atalhos” para continuar inseridos na política de assistência.
A fala repercutiu negativamente nas redes sociais e acabou contestada por Ana Paula, que utilizou estudos recentes para rebater a análise feita pelo comunicador.
Ao se posicionar, a jornalista argumentou que existe uma interpretação distorcida sobre o programa e destacou números relacionados à saída de famílias do benefício ao longo dos anos.
“O Bolsa Família talvez seja uma das políticas públicas mais mal interpretadas do Brasil. Durante anos, repetiram a ideia cruel de que o brasileiro recebe o benefício e ‘se acomoda’. Mas os dados contam outra história. Um estudo da FGV mostrou que, em dez anos, mais de 60% dos beneficiários conseguiram deixar o Bolsa Família.
Entre os jovens que eram adolescentes quando recebiam o benefício, esse número passa de 70%, gente. Ou seja: os filhos do Bolsa Família, em grande parte, não continuam no Bolsa Família. E você pode pesquisar isso, viu?”, declarou.
Na sequência, Ana Paula também afirmou que o debate sobre assistência social costuma ignorar fatores estruturais ligados à desigualdade brasileira.
Para ela, o país deveria ampliar oportunidades de acesso à educação e emprego, em vez de tratar políticas públicas com preconceito.
“Criticar o Bolsa Família como se ele produzisse acomodação é ignorar evidência, ignorar desigualdade e, sobretudo, ignorar o Brasil real.
O Brasil não precisa de menos proteção social. Precisa é de mais escola, mais emprego decente, mais qualificação, mais creche, mais oportunidade e menos preconceito fantasiado de opinião econômica.”, explicou.
As críticas direcionadas ao apresentador ganharam força principalmente entre internautas que defenderam o programa nas redes sociais.
Parte dos comentários apontou que Huck teria feito as declarações sem considerar pesquisas recentes sobre mobilidade social entre beneficiários.
Dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social mostram que a maioria dos adolescentes vinculados ao Bolsa Família em 2014 deixou o programa ao longo da última década. Segundo o levantamento, 70% desse grupo não depende mais do benefício.
O estudo aponta ainda que, considerando todas as idades, 60,68% das pessoas que recebiam o auxílio em 2014 saíram do programa até 2025.
Entre adolescentes de 11 a 14 anos, o índice chegou a 68,8%, enquanto na faixa entre 15 e 17 anos alcançou 71,25%. Os pesquisadores atribuem principalmente à educação o avanço registrado nesses números.
Outro dado apresentado revela que 52,67% dos jovens de 15 a 17 anos que estavam no Bolsa Família em 2014 também deixaram o Cadastro Único, sistema que reúne famílias de diferentes níveis de renda.
Entre eles, 28,4% possuem emprego formal atualmente. Já no grupo que tinha entre 11 e 14 anos à época, 46,95% saíram do CadÚnico, e 19,10% têm hoje carteira assinada.
Saiba Mais
-
Mariana Morais Luciano Huck se defende após polêmica sobre Bolsa Família
-
Mariana Morais Herdeira de Silvio Santos se joga na política e planeja saída do SBT
-
Mariana Morais MC Vitória faz do funk um retrato das periferias em 'Quebrada Viva'
-
Mariana Morais Wesley Safadão e Thyane Dantas enfrentam novos rumores de crise
-
Mariana Morais Michele Andrade une storytelling, forró e fantasia em novo audiovisual
-
Mariana Morais 'Risco em Jogo' encerra gravações e acende alerta sobre os perigos digitais
